quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Fanática Lu - primeiro 10b feminino - cadena da via Vaca Louca

O dia 08 de janeiro de 2014, por pouco não entra para história como um daqueles dias mais quentes de todos os tempos da cidade do Rio de Janeiro. Calor de rachar, asfalto quente, sensação térmica de 50 graus. Nada disso foi desculpa para a escaladora Carioca, Luciana Di Franco, deixar de desafiar o calor e fazer história. Nesse dia Luciana foi a primeira escaladora brasileira a encadenar uma via de escalada cotada em 10b.

26 anos atrás, essa graduação já havia sido escalada por uma escaladora francesa chamada Isabelle Patissier. Luciana, mesmo tendo morado no brasil até os 26 anos de idade, nunca deixou as adversidades abalarem sua paixão pelo climb. Carioca, quando morava na Ilha do Governador, sempre teve que pegar vários ônibus e encarar algumas horas de trânsito para poder chegar nos picos de escalada. No Rio de Janeiro, parece que tudo conspira contra os montanhistas em manter o foco na escalada. Calor, praia, noitadas e a cultura da boemia, fazem com que apenas os escaladores mais fanáticos consigam se manter no trilho da disciplina e alcançar um nível elevado no esporte.

E talvez por ser uma escaladoras das mais motivadas, Luciana tenha decidido largar uma carreira promissora no campo das Ciências Sociais para viver seu sonho e morar em Rodellar, hoje a meca da escalada esportiva Mundial. Lá Luciana fez escola e solidificou a graduação de nonos e décimos. Mas apesar de morar no paraíso do Climb, foi tirando férias no Rio de Janeiro, e enfrentando as piores condições de temperatura, que  ela garantiu para si o presente do 10b, encadenando a via Vaca Louca, a qual é com certeza uma das linhas mais clássicas do RJ.

Um presente que ela dividiu com todos os escaladores cariocas e principalmente com seu namorado Luis Cláudio Pita, que por uma feliz coincidência também é o conquistador da Via.

Parabéns Luciana, continue fanática! Venga Lu, VAI LUUU!!!

Luciana na via Vaca Louca - 10b

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Patagônia Argentina - Parte2


Depois de passar um tempo no Brasil renovamos as energias e as expectativas para voltar a Argentina. Desta vez o destino era ao norte, perto da região da cidade de Mendoza, onde poderíamos otimizar nosso tempo de viagem com previsão de tempo bom e temperaturas agradáveis para escalar por mais dias.

Saindo do Rio de Janeiro fomos direto para Mendoza. Lá aproveitamos para conhecer algumas das atrações turísticas  famosas, como as plantações de uva e azeite, talvez as principais atividades de toda a região. Um passeio bastante interessante onde pudemos nos aproximar da cultura local, entender melhor sobre a importância da água e como os habitantes a utilizam em seu dia a dia.

Ficamos na cidade tempo suficiente para fazer as compras e organizar a logística de acordo com nossos objetivos. Contatamos Yagua Rubens, um personagem local que faz o translado entre Tunuyam e Cajon de Arenales, seus serviços são indispensáveis e o pouco tempo que ficamos em sua presença foi uma experiência marcante, recheada de muitas estórias e passatempos de sua vida.

Em Arenales ficamos acampados perto do refúgio que servia de base para cozinhar e para os dias de chuva, que por sinal foram totalmente atípicos para a região.

Tivemos apenas 3 dias completos de sol em que pudemos escalar pequenas vias ao redor do refúgio e uma via de aproximadamente 200 metros chamada "Patrícia", um verdadeiro clássico local. Essa foi um delírio, desde fenda frontal perfeita passando por chaminé aérea, lances em diedros e escalada técnica em agarras, praticamente toda em móvel com algumas paradas em cantoneiras.

Silvio Neto na 1a enfiada da via "Patrícia", Cajon de Arenales. Foto: Seblen Mantovani/CanalOff.. 

Os dias que se seguiram foram literalmente um desastre. Partimos para escalar a agulha Campanille Alto, uma agulha que fica no alto do vale há aproximadamente 3h de caminhada íngreme desde o refúgio. A via escolhida se chama "Harmonica", uma via bem bonita, começa numa blocaria e passa por lances em fendas duplas paralelas que vão de entalamento de dedos alargando até entalar os punhos, depois uma enfiada de entalamento de meio corpo e blocaria até o platô da última enfiada. Diante da última enfiada - uma fenda frontal linda - a chuva de granizo caiu com força nos obrigando a descer de imediato, pois muitos raios caiam bem perto de nós. Descemos até o refúgio com todo o equipamento encharcado. A noite desse dia passamos apreensivos. Uma chuva que nunca poderíamos imaginar num local onde todos os escaladores que conheço diziam ser um dos lugares que menos chove em toda a Argentina.

Foram horas seguidas de chuva intensa e pesada acompanhada de raios e trovões de deixar qualquer um acordado. Já não era possível distinguir o som dos trovões e o dos desmoronamentos de encostas ao redor do camping. Passamos metade da noite acordados em alerta na barraca. Certo de que todos estavam assustados, dormi com o canivete nas mão e a lanterna na cabeça, caso alguma coisa acontecesse meu instinto era rasgar a barraca e correr!

Bernardo Biê e Silvio Neto em Cajon de Arenales.Foto: Seblen Mantovani/CanalOff..

No dia seguinte vimos o estrago que a chuva causou na região. Eram blocos imensos de pedra que haviam rolado encosta abaixo, alguns eram do tamanho de tanques de guerra, pararam apenas alguns metros de onde estávamos acampados. O rastro dos blocos era inacreditável, o riacho se transformou em um rio que se dividia em dois e em alguns trechos tomava a estrada de terra que dava acesso ao local. Passamos mais dois dias sem saber se o translado iria conseguir chegar até o ponto combinado ou se teríamos de descer os 18km até onde o carro chegaria com tranqüilidade.

Por fim, no dia que planejamos ir embora tudo indicava que seria um ótimo dia de escalada. Aproveitamos a informação de que dois escaladores estavam indo embora - também combinaram com o mesmo translado que o nosso - para comunicar que ficaríamos mais um dia. Partimos ligeiros para escalar a agulha Espina que fica ao lado da agulha que tentamos na investida anterior, porém tudo se repetiu como um disco arranhado. Desta vez ainda escalamos durante a chuva de granizo acreditando que teria uma trégua ao fim daquela enfiada, mas não foi o que aconteceu. Descemos com a certeza de que tentamos de todas as formas, só que a natureza não estava ajudando muito dessa vez.

Arrumamos as coisas e descemos no dia seguinte rumo ao Sul. O destino era o mais esperado por todos nós, finalmente nossa equipe chegava a cidade de El Chaltén no extremo sul da Patagônia. Região de grandes feitos no montanhismo, incríveis aventuras, inesquecíveis personagens.

E lá estávamos, dias e dias aguardando a tão esperada "janela" de bom tempo. A grande fama dessa região é essa, o normal é ter dias bons entre meses de dias ruins. Enquanto aguardávamos a janela, aproveitamos para escalar ao redor da cidade, fizemos uma sessão de boulder com nosso amigo Caio Gomes que foi muito motivante, mesmo em condições desfavoráveis de frio e vento a gente dava boas risadas entre as tentativas nos blocos de alta qualidade para a modalidade.

Ainda nessa vibração, escalamos nos paredões do outro lado do rio. Vias esportivas de qualidade distinta, não pela dificuldade mas sim pela diversidade de agarras e movimentação. Aproveitamos e escalamos uma via clássica de três enfiadas de puro desfrute, pena que quando voltamos nessa via em outro dia quase fomos atingidos por uma chuva de pedras, algumas grandes como um microondas, ficamos bem atentos dali em diante. De certa forma serviu para nos lembrar em que ambiente deveríamos sobreviver.

Bernardo Biê escalando nos arredores da cidade de El Chaltén. Foto: Seblen Mantovani/CanalOff..

Assim ela veio pra gente. Não se falava em outra coisa na cidade senão numa janela de 4 dias que estava por abrir nos dias seguintes. Traçamos a melhor estratégia dentro do que a gente podia fazer naquela situação. Foram 10 horas caminhando da cidade até o bivaque conhecido como "Polacos". Uma caminhada inesquecível de aproximadamente 38km que passa por bosques, rios, subidas e descidas até o glaciar que fica no Vale do Torre, um esplêndido corredor de gelo entre o cordão do Fitz Roy e o cordão do Cerro Torre.

Encontramos os escaladores Eduardo Formiga e Flavia no meio do glaciar. Eles estavam desistindo da investida por falta de mantimentos, imediatamente oferecemos tudo que era possível com o que carregávamos até eles se convencerem a continuar conosco. Dormimos amontoados no chão ao lado de um bloco de pedra, já que o bivaque "Polacos" estava lotado por outros grupos de escaladores, resolvemos andar alguns minutos acima até encontrarmos esse lugar mais protegido do vento. A noite foi um show a parte, as estrelas cintilavam no céu anunciando que o dia seguinte prometia. Fizemos uma fogueira com um pedaço de madeira que o Formiga achou no meio do glaciar. Depois soubemos que outras equipes que estavam dormindo no meio das grandes paredes viram nossa fogueira ao longe.

Nessas ocasiões é comum não conseguir dormir, seja por ansiedade ou pelo desconforto. Logo cedo, antes do sol nascer, o café da manhã já estava pronto e as mochilas fechadas para começar a longa aproximação até a base da via. A escalada na agulha De La S começa numa canaleta de gelo com inclinação de 50º, levamos no total 3:30h do bivaque até a base da via. Como não havia muita neve, pudemos fazer toda a aproximação de tênis sem precisar de botas e crampons, sempre negociando entre o gelo e a rocha até a base da escalada. A  base da via Austríaca fica no colo entre a agulha Saint Exupéry e a De La S, dali em diante começava a escalada em rocha.

Agora, sentindo mais a vontade do que nunca, escalamos a primeira parte da via que chega a um grande platô onde caminhando fazemos o link para as enfiadas que levam ao cume da agulha. Uma escalada linda, diante de um visual hipnotizante. Em pouco tempo chegamos no pequeno cume da De La S, o dia estava maravilhoso com temperatura amena e a visibilidade clara. Curtimos alguns minutos ali contemplando as montanhas ao redor e refletindo sobre tudo que nos levou até aquele momento em nossas vidas, toda sutileza que nos fez escolher esse caminho na vida até tudo que passamos nessa viagem para conseguir estar ali no cume.

Bernardo Biê na via "Austríaca" da Agulha De La S, El Chaltén. Foto: Seblen Mantovani/CanalOff.. 

Depois de um breve momento de silêncio, nos cumprimentamos felicitando o sucesso da subida e começamos o procedimento da descida, parte mais perigosa de toda aventura. Em algumas dezenas de minutos e poucos imprevistos chegamos na base novamente. Descemos ligeiros até o bivaque onde o grupo se separou, metade resolveu ficar para dormir mais uma noite no vale, descansando para enfrentar os trinta e tantos quilômetros da volta, enquanto a outra metade seguiu ao escurecer para tentar chegar na cidade ainda na madrugada, já que teria show de uma banda local bastante famosa por lá e seria perfeito para fechar com chave de ouro a empreitada.

Infelizmente nos perdemos no glaciar que já estava completamente diferente de quando passamos na ida, e com isso perdemos muitas horas. Cansados acabamos optando por bivacar já quase na saída para a trilha que nos levaria até o camping De Agostine, onde avançaríamos com mais facilidade até a cidade.


Silvio Neto e Bernardo Biê em direção ao Glaciar del Torre, com o Cerro Torre ao fundo. Foto: Seblen Mantovani/CanalOff..

Acordamos com outro dia sensacional de sol, sem vento, temperatura agradável e um céu de brigadeiro. Tomamos café da manhã e seguimos para a cidade. No meio do caminho encontramos um grupo grande de escaladores que nos deram uma notícia não muito animadora, eles estavam organizando o resgate de dois europeus que se acidentaram numa das montanhas do Vale do Torre. No dia seguinte soubemos que o resgate teve êxito e que os escaladores acidentados já estavam sob os devidos cuidados.

Fato impressionante e que mexeu muito comigo, foi perceber que todos na pequena cidade de El Chaltén estão sempre dispostos a salvar a vidas daqueles que se arriscam nas montanhas locais. Inevitável refletir sobre a responsabilidade que temos em nos colocar numa situação perigosa e arriscar a integridade das pessoas que terão de fazer um resgate, caso seja possível. E como é levado a sério o assunto por lá, ver a gana e a disposição de pessoas que largam tudo que estão fazendo (trabalho, família, compromissos etc)  e saem correndo com vontade de salvar a vida de alguém, seja esse alguém merecedor ou não desse empenho.

Bernardo Biê no cume da Agulha De La S, El Chlatén.  Foto: Seblen Mantovani/CanalOff.

Por fim, me senti realizado de ter conseguido sucesso na primeira empreitada nesse região, além de muito sortudo por pegar de cara uma janela de tempo bom e poder escalar uma montanha ali. Apesar disso, tivemos que ir embora no meio de outra janela incrível de 6 dias. Foi duro ver todos passando com as mochilas para o vale com o brilho nos olhos de quem está indo de encontro a realização de um sonho, mas foi instantâneo canalizar essa "inveja boa" emanando boas vibrações, rogando proteção e sucesso para que tudo corresse bem para todos.

Depois de tantas aventuras pela Argentina: Frey, Tronador, Parede Blanca, Piedras Blancas, Villa Llanquin, Arenales, Chalten e tantas experiências engrandecedoras, pude sentir o quanto a escalada em montanhas pode oferecer a um montanhista em sua existência essencial.

Voltei ao Brasil com a certeza de que é uma questão de tempo retornar a El Chaltén para mais uma aventura nas belas montanhas da região!


Por Bernardo Biê

terça-feira, 14 de maio de 2013

tEW - Fim da temporada...

"Muraco" - Futuro da escalada na Espanha...

Joe e Pita

Impossível entender a dimensão...

Joe Kinder escalando o projeto do Pita - 8c+?
Colette, sempre mandando muito...

A temporada chegou ao fim e junto veio a primavera cheia de transformações, mudando tudo de todas as formas. Reflexo disso são nossas mudanças pessoais, sensações e novas maneiras de ver tudo que nos cerca. Depois de Mont_Rebei senti a necessidade de ir para outros lugares, viver de outra forma e escalar com outra consciência...

Chegando em Rodellar pude perceber um novo universo que existe, muita escalada que estava a um passo e que agora me percebo imerso, inúmeras vias e setores que pareciam impossíveis de escalar.

Começamos por algumas escaladas nos setores mais clássicos de "Rode" e depois fomos visitar o "Muraco", este novo setor promete e penso que será um dos muros mais difíceis do mundo. Oliana e qualquer outro que pareça grande se torna pequeno perto deste gigante. Depois fomos direto para as "Ventanas", anfiteatro da melhor qualidade que tem algumas das melhores vias da região. Claro, sem dúvida fui direto para meu "Mega_projeto" da vida...rs. A linha foi equipada seguindo uma sequência de chorreiras  no começo em direção ao grande teto, à direita do setor. São em torno de 18 costuras e mais ou menos 35 metros, muitos deles em completo teto passando por várias sessões de "crux". A via antigamente era um "8c" soft, mas depois de quebrar algumas agarras a via se transformou em um "8c" hard, eu diria, um "8c.8/9", mais difìcil que todos os outros "8cs" que provei na vida. Na verdade a dificuldade não se baseia na graduação, e sim no "mito", imponência e história da via...

Independente de qualquer coisa, já me sinto abençoado em poder "desfrutar" dos novos conhecimentos, sempre aprendendo, me divertindo e "linkando sessões" desse surreal pedaço de pedra. Deixo uma sequência de fotos da via, algo que realmente me inspira e que espero que sirva de inspiração para todos nós "Loucosdepreda"...                                                                                                                            

..."Pata_Negra"...
                                 
...Cenário de novas perspectivas...
Fotos: Joe Kinder e Colette McInerney












Foi incrível todos estes anos, sempre aprendendo com as pedras e compartilhando minhas experiências, maneiras de ver o mundo. Era meu jeito de compartilhar, minha maneira de passar aos amigos mais íntimos minha visão sobre escalada. O blog nasceu assim, um grupo da "barrinha" que gostava de compartilhar fotos e experiências e com o tempo fomos crescendo e naturalmente nos separamos, era uma maneira de continuarmos juntos...

Aniversário na casa do Pedro - 2005/6... Arquivo pessoal.
Como a estória da "espiral", fomos , voltamos, fomos novamente e com tantas "idas e vindas" agora é hora de uma mudança mais forte... Sair da "espiral" agora parece ser o passo a diante, o inicio de uma nova fase. Agora penso em parar de escrever por um tempo, reflexo de muita coisa que vivi aqui dessa vez e coisas que tinha vivido no Brasil no último ano que estive lá, algo mudava e dava inicio ao fim do ciclo...

Mesmo assim tentei mais uma vez compartilhar essa última "trip" e acho que foi especial. Foram vários momentos incríveis, vários "presentes" ao lado de pessoas muito especiais... Com mais foco espero continuar minhas escaladas, meus projetos e quem sabe no futuro volto a outra "viajem"... Quem sabe?

Deixo um enorme abraço para toda comunidade que sempre me ajudou de todas as formas, amigos que sempre estiveram comigo vibrando na mesma sintonia...

Sobe a pedra galera!!!
 Boas escaladas... Sempre!!!

                                                                                                                                       Lucas




terça-feira, 30 de abril de 2013

ATM 2013


Desde que me vejo como escalador, a Abertura de Temporada de Montanhismo sempre foi um grande marco para mim. Todo ano religiosamente comprava a camisa do evento para ter de recordação. Lembro-me da minha primeira temporada em 2002, montaram um muro amarelo no meio da praça, com dois negativos fortes, agarras todas do Pita. Não resisti e fiz a inscrição. Para minha surpresa terminei em quinto no meu primeiro campeonato, e melhor ainda aficionado pelo climb. A minha experiência com a escalada naquela época se resumia ao muro e uma escalada no Costão do Pão de Açúcar, que eu achava o máximo e olhava para o Morro da Babilônia como uma coisa futurística. Participar desse evento me fez conhecer um outro mundo, ver vários escaladores comentando sobre vias, cadenas, betas, picos novos, um universo acabará de se abrir. Onze anos se passaram e lá estava eu de novo, olhando para aquele murinho montado no meio da praça, vários escaladores novos, super motivados, a galera da antiga, as barraquinhas, como se tivesse parado no tempo. Esse ano foi montado um muro de boulder bem alto, que proporcionou quedas incríveis.
 

 
Os route setter, Ralf Cortez e Xandinho, não decepcionaram com linhas realmente incríveis. Muitos competidores inscritos no campeonato mostraram o crescimento do esporte com a abertura de novos ginásios de escalada, como a Evolução e o Centro de Escalada de Jacarepaguá, e a permanência de antigos, como o clássico Limite Vertical. Na final feminina Bianca Castro, vulgo "Bibi", passou o rodo e mandou todas as vias. Em segundo lugar veio a mineira Patrícia Antunes que escalou muito, em terceiro lugar a brasiliense Raissa Dias que também apertou forte.
 
 
 


 Na final masculina o nível estava altíssimo, o mineiro Jean Ouriques mandou tudo a vista de forma sólida, só sobrou a disputa do segundo lugar, que ficou entre o escalador Miguel "Estevão" e Pedrinho de "Friburgo", numa disputa acirradíssima boulder a boulder. No final Miguel ficou em segundo e Pedrinho em terceiro. Mais uma abertura se passa e fico pensando o que me faz vir todo ano aqui? Acho que a única coisa que todos os escaladores têm em comum: a simples paixão pela escalada...
Guilherme Taboada

sexta-feira, 26 de abril de 2013

tEW - Mont_rebei - Croquis

Seguindo post anterior, venho finalizar o assunto "Mont-rebei" com "croquis" de duas vias que me parecem muito boas... "Miedo a volar" e "Globeros en Alaska" são as duas opções que tenho em mente para escalar em breve e conhecer mais a parte da catalunia que parece muito perfeita ao sol da tarde...
       

 Desejo a todos uma boa "revisão" pessoal dos conceitos sobre o projeto e espero que possamos "caminhar" em paz pelas paredes mágicas da região...


Futur...a muerte...escalar es bell en sí mateix, i tot es possible...llibertat i respecte...tots hi cabem...
                                                "Tranki Tr"

"Globeros en Alaska"

 


Boas escaladas...

fonte/croquis: Desnivel

segunda-feira, 22 de abril de 2013

tEW - Mont_Rebei 2a parte


A escalada de MontRebei tem sua identidade, lugar de escalada tradicional, abertura desde abaixo e equipamento fixo mínimo. Os locais frequentadores tradicionais tentam fechar as "portas" para novos estilos de escalada e estiveram desequipando vias abertas com parabolts e expansores a pouco tempo. Na parede da Catalunia existem vias com proteções fixas e não entendemos o quanto seriam diferentes as duas paredes... Tivemos algumas críticas de anônimos quanto ao projeto do Chris no blog e penso que isso é mais um reflexo de um egoísmo e até mesmo falta de entendimento quanto a proposta da linha.

Tudo bem, entendo todas as "tradições" mas qual a diferença de 5 bolts para 20? Por que linhas tradicionais podem ter bolts em específicas "reuniões" ou "sessões" e uma linha totalmente em livre de extrema dificuldade não??? Sim ao "removable bolt", enquanto muitos deles continuam entalados e são como simples proteções fixas nesse caso?!  Lembrando que a linha não passa por nenhuma outra linha antiga ou projeto de outras épocas.

Localismo, autoritarismo ou mesmo tentativa de manter um padrão que nem existe mais, não fazem sentido perto da proposta criada...

É a parede mais incrível que pude imaginar sendo escalada. A linha foi criada a mais ou menos 2 anos e foi conquistada por Chris e Holger no estilo de progressão artificial em "removable bolts" e "cliffs", vindo de baixo e protegida posteriormente por bolts com chapas e muitas de suas sessões tem seu devido "ambiente" aéreo...

As cordadas são muito especiais, a primeira é um  6c+ de "fissurinhas" horizontais positivas em rocha cinza da melhor qualidade, cerca de 60 metros. A segunda e mais difícil segue uma placa pouco desplomada muito técnica na movimentação de pés que tem uma dificuldade entre 8a+/b até a base do "desplome" aonde começa uma sessão de boulder que fecha a graduação final em um possível 9a de bidedinhos rasos e agarras pequenas,sem pés, puro boulder. A terceira é um 8b bem curto de uns 20 metros e conta com lance de mono e se mostra com muito mais agarras que a 2a cordada. A quarta eu diria que seria um boulder atrás do outro, começando com um movimento que dá vontade de ir a albarracin, cocal, ouropreto ou seja lá qual for o lugar só para treinar um pouco mais´para poder fazer o "mov", rs. Saindo desse boulder já entra em outro de invertidas e pés horríveis e depois uma placa bem técnica aonde os pés são maiores que as mãos.

A quinta, haha, a quinta é a do Pedrão. Essa é demais, o "bote zela" vem logo no começo depois de fazer uns 8 movimentos de aproximação fáceis. O bote é assim, um bidedo mini de esquerda, uma invertida pequena de direita, sobe pés , a mão esquerda de bidedo mini passa para "polegar", sobe pé esquerdo novamente quase na barriga e o próximo movimento é olhar e dizer, trava!!!...rs... É muito longe!! A agarra de chegada é até boa mas, deve estar mais que 2 metros e pouco da agarra de saída. A cordada continua depois com alguns apertões e novamente sem pés, terminando com um diedro/fissura relativamente fácil perto de tudo.

Depois a sexta é como uma transição de agarras boas que nunca foi escalada pois se parece fácil e sempre esteve equipada com cordas fixas para acesso da sétima cordada. A sétima cordada é tipo aquela enfiada clássica brasileira de placa com regletes micros, saindo novamente por rocha cinza que sempre tem uma alta qualidade... Em quase todas as cordadas pode-se imaginar fazendo a mesma força como se faz nas vias "cabra da peste", "linha da vida" (primeira sessão dos apertões e pés nos olhinhos) , "mr.bill" e outras...Constante...

7a cordada. Foto: BrettLowell
fonte:http://sensepell.wordpress.com

Tudo isso, depois de muito trabalho, é nada menos nada mais que uma projeção de toda a história de escalada do Chris. Ele mesmo comentando diz ser uma linha que conta com todas as dificuldades, uma parede que conta com todos os estilos em um só lugar...Existem lances de boulder estilo "Albarracin, lances de placa estilo "Siurana", lances de "Bruixes" e muitos outros. Claro que não chega perto do grau máximo dele encadenado mas ele mesmo confessa ser quase "impossível" encadenar todas as cordadas no mesmo dia....

Foi muito especial poder acompanhar o processo de "retorno" a via, conhecer toda a região e é claro poder escalar um pouco da via. Fomos no total 5 dias e ele fez 99% de todos os movimentos e "link" de várias sessões, na segurança tinha a missão de tornar mais rápido possível todas as investidas e só escalava as partes mais fáceis com grande dificuldade e quando havia tempo. Trocamos altas ideias de estratégia para poder escalar a via em um dia e creio que aprendemos muito com tudo que rolou...É possível!!!

No final retiramos todo o material fixo existente na via ( cerca de 400mts de cordas fixas e muitas, muitas costuras), testamos todos os "rapéis diretos" e com certeza saimos da parede com a sensação de estarmos dando um passo adiante...

Próximo post: Croquis de outras vias clássicas de Montrebei.

Boas escaladas...

terça-feira, 9 de abril de 2013

tEW - Oliana & Mont_Rebei


Oliana_parte2

Fim de contrato de "piso" em Cornudella, era hora de mudar, fim de temporada chegando e o melhor era subir para aproveitar o tempo bom que resta em Oliana. Fui convidado pela "Aninha" para ficar uns dias na casa dela ( Camarasa ) compartindo um pouco de tudo com a "banda" local. A região de Camarasa e St.Llorenç de Mongai é uma das áreas mais lindas e cheias de pedras que ja estive em toda minha vida. São pequenos "pueblos" cercados de montanhas, lugares que respiram a arte da escalada a muitos e muitos anos...






Raquel, Colette e Chaxi...
 
Chaxi, mta vibe esse dog.

Michael

"Vamooo!!"


Joe e Colette

Brodaje local

Fim de tarde o frio chega e fica quase impossível escalar sem uma pedra quente no saquinho de maguinesio.
 
...e cada um se aquece como pode...rs.

"ta f%#@!!"


...o fogo conforta...

Chaxi e Shen

Chris e Joe


Daila e Aninha
 

Foram em torno de 3 semanas indo e vindo todos os dias em companhia da galera local que vive aqui perto. Sam, Collete, Joe, Chris, Daila, Aninha e todos os brasucas de plantão, Pita, Lu, Shen, Dani, Caio e Vini. Foi muito bom estar em uma casa mais uma vez, sempre bem acompanhado ao lado de pessoas que nos fazem realmente bem e ao final tudo melhora... Chegando queria escalar mais uma vez a infinita "Fisheye", mas como sempre havia fila e acabei buscando outra linha menos frequentada. Uma linha clássica com todas as qualidades do lugar me chamou a atenção,  a bela "Paper Mullat". Essa é incrível, começa com uma sessão de "resis" em agarras grandes e chorreira. No meio uma sessão de crux que ficou fácil com o beta do "empeine na mão". Foi muito bom encadenar essa com pouco tempo pois entrei em uma fase de motivação que me deu de presente outro clássico, "Gorrilas en la niebla". Depois disso tenho pensado em buscar algo acima do limite, algo em torno de 8c ou 8c+, mas com as chuvas constantes minha escolha merece um tempo...
"Mind Control" que me espere...
 

"beta q facilita tudo..."



"Paper Mullat"


Sammm..."Live the life bro".

Familia
Os dias se passaram e continuamos indo e vindo. Rolou a cadena mágica do Chris na "La dura dura" e penso que esse dia foi o dia mais incrível desde que cheguei aqui. Foi muita vibe!!! Esse dia fui com o "Jah" de carona e fomos trocando altas ideias... Muito bom poder compartilhar pontos de vista, palavras, betas de vida...Foi muito especial...
 
                                  ..."Entre como se estivesse brincando e faça tudo perfeito"...
 
 Pita encadenou também a "Paper Mullat" e se mostra mais uma vez em uma ótima fase. Como anda motivado acho bem possível uma cadena de 8c este ano para seu currículo de escalada. Tenho certeza que técnica e força não faltam... "Vamoo Pitaaa!!!"
 

Mont_Rebei_______...
presente de deus.

Mont.rebei é um episódio aparte de tudo que já aconteceu na minha vida de escalada, não sei explicar como tudo aconteceu e acho que isso foi coisa do destino mesmo. Tento encontrar razão para tudo isso que anda acontecendo mas não consigo...Existem coisas na vida que não tem explicação, elas simplesmente acontecem...

Fui convidado pelo Chris que precisava de alguém para ir dar segurança e é claro que não demorei nem um segundo para responder. Um convite desse é algo impossível de prever, algo fora do tempo, fora do espaço. Quero desde já dizer que tudo isso é consequência de escolhas de vida, você escolhe para onde ir e a vida te ofereçe oque você merece...

                                 



...a caminho do paraíso...


 

 
 


 
...a esquerda "Mont_Rebei Catalunia" e a direita "Mont_Rebei Aragon"...
 

"Mont Rebei Catalunia"
 
"Mont Rebei Aragon" a linha segue a parte boa da rocha...
 A via é o projeto mais novo do Chris, que nada mais é que uma possível via de parede mais difícil do mundo. São no total 7 cordadas ( 6c+?,9a?,8b?,8c?,8c+?,?,8c?) que exigem ao extremo todas as capacidades de um escalador. Muitas sessões são de extrema força e técnica na movimentação de pés. Outras somente de força já que quase não existem pés algum para se apoiar, a rapidez e sagacidade fazem toda a diferença em momentos como este pois o melhor é "sair saindo" destas partes que tiram a paciência quando a vontade é de apenas isolar os movimentos...
 
Fomos em torno de 3 vezes até hoje, uma vez para instalar a "tirolesa" e fazer manutenção básica na via. Outra para provar sessões nunca provadas e outra para levar material para um futuro "bivak" e escalar um pouco. Escalamos oque era possível, cada um o que conseguia. O Chris com muita facilidade executa todos os movimentos e dia após dia se motiva cada vez mais...
 
É incrível poder presenciar ele tirando os movimentos, a linha é muito futurista!!! Na quarta cordada existe um dinâmico de lado "todo errado" que com certeza vai chamar a atenção quando sair um futuro vídeo...Lembrei de você "PedroRaphael",rs, acho que aqueles botes "zelas" no futuro irão servir para alguma coisa,hehe...
 
São muitos detalhes para explicar e fico sem palavras para descrever tudo que me cerca,
as cordadas, os movimentos, as agarras... Uma coisa é certa, essa será uma das linhas mais importantes do mundo e com certeza marca uma "nova era" para o montanhismo mundial.
 
1a cordada com o "Headwall" ao fundo...


2a cordada "Insana" !!!
 
...Vengaa Jahhh... é mta preda...



"Chris" nas alturas...
 


Natureza




4a cordade já começa negativa...
 
...e a invertida é a maior agarra de toda a sessão...rs.


Yeah Jahhhh!!!!!


"Jahjahguide"

"Mont Rebei Catalunia"



 



A vida é cheia de surpresas e mistérios, não tenha pressa...
 
...oque é nosso, estará sempre a nossa espera...
Namastê Chris,Endless gratitude...
12/04/2013...
Próximo "Post" segue um resumo do "Bivak" que rolou e escalando um pouco mais estes últimos dias tenho mais clareza para falar sobre todas as cordadas e procedimentos...
 
Boas escaladas e Boas ondas...