quarta-feira, 12 de agosto de 2009
Fim de semana no parque de diversões
Lesionado, aproveitei a oportunidade para passar o sábado pendurado fazendo algumas imagens das vias que estavam sendo escaladas na falésia do Campo Escola 2000, e claro, malhar um pouco o gogó. Felizmente, como foi dito, esse fim de semana o parque de diversões esteve aberto e com isso a criançada foi logo se divertir nos brinquedinhos. Dessa forma ficou fácil o registro, já que cenários não faltam nessa cidade.
Dessa vez pude registrar o mineiro Lucas "Jah" no imenso projeto "Transamazônica sem fim", que corta boa parte da extensão da falésia e foi cotado inicialmente entorno do ónzimo grau. Também consegui boas imagens do paranaense Fábio "Moleza" escalando a via "História sem fim" saindo do chão, além do carioca Márcio Bertuci na via "The Hunter".
Tivemos a visita do escalador niteroiense Fábio "Gollum", que nos contou um pouco da nova falésia no Telégrafo em Niterói, sua experiência de um ano morando na Bahia e as escaladas que encontrou por lá, deixando todos com água na boca para visitar a região. Além disso, "Gollum" comentou sobre uma nova falésia promissora nos arredores do RJ que em breve estará aberta. Segundo ele há potencial para vias de primeira qualidade, se tratando de 40 metros de preda a 30º negativos recheada de agarras e agarrões.
Já no domingo, no Dia dos Pais, aproveitei para curtir uma escalada tradicional de parede e o melhor cenário para isso não poderia ser outro senão o Pão de Açúcar. Depois de 3 anos e boas lembranças do amigo Fabiano de Morais (com quem fiz minhas primeiras vias de parede e que atualmente reside em Portugal), voltava a escalar a via "Waldemar Guimarães" (6º VIIa - A1/VIIc, 360m), dessa vez com o amigo e mestre Daniel "Fen".
Escalamos muito rápido as 3 primeiras enfiadas da via, o que nos deixou surpresos, mas depois relaxamos e mesmo fazendo a última enfiada a francesa acabamos fazendo o cume num total de 5 horas. As guiadas foram feitas na mais fina sintonia, quando a preguiça e o cansaço batiam em um o outro estava cheio de disposição para guiar e assim o passeio se tornou muito prazeroso e seguro.
Fica ai mais uma sugestão de passeio no Pão de Açúcar para os que ainda não tiveram a oportunidade de escalar tal via. E esperamos que os brinquedos continuem secos e aderentes para que as crianças possam brincar a vontade, afinal, estamos todos em fase de crescimento.
Em breve, talvez ainda nessa semana, um post com fotos e vídeos de Lucas "Jah" e Danielzão sobre a via "Atalho do Diabo" localizada na face sul do Corcovado escalada por eles nesse fim de semana.
Fonte e croqui: Croquiteca do Guia da Urca
Imagens: Loucos de Preda.
Por Bernardo Biê
terça-feira, 4 de agosto de 2009
Mais repetições de vias extremas
Desta vez o polivalente escalador carioca, Eduardo "Barão", após aproximadamente 2 meses trabalhando a via conseguiu o feito, sendo portanto mais um brasileiro a escalar esse nível de dificuldade.
A via foi conquistada pelo próprio com a ajuda do escalador mineiro Alexandre "Fei" e teve sua primeira e segunda ascensões feitas respectivamente pelos escaladores Felipe "Pikuira" e Jean Ouriques, âmbos sugeriram a mesma graduação para a via.
Com mais essa confirmação a "Cabra da Peste" passa a ser a primeira via nessa graduação com mais de uma ascensão e, portanto, com confirmações sobre o grau proposto.
Outras vias nesse nível foram abertas e encadenadas, porém ou foram decotadas ou aguardam repetições. Como é o caso das vias: "Massa Crítica" na Barrinha, "Central do Brasil" em Belchior, "Além da imaginação" também no Cipó, "A dor é o Poder" em Sete Lagoas, "Diciplina não ter, Jedai nunca será" na Gruta da Terceira Légua, dentre outras.
Ainda existem muitos projetos desse nível nas principais falésias do Brasil e escaladores de talento não faltam.
Como aconteceu anteriormente na história da escalada esportiva nacional, com certeza mais notícias como essa serão divulgadas ao longo dessa temporada, escancarando a porta do onzimo grau no país e elevando o nível dos escaladores nacionais a patamares nunca antes imaginados.
Fontes e fotos: Abrigo Cipó, Felipe Camargo, Jean Ouriques, Pedro Raphael, Alta Montanha.
Por Bernardo Biê
terça-feira, 28 de julho de 2009
Brasileiro desaparecido na África


Sua história e, principalmente, o propósito de sua trip é de grande e nobre intuito. Por isso vale a pena se informar sobre o caso.
Caso tenha como ajudar, seja de qualquer forma, por favor não exite.
Segue o link do blog criado por sua família e amigos com maiores informações sobre a história de vida e os detalhes da trip do carioca Gabriel Buchmann, como o local onde desapareceu e as circunstâncias em que se encontrava.
Não deixem de conferir!
http://ajudegabrielbuchmann.blogspot.com/
Fonte e fotos: http://ajudegabrielbuchmann.blogspot.com/
Por Bernardo Biê
segunda-feira, 20 de julho de 2009
Ouroboulder 2009

Como nunca fui de fazer boulder e muito menos de viajar para tal propósito, não sabia muito o que esperar. Além de estar totalmente de cabeça feita após ao que aconteceu na semana anterior, meu intuito era confraternizar e aproveitar a oportunidade para unir ainda mais a galera da escalada nacional, como um intercâmbio de cultura de subidores de predas, conhecer mais um pico alucinante e fazer novas amizades.
Com uma enxurrada de blocos espalhados pelos arredores, qualidade ímpar de predas classificadas em sua maioria como quartzito de coloração vermelha alaranjada, tetos e negativões bem definidos lotados de possibilidades e problemas, dotado de agarras "faquentas" com abrasividade perfeita num meio termo entre aderente e cortante, problemas para todos os níveis de dificuldade, Ouro Preto é considerado um dos melhores lugares para a prática de boulder do Brasil. Lembrando-me em diversos aspectos os famosos boulderes que vemos em filmes de escalada que se passam em picos consagrados como Hueco Tanks nos EUA, a sensação que tinha era de estar em outro país, inclusive comentei com meus amigos que também estavam com essa mesma sensação.

Satisfeito por ter conhecido esse lugar incrível e muito motivado para retornar a praticar essa modalidade. Antes mesmo de terminar o evento e chegar a hora de voltar para casa, já fazia planos para retornar e finalizar as pendências que deixava nesses poucos dias de diversão. Em breve estarei fazendo nova visita a esse pico alucinante de boulder e, quem sabe, mais "comprometido" com os inúmeros desafios que lá aguardam para serem subidos.
A galera local e os organizadores do evento estiveram de parabéns por tudo: hospitalidade, informações, disponibilidade, betas dos movimentos e parceria agradável, sem contar a carona da subida e descida do Morro de São Sebastião que economizou as forças para frenéticas e incansáveis tentativas nos problemas de boulder.

Para quem não sabe do que se trata ou é novo nesse universo, descolei uma definição do Sr. Wikipedia explicando em detalhes as características e peculiaridades dessa modalidade de escalada:
"O boulder é uma das modalidades da escalada em rocha, praticada sem o uso dos equipamentos de segurança como cordas e mosquetões.
O boulder consiste em escalar pequenos blocos de pedras, geralmente com altura não superior a 6 metros, onde os movimentos para finalizar o boulder são geralmente de extrema dificuldade técnica e exigem força.
Outra particularidade do boulder é que as vias feitas nesses blocos de pedras são chamados de "problemas" ou "problemas de boulder", diferente da escalada tradicional ou esportiva onde temos "vias".
Para a prática de boulder é necessário sapatilhas, carbonato de magnésio (para as mãos) Crash Pad (colchão de espuma) e um segurança de corpo (alguma pessoa que escore o corpo do escalador).
O segurança de corpo é uma pessoa cujo o papel é fazer com que o escalador caia em pé em cima do crash pad (colchão de espuma), isso dá-se pois muitas vezes o escalador pode cair de mau jeito e mesmo em cima de um crash pad ele pode se machucar."
Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Boulder
Fotos: Manuela Martins
Vídeo: Arquivo pessoal
Por Bernardo Biê
quarta-feira, 15 de julho de 2009
Vídeo da ascensão na via "História Sem Fim"
Primeira ascensão da via "História Sem Fim" depois da quebra da primeira agarra.
As imagens foram capturadas pela escaladora Adriana Moura com uma câmera de foto digital que também tem a função de filmar. Esse é o mesmo equipamento que foi utilizado nos demais posts e que tem ilustrado a maioria das matérias que são postadas aqui. Até que tem segurado a onda legal, apesar de ter deixado na mão durante essa filmagem.
Meus agradecimentos pessoais aos loucos de preda que frequentam o blog e aos comentários feito por eles. Em relação a via, devo agradecer aos irmãos Lucas e Márcio pelo incentivo, ao Moleza e Arno por deixarem a via equipada e a Adriana pelas imagens.
Por Bernardo Biê
terça-feira, 14 de julho de 2009
É decretado o fim da "História sem fim"
Na época, dessa maneira, era ela cotada em 7b+ francês ou 8c brasileiro. Logo fortes escaladores como: Alexandre Portela, Helmut Becker, Fábio Muniz, Ralf Cortês, Pita entre outros, isolaram os lances e retiraram as agarras de plástico tornando a via um 8b francês ou 10b brasileiro que teve sua primeira ascensão pelo Helmut Becker ainda em meados dos anos 90
.
Assim foi por um bom tempo, porém, após a quebra da primeira agarra (imensa por sinal) o lance ficou muito difícil e até então nenhum escalador havia isolado. Depois de um tal de cola e descola a agarra, por conta de alguns desentendimentos, a via acabou ficando sem ela e com isso ficou sendo considerada do segundo lance para cima com a mesma cotação (8b(fra) ou 10b(bra)) e assim foi encadenada por alguns escaladores.
Há pouco mais de um ano atrás o escalador brasiliense Pedro Raphael descobriu uma nova saída do chão, um pouco mais a esquerda da linha original, e após fazer a via do segundo movimento em diante passou a acreditar que essa seria mais difícil se feita do chão, desta forma sugeriu a graduação de 8b+ francês ou 10c brasileiro para uma possível ascensão integral, ou seja, do chão até a corrente.
Recentemente o escalador paranaense Fábio "Moleza" conseguiu isolar o primeiro movimento usando a linha original - nota-se que ambos escaladores contam com uma boa envergadura o que tornou possível o lance, já que se trata de um longo reboteio entre duas agarras boas - abrindo as portas para a ascensão integral.
De carona com esses mestres das preda tudo, vim trabalhando a via em paralelo a alguns projetos que tinha visado para esse ano, além de pendências anteriores. Em poucas entradas - com a ajuda da boa estatura e envergadura - consegui isolar o lance do chão e cheguei a cair no segundo crux da via (3 costuras do final), fiquei animado com a possibilidade que se abria diante de mim.
Depois de concluir alguns projetos pessoais que ficaram "pendentes" do ano passado, resolvi dar mais atenção a essa via, porém, o corpo fraquejou e acabei recentemente tendo uma lesão no ombro direito que me tirou a confiança e a motivação. Mesmo lesionado, fiquei um tempo escalando sob suspeita e muito exitante evitando de entrar em vias e movimentos duros, principalmente para o ombro. Semana passada ao chegar no C.E. 2000, vi que tinham deixado a via toda equipada, linda, com as costurinhas balançando ao vento e não resisti. Comecei a entrar da fenda para cima (da terceira costura em diante), ainda com cautela, mas como fui muito bem logo de cara, recuperei ânimo e me vi dominado novamente pela certeza absoluta de que era possível.
No último domingo, entrei bem novamente mas não consegui fazer o primeiro movimento, mesmo tendo tentado diversas vezes. Confesso que fiquei um pouco frustrado, mas ainda sim a certeza me acompanhava.
Hoje, terça-feira 14 de julho, após uma boa noite de sono e um bom café da manhã, além da companhia de bons amigos, surpreendentemente o primeiro movimento saiu na primeira tentativa, mas mesmo assim deixei a oportunidade passar ao cai no segundo movimento (também muito difícil e instável). Tentei mais algumas vezes e depois de acertar com certa facilidade só fui me deparar com o que estava acontecendo quando escutei a comemoração do meu irmão que estava fazendo minha segurança, nesse momento a ficha caiu e estava diante da última costura.
Trabalhando a via "História sem fim" do segundo movimento em diante
Sendo assim optei por manter a cotação sugerida por aqueles que entendem do assunto, apesar de não ter sido a via que mais me exigiu, principalmente pelo prazer que é escalá-la, tenho a impressão que realmente é uma via dura.
Como disse uma vez um mestre de preda: "Celebrar um pouco e procurar o próximo desafio, pois a busca nunca termina".
Em breve posto o vídeo da cadena que foi feito as pressas enquanto subia a via.
Fonte: Arquivo pessoal.
Editado em 15/07/2009 - 16:30h
OBS: "Histótia sem fim" - Conquistadores: Marcelo Ramos e Eduardo Peixoto em 1990.
Por Bernardo Biê
segunda-feira, 13 de julho de 2009
Travessia dos Olhos Noturna - Pedra da Gávea
A via é localizada na Pedra da Gávea e normalmente é chamada de "Travessia dos Olhos" pelos escaladores que conheço. Abençoada com um visual deslumbrante da cidade, onde a noite as luzes da babilônia formam um grande vitral hiper estímulante a céu aberto e durante a alvorada o mais sublime e corriqueiro ciclo se renova, enchendo os olhos de inspiração e vida, essa via se torna mais que uma escalada e esse lugar mais do que apenas uma montanha cercada de mitos e lendas.
O mais interessante é que dessa vez nada foi combinado e as coisas fluíram de forma leve e suave de acordo com o que estávamos esperando. Me encontrei com meu amigo, Lucas "Jah", em sua casa para jantar e trocar idéias acerca da escalada e da vida. Papo vai papo vem, do nada surgiu a vontade de aproveitar aquela noite perfeita que fazia, já que, além de estarmos vivos e motivados o clima era ameno e o céu totalmente estrelado sendo regido por uma intensa Lua Cheia, não exitamos em partir assim que possível.
Como "Jah" mora bem próximo da montanha, cerca de 50 metros do acesso, não demoramos muito em começar a trilha. Outro fato interessante foi que levamos apenas uma lanterna de cabeça (head lamp) para backup e nem preciso falar o porque né! A luz da Lua parecia um poste acesso sobre nós e a visibilidade era incrível, até parecia dia.
Subimos a trilha muito rápido - talvez uma das vezes que subi em menos tempo - mesmo sem ter pressa para chegar ou para voltar nosso ritmo era constante e agradável. Levamos apenas o mais básico equipamento e suprimento: corda, alguns mosquetões avulso, sapatilha, casaco, o "Jah" levou seu saco de dormir, água e um pedaço de rapadura era tudo o que precisávamos para escalar com segurança e passar uma noite divertida e tranquila de sono no "Olho do Imperador".
Vídeo com resumo da escalada na via "Passagem dos Olhos", Pedra da Gávea
A escalada foi, também, muito rápida e tranquila principalmente por fazermos tudo a francesa com uma corda bem curta. Logo que chegamos ao platôr do olho esquerdo (para quem vê virado de frente para a pedra) preparamos o esquema de segurança para passar a noite e nos acomodamos devidamente em nosso bivaque. Em pouco tempo uma "multidão" de pessoas começaram a dar o ar da graça pela trilha em direção ao cume, todos motivados pela mesma energia.
Acendemos uma vela para dar suporte a ritualística leitura, dividimos um pequeno pedaço de rapadura para energizar o corpo, agradecemos a Deus todas as coisas que nos levaram a estar ali e em pouco tempo já estava apagado no mais tranquilo sono profundo.
Ao acordar, mais uma vez, fomos afortunados com o mais belo nascer do sol. Logo em seguida tocamos o cabo de aço que dá acesso ao cume e lá interagimos com as possíveis mais de 30 pessoas que também tinham dormido lá para vislumbrar a energia lunar e o nascimento de mais um dia, concluindo assim mais um ciclo planetário, e portanto, mais um dia em nossas vidas.
Ao concluir a descida da trilha, ainda tomamos um revigorante banho de cachoeira para começar o dia com entusiasmo, bom humor e força total.
Fica a sugestão e o incentivo aos loucos de preda que ainda não tiveram a oportunidade de praticar esse passeio noturno maravilhoso, com inesquecíveis paisagens, agradável escalada e excelente exercício mental e físico, além é claro, de bons momentos para recordar.
Fotos e Vídeos: Arquivo pessoal.
Por Bernardo Biê
segunda-feira, 6 de julho de 2009
Seres do nosso mundo
Para aproveitar essa ocasião em que me encontro (lesão + chuva), andei relembrando alguns encontros que tive com ilustres habitantes do nosso planeta. Com o apoio da tecnologia de telefonia celular e dos sofisticados aparelhos munidos de câmeras fotográficas, tive a oportunidade de registrar alguns desses encontros em que contemplei com a ilustre presença desses seres magníficos.
Engraçado é que algumas pessoas, até mesmo subidores de predas, não se dão conta da bela diversidade da fauna & flora que compõem a paisagem dos nossos "templos sagrados", as florestas e montanhas que frequentamos, assim ignoram a sutileza de momentos nos quais as vezes não damos tanta importância mas que são de raríssima oportunidade.
O que quero dizer é que não é todo dia que nos deparamos com uma Jibóia de 3, 4 metros de comprimento, com Tucanos, Pica-Paus, Araras, Aranhas, Lagartos, Sapos, Macacos Prego ou até mesmo aqueles micos que já viraram praga em algumas regiões e são conhecidos como "Sagüis", além de diversas outras espécies de animais silvestres. Quando isso acontece temos que dar a devida importância, pois o eco sistema é muito frágil e nos dias de hoje deve ser protegido - na maioria das vezes das nós mesmo - o que infelizmente ainda não acontece com tanta frequência.
Suposta "Jibóia" encontrada no início da trilha da Pedra da Gávea
Detalhe para a proporção do tamanho da mão para a boca do animal e suas presas
Com dificuldade a serpente sendo removida para atuação do orgão competenteAs vezes, pelo simples fato de caminhar pelas trilhas de cabeça baixa perdemos de nossa visão algumas dessas formas de vida incríveis, que vivem normalmente nesses lugares que frenquentamos.
É uma pena que nós seres humanos perdemos a capacidade de conviver naturalmente e hamoniozamente com a fauna & flora desse planeta, mas ainda há esperança e confiança que isso pode mudar.
Obs: Por não ser especialista no assunto, fico devendo maiores explicações sobre as características das espécies apresentadas. Quem souber de maiores informações e quiser colaborar fique a vontade para comentar.
Fotos: Arquivo Pessoal
Por Bernardo Biê
terça-feira, 23 de junho de 2009
Passagem de ida para Mt. Edgar
Tive a informação da situação quando estava na casa do Hugo Langel e o também americano, Cedar Right, buscava maiores informações sobre seus amigos desaparecidos na montanha chinesa.
Dois caras legais e com nobres corações. Confesso que a princípio tive um pouco de resistência quanto a simpatia deles (americanos em geral) mas com o convívio, curto pelo sinal, pude trocar ideias e descobrir realmente quem eram aquelas pessoas e em pouco tempo nos afeiçoamos devidamente.
Os conheci ao perambular solitário pelo maciço de Céüse, sem ninguém para se amarrar na outra ponta da corda nem ninguém para trocar idéia. Me deparo com esses dois americanos que rapidamente perceberam minha situação e me chamaram oferecendo "belay" (segurança) para que eu entrasse na via em que eles estavam tentando. Nas semanas seguintes eles acabaram se tornando companhia de escalada, que entre uma expedição e outra para o Mont Blanc (4.810 metros) e para a cidade de Chamonix, retornavam com estórias eletrizantes e apenas alguns arranhões.
Depois que retornei ao Brasil ainda mantive contato, principalmente com Jonny, pois eles tinham muita vontade de vir ao País já que estavam organizando um Festival de Filmes de Ação para rodar o mundo e o Rio de Janeiro seria uma das cidades escolhidas para exibição, além disso, no início do ano eles estariam em expedição junto a integrantes da Sender Films e a equipe da The North Face pela Patagônia Argentina, o que seria uma ótima oportunidade para esticar um pouco mais e fazer uma visita as terras Tupiniquin, como acabou sendo feito pelos demais (Sender Films e The North Face), porém eles tiveram outros planos e outros compromissos.
Não sei o que pode ter acontecido lá na China, pois não tenho nenhum entendimento nem experiência em alta montanha ou em escaladas alpinas, mas sei do que se trata essa vontade indominável que circula em nossas veias. Só posso imaginar que todos os escaladores de verdade que se propõem a alcançar o cume de determinadas montanhas geladas e inóspitas estejam ali apenas com o ticket de ida, sabendo exatamente de todos os riscos que os envolvem.
Por fim, tenho certeza que além de homens esses eram grandes escaladores e grandes almas. Não porque deixaram de retornar, mas por terem vivido aquilo que os motivava.
O que fica são as vibrações positivas e a lembrança de leveza, suavidade, bom humor e nostalgia com que levavam a vida.
Em nome de todos loucos de predas, ficam aqui expressados os sentimentos e condolências as famílias e amigos desses que, assim como nós, são nada mais nada menos que loucos de predas.
Fotos: Divulgação
Por Loucos de Predas
segunda-feira, 22 de junho de 2009
Repetições de vias extremas
Nesse último fim de semana foram feitas ascensões importantes em vias de extrema dificuldade.
No sábado o escalador de São José do Rio Preto-SP que passa temporada na Espanha, Felipe Camargo "Pikuira", encadenou o primeiro 9a francês (11c brasileiro) de um brasileiro com a via "Los Inconformistas" em Rodellar. Ele disse que caiu 7 vezes no último movimento difícil e que já entrava na via há 12 dias sendo a escalada mais exigente que fez, tanto física quanto mentalmente.
No domingo o escalador de Uberlândia-MG radicado no Rio de Janeiro, Lucas Marques "Jah", encadenou na barrinha a via "Massa Crítica" cotada inicialmente em 8c francês (11a brasileiro) mas logo decotada para 8b+ (10c brasileiro). Depois de cair 2 vezes no movimento final do crux Lucas disse que mesmo não tendo sido a melhor entrada na via acabou fluindo. A via já estava sem repetições há algumas temporadas, tendo sido encadenada pela última vez pelo brasiliense Pedro Raphael.
Também no domingo e na mesma falésia, o escalador carioca Daniel Gonzalez "Fen" encadenou a via "Lagrimas de Sangue" cotada em 8b francês (10b brasileiro) sendo a sua segunda via nessa graduação.
Fotos: Pete O'Donovan e Pedro Stabile
Fonte: www.felipegcamargo.blogspot.com
Por Bernardo Biê
















