Depois de Oliana um "barron" e nesse meio tempo um pouco de "Margalef" para buscar um estilo mais de força que sempre me falta. Margalef é realmente difícil, bidedos e blocadas dinâmicas marcam o estilo de escalada. Provei um 8a e um 8a+, hard. Rolou um 7c que parecia 8a+ de tão "cabron" e outro mais fluido quase àvista. Voltando a Siurana continuei a sequência de pegues na "Migranha (8b)" com tempo muito frio, congelando os dedos mas com a pedra colando e dois pegues para começar a limpar a primeira placa do "El Pati" na "Sexo sentido 8b" que se localiza entre a "Golpe de estado (9b)" e "Zona 0 (8b)". Essa última foi aberta por volta do ano 2000 por Pata e Dani e quase não é escalada. Muito boa, no guia ela encontra-se graduada em 8a+ mas possível ser um 8b hard, mais hard que "Pati pa mi". Detalhe, existem apenas 2 ascenções a via, uma do Dani e outra do Nico...Tem noção!?rs.
Por fim deixo umas fotos minhas e do André Nerez na "Migranha" e "Migranha Profunda". Agradecimento especial ao Miguel Catita pelas fotos!!! Grande Miguel!!!!
A muito tempo conheci esse trabalho de foto-colagem através da familia da Gabi, André Machado e Marísia que naquela época coordenavam uma escola de fotografia no Rio de Janeiro. A primeira vez que vi fiquei surpreso com as possibilidades de "fotografias" e "montagens". Deixo um pouco da minha visão, lugares que visitei para que possam se motivar e quem sabe um dia visita-los... Boas escaladas.
Foi ontem, um acidente no Rio de Janeiro leva um grande ícone do Montanhismo Brasileiro. "Atropelamento" foi a causa da morte de Fabinho. Grande escalador, sempre motivado "amuerte" deixará muitas saudades entre todos da comunidade escaladora.
Fabinho como sempre, flutuando no Massa Crítica...
Lembranças-Fabinho na "coquetel de energia", ce2000.
Em um platô ou em um "esticão", estará ele, sempre subindo as paredes mágicas do Rj...
Oliana é um dos setores mais incríveis que já conheci! Localizado ao norte
da Catalunha perto das escolas de "Bruixes", "Perles" e "Terradets". O setor se destaca por suas famosas vias e projetos futuristas, quase todas abertas pelo "Sharma" e
"banda". O setor tem em média 50 metros de pura "conti" e alta dificuldade, impressionando qualquer escalador.
É um "setorzasso" de pura resistência de
força e Continuidade! Mto Fod@!
Chegar ali pela segunda vez me fez refletir quanto ao que
tinha acontecido ali mesmo um ano atrás. Não podia acreditar que tinha feito a "Humildes”,
me custava acreditar que tive aquela "resis" e "conti", e
que hoje para tentar em quatro dias meu projeto principal me parecia algo impossível encadena-lo.
Uma coisa é certa, chegar com mais força de "boulder" me facilitou em
algumas partes, mas ao mesmo tempo o mais importante ainda me custa...
Oliana - Pueblo
Chegando no setor...
Dessa vez fui com o "Pita" e "Lu" que tinham colocado muita
pilha para ver o "Fenômeno" Adam Ondra provar o projeto mais falado
do momento, La dura dura. No primeiro dia quando chegamos haviam ótimas
condições climáticas, um solzinho e um vento forte faziam a pedra colar. O
"pita" escolheu a boulderística "Picos pardos" 8b para
provar enquanto eu escolhia a inevitável da lista, "Fish
eye" 8c.
Video com a Nina Caprez encadenando "Fish eye 8c" em Oliana.
Acabei saindo da sequência de 8bs que queria manter para buscar
algo mais fora do meu limite, a via acabou sendo a escolha perfeita. Digo perfeita,
pois é a mescla de todos os estilos dos projetos mais duros que encadenei até
hoje. Mister Bill, Massa crítica, Vaca louca e transamazônica sem fim. A via
parece uma somatória de todas...
Para melhor entender eu diria uma
primeira parte de movimentos longos em um negativo expressivo de boas agarras com pequenos "cruxs"
mais uma saída do "desplome" que custa dando no total algo em torno
de 8b+ e um final de placa que deve ser um 7c? 7c+? Isso na sequência, somando com um passo
"cabron" no final de bidedos e regletes. Essa é onze filho!!! Dei vários pegues nos três dias e as duas vias não saíram.
Foram vários aprendizados, novos betas e métodos sacados que serão aplicados em
outra investida.
O especial dessa vez
foi estar todos os dias cercados por vários escaladores de ponta de vários
cantos do mundo. Os “melhores” da Espanha, Itália, Estados Unidos e República
Checa. Cris Sharma e Adam Ondra tiravam
as atenções quando o assunto era La dura dura. A falésia parava... Via
"inumana" aberta pelo Cris é hoje uma das vias mais difíceis do
mundo. Dessa vez Cris não se dava muito bem enquanto Adam passeava na primeira
parte e fazia muito bem a segunda, mas até então sem sucesso. Nos últimos dias
os Italianos Gabri Moroni e Silvio Reffo quebraram tudo com "Joe
Blau" 8c+ e primeiro flash da "Mind Control" 8c+, sem falar nos 8cs. Joe Kinder também encadenou sua criação,
foi irado ver a felicidade dele ao baixar da via... Vlw Joe!!!
Passaram-se os dias, fim de grana, fim de força, voltei a
Siurana. Ao chegar a notícia do Encadene místico... Adam fez a via!!! Esse
assunto é algo impossível de descrever, mesmo não presenciando o encadene ver
os pegues que ele dava na via me fizeram crescer como escalador mais uma vez.
Coisas desse tipo são como “pacotes” encontrados, “checkpoints” conquistados...
Me lembrei quando vipela primeira vez o
“King Lines”, aquele vídeo naquele momento mudava a minha escalada...As “chaves certas” nos “momentos certos”, e o climb,
naturalmente se transforma.
Já em Siurana depois de alguns dias recebo a notícia que Pita tinha mandado seu projeto. Boa Pita!!!
Mais um pouco sobre Luis Cláudio "Pita". Ele é um dos maiores equipadores de
esportiva e alta montanha do Brasil, nascido no Rio de janeiro fez parte de
todo o começo da escalada esportiva no Brasil passando por diversas fases do
longo processo de evolução. Foi testemunha de fatos como abertura
das primeiras vias difíceis e fez algumas das primeiras ascensões na sua época.
Agora busca em outra fase de vida evoluir e participar do cenário mais
importante do mundo abrindo e desenvolvendo setores.
Novatinho e Pita trocando betas...
Pita começou por volta de 1987, com
a bandinha do Humaitá, Hillo, Leonardo Moura, Ramom. Naquela época o grande
barato era subir ate o cume para simplesmente contemplar a vista, "_queríamos
saber oque havia ali"... _"O que chamava a atenção eram os materiais de escalada
com os coloridos exuberantes, as vistas incríveis do Rio de janeiro"...
Pita escalando "Marroncita"8b.
Depois de todo o tempo no Brasil abrindo vias e escalando os
mais variados estilos ele agora busca a grande qualidade e infinita rocha de calcário espalhada
por todo "sul" da Europa, França e Espanha. Conversando com ele pergunto quais os cinco melhores lugares que já
escalou e as cinco melhores vias dos respectivos lugares, seguramente vias a serem provadas.
1- Rodellar ,"Sirius" - projeto 8c?
2- Oliana,"Picos pardos" 8b
3- Siurana,"zona 0" 8b
4- Terradets,"El latido Del miedo" 8a
5- Kalymnos,"super Priapos" 8a+
Voltando ao assunto base, são muitas escolas, muitos setores, muita escalada. Certamente para conhecer de fato, evoluir, chegar perto do nível mundial o melhor é poder participar disso tudo por mais algum tempo. A dúvida entre ficar ou voltar parece desaparecer e para realizar tal sonho preciso de somente uma atitude, perder mais uma vez o vôo de volta...
O tempo fugiu, passou e naturalmente veio a cura. Agora
melhor e adaptado começam a sair as cadenas e escaladas de aventura, primeiro
encadenando "Gigololo" para abrir a sequência, pois a mesma conta
com "cantos" bons. Depois fissurei com a qualidade e psicodelia da
via e matei de pegues a famosa "Mr. Cheky" que passa no clássico
filme "Masters of Stone 4" com o "personagem" Tony Arbones
escalando. Esta ultima ainda não saiu, mas de alguma forma me preparou para
outras vias que estavam por vir...
Neste "post" quero dar atenção ao tema "sobreposição de
estilos", técnica adquirida e entendida depois de muito tempo escalando e
que no caso é o que mais me completa como escalador. Misturar estilos de
escalada creio que seja o grande segredo de muitos escaladores profissionais,
sem falar em suas infinitas horas de treino, suas dietas e etc. A "sobreposição de estilos" faz com que se "reveze"
agrupamentos musculares e movimentação específica evitando lesões e
proporcionando um crescimento completo em todos os aspectos.
...nada mais é que mudar os estilos em um curto espaço de
tempo...
Desde dezembro havia programado uma sequência básica para
estar em forma no começo de fevereiro e sabia que seria necessário no mínimo um
mês para começar escalar na pressão, forte de verdade. O bom tempo sem vento
indicava a hora de voltar para o setor mais desejado de Siurana, El Pati. O
setor já mencionado em outras postagens que para mim é um dos setores mais
importantes do mundo, conta com vias clássicas como "La rambla", "kalea
borroka", "Zona 0" , Patipami e outras...
Quanto a escolher um projeto é importante um bom senso
quanto à possibilidade de executa-lo em um "curto" espaço de tempo.
Ser sincero com seu limite faz com que o tempo seja aproveitado com certa eficiência
e produtividade nos dias de escalada. Mesmo não executando a via é necessário certa
sensação de evolução.
...mudança de via e normalmente de setor podem ajudar muito,
ficar "atrapado" na mesma via é um grande erro...
Mesmo sabendo que vários clássicos me esperam agora procuro
fazer uma base de oitavos baixos (8a+,8b) e em paralelo vou provando os
projetos e procurando aquele perfeito, que seja meu número. Após três semanas
de Can piqui pugui, escalar no El Pati chega parecer fácil. Sair das vias de
"bloc" e buscar meu melhor estilo já estava na hora, a continuidade
me esperava...
mto clássico...
Já no primeiro dia de volta ao setor dei um pegue na
"Dogma" que tem como entrada a primeira parte da fissura "Kalea
borroka" encadenada na temporada passada. Essa pode considerar uma das
vias mais terapêuticas de alto nível que possa existir. Um 8b de 40 metros só
de cantos bons. Há pessoas que possam achar um pouco difícil pela resistência e
ritmo necessitado. Foi fácil e no segundo pegue, depois de malhar
"boulder" no "can piqui pugui" o crux localizado ao meio da
via nem existiu. Na verdade quase fui surpreendido na sua saída delicada e
técnica em fissura de pedra "gris" com pés pequenos e movimentos sutis
de oposição. Fácil mas ao final quase fui para baixo, um esforço a mais para
sair da placa e pronto, cadena.
Depois motivado a top comecei a pensar em projetos futuros
como "2x30", "Elrastro", "Mr.cheky, "Migranha
profunda" e muitos outros. São muitos!!!Aqui o que não falta é projeto,
seja qual for o seu nível e estilo de escalada. Com mais de 60 setores e mais
1.000 vias, não é possível que não se encontre uma linha perfeita. Tem de tudo por
aqui, setores verticais técnicos, curtos de boulder, longos de "resis",
negativos de agarras com bloc e tudo mais que se possa imaginar. Se quiser
mudar completamente pode-se também pegar um carro e dirigir cerca de 30 km
encontrando outra qualidade de rocha como o conglomerado de Margalef ou
Montsant.
Como o estilo que mais me agrada é o de "placa
semi-desplomada" decidi ficar pelo setor tentando outras vias. A próxima
não poderia ser outra, "Zona 0".
Grande Vini encadenando "Zona 0".
Arquivo 2012.1 Fotos: Daniele e Ricardo Schen.
"Zona 0" , é o 8b mais encadenado de Siurana com
mais de 120 ascensões catalogadas no site 8a.nu. A via é um clássico de
Siurana. Um começo de bidedos ótimos com movimentos largos e uma
virada de um pequeno teto marca a entrada da resis com movimentos longos em
agarras médias. Bidedos e regletes em um leve “desplome” contínuo pedem um certo ritmo
até um descanso em invertidas para entrar então no crux da via. O crux dessa
via é algo que sempre me custou um "talento" a mais, sempre ficava na dúvida de
qual lado escolher já que se pode fazer pelos dois lados...
Vini, na sequência do meio...
Pela direita um rebote em duas laterais e em pinça se ganha
a agarra do meio do boulder e lança ao agarrão do final da sequência de mão
esquerda. Pela esquerda três regletes bem pequenos indo de direita ao agarrão
final de direita. Por fim escolhi um mix dos dois métodos aonde se utiliza o
reglete central em bidedo, calcanhar esquerdo, um bico-mono de direita e lança
ao final de mão esquerda, muito mais fácil...
Agora a força vai voltando,
a motivação vai crescendo e as coisas vão fazendo sentido total... Que venham os próximos projetos, venga Oliana!!!
Em breve post sobre as vias equipadas ("Vinte pras nove" e "Haga lo que quieras") e um pouco sobre oque rolou em Oliana nessa primeira trip.