domingo, 10 de fevereiro de 2013

tEW - Eurotrip

                                      
O tempo fugiu, passou e naturalmente veio a cura. Agora melhor e adaptado começam a sair as cadenas e escaladas de aventura, primeiro encadenando "Gigololo" para abrir a sequência, pois a mesma conta com "cantos" bons. Depois fissurei com a qualidade e psicodelia da via e matei de pegues a famosa "Mr. Cheky" que passa no clássico filme "Masters of Stone 4" com o "personagem" Tony Arbones escalando. Esta ultima ainda não saiu, mas de alguma forma me preparou para outras vias que estavam por vir... 
Neste "post" quero dar atenção ao tema "sobreposição de estilos", técnica adquirida e entendida depois de muito tempo escalando e que no caso é o que mais me completa como escalador. Misturar estilos de escalada creio que seja o grande segredo de muitos escaladores profissionais, sem falar em suas infinitas horas de treino, suas dietas e etc. A "sobreposição de estilos" faz com que se "reveze" agrupamentos musculares e movimentação específica evitando lesões e proporcionando um crescimento completo em todos os aspectos. 
...nada mais é que mudar os estilos em um curto espaço de tempo... 
Desde dezembro havia programado uma sequência básica para estar em forma no começo de fevereiro e sabia que seria necessário no mínimo um mês para começar escalar na pressão, forte de verdade. O bom tempo sem vento indicava a hora de voltar para o setor mais desejado de Siurana, El Pati. O setor já mencionado em outras postagens que para mim é um dos setores mais importantes do mundo, conta com vias clássicas como "La rambla", "kalea borroka", "Zona 0" , Patipami e outras...  
Quanto a escolher um projeto é importante um bom senso quanto à possibilidade de executa-lo em um "curto" espaço de tempo. Ser sincero com seu limite faz com que o tempo seja aproveitado com certa eficiência e produtividade nos dias de escalada. Mesmo não executando a via é necessário certa sensação de evolução.
...mudança de via e normalmente de setor podem ajudar muito, ficar "atrapado" na mesma via é um grande erro...
Mesmo sabendo que vários clássicos me esperam agora procuro fazer uma base de oitavos baixos (8a+,8b) e em paralelo vou provando os projetos e procurando aquele perfeito, que seja meu número. Após três semanas de Can piqui pugui, escalar no El Pati chega parecer fácil. Sair das vias de "bloc" e buscar meu melhor estilo já estava na hora, a continuidade me esperava... 
mto clássico...

Já no primeiro dia de volta ao setor dei um pegue na "Dogma" que tem como entrada a primeira parte da fissura "Kalea borroka" encadenada na temporada passada. Essa pode considerar uma das vias mais terapêuticas de alto nível que possa existir. Um 8b de 40 metros só de cantos bons. Há pessoas que possam achar um pouco difícil pela resistência e ritmo necessitado. Foi fácil e no segundo pegue, depois de malhar "boulder" no "can piqui pugui" o crux localizado ao meio da via nem existiu. Na verdade quase fui surpreendido na sua saída delicada e técnica em fissura de pedra "gris" com pés pequenos e movimentos sutis de oposição. Fácil mas ao final quase fui para baixo, um esforço a mais para sair da placa e pronto, cadena.
Depois motivado a top comecei a pensar em projetos futuros como "2x30", "Elrastro", "Mr.cheky, "Migranha profunda" e muitos outros. São muitos!!!Aqui o que não falta é projeto, seja qual for o seu nível e estilo de escalada. Com mais de 60 setores e mais 1.000 vias, não é possível que não se encontre uma linha perfeita. Tem de tudo por aqui, setores verticais técnicos, curtos de boulder, longos de "resis", negativos de agarras com bloc e tudo mais que se possa imaginar. Se quiser mudar completamente pode-se também pegar um carro e dirigir cerca de 30 km encontrando outra qualidade de rocha como o conglomerado de Margalef ou Montsant.

Como o estilo que mais me agrada é o de "placa semi-desplomada" decidi ficar pelo setor tentando outras vias. A próxima não poderia ser outra, "Zona 0".

Grande Vini encadenando "Zona 0".
Arquivo 2012.1 Fotos: Daniele e Ricardo Schen.
"Zona 0" , é o 8b mais encadenado de Siurana com mais de 120 ascensões catalogadas no site 8a.nu. A via é um clássico de Siurana. Um começo de bidedos ótimos com movimentos largos e uma virada de um pequeno teto marca a entrada da resis com movimentos longos em agarras médias. Bidedos e regletes em um leve “desplome” contínuo pedem um certo ritmo até um descanso em invertidas para entrar então no crux da via. O crux dessa via é algo que sempre me custou um "talento" a mais, sempre ficava na dúvida de qual lado escolher já que se pode fazer pelos dois lados...
 
Vini, na sequência do meio...
Pela direita um rebote em duas laterais e em pinça se ganha a agarra do meio do boulder e lança ao agarrão do final da sequência de mão esquerda. Pela esquerda três regletes bem pequenos indo de direita ao agarrão final de direita. Por fim escolhi um mix dos dois métodos aonde se utiliza o reglete central em bidedo, calcanhar esquerdo, um bico-mono de direita e lança ao final de mão esquerda, muito mais fácil...

Agora a força vai voltando, a motivação vai crescendo e as coisas vão fazendo sentido total... Que venham os próximos projetos, venga Oliana!!!


Em breve post sobre as vias equipadas ("Vinte pras nove" e "Haga lo que quieras") e um pouco sobre oque rolou em Oliana nessa primeira trip.

Boas escaladas...

Um comentário:

  1. Uhuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu Pita.

    ResponderExcluir