Galera, esse brother está desaparecido desde sexta da semana passada no Monte Mulanje, no país Centro-Africano do Malawi, sua família precisa de ajuda para continuar as ações de resgate.
Sua história e, principalmente, o propósito de sua trip é de grande e nobre intuito. Por isso vale a pena se informar sobre o caso.
Caso tenha como ajudar, seja de qualquer forma, por favor não exite.
Segue o link do blog criado por sua família e amigos com maiores informações sobre a história de vida e os detalhes da trip do carioca Gabriel Buchmann, como o local onde desapareceu e as circunstâncias em que se encontrava.
Depois de uma semana empolgante com surpresas agradáveis e após mais de dois anos sem praticar a modalidade de escalada conhecida como "boulder" ou "bloco" (datam em meus registros exatos 30 meses desde a última vez que fiz um problema de boulder), parti em direção a cidade de Ouro Preto em Minas Gerais para o evento anual consagrado como Ouroboulder, que acontece durante o Festival de Inverno local e conta com a presença de escaladores de diversos Estados.
Como nunca fui de fazer boulder e muito menos de viajar para tal propósito, não sabia muito o que esperar. Além de estar totalmente de cabeça feita após ao que aconteceu na semana anterior, meu intuito era confraternizar e aproveitar a oportunidade para unir ainda mais a galera da escalada nacional, como um intercâmbio de cultura de subidores de predas, conhecer mais um pico alucinante e fazer novas amizades.
Com uma enxurrada de blocos espalhados pelos arredores, qualidade ímpar de predas classificadas em sua maioria como quartzito de coloração vermelha alaranjada, tetos e negativões bem definidos lotados de possibilidades e problemas, dotado de agarras "faquentas" com abrasividade perfeita num meio termo entre aderente e cortante, problemas para todos os níveis de dificuldade, Ouro Preto é considerado um dos melhores lugares para a prática de boulder do Brasil. Lembrando-me em diversos aspectos os famosos boulderes que vemos em filmes de escalada que se passam em picos consagrados como Hueco Tanks nos EUA, a sensação que tinha era de estar em outro país, inclusive comentei com meus amigos que também estavam com essa mesma sensação.
Satisfeito por ter conhecido esse lugar incrível e muito motivado para retornar a praticar essa modalidade. Antes mesmo de terminar o evento e chegar a hora de voltar para casa, já fazia planos para retornar e finalizar as pendências que deixava nesses poucos dias de diversão. Em breve estarei fazendo nova visita a esse pico alucinante de boulder e, quem sabe, mais "comprometido" com os inúmeros desafios que lá aguardam para serem subidos.
A galera local e os organizadores do evento estiveram de parabéns por tudo: hospitalidade, informações, disponibilidade, betas dos movimentos e parceria agradável, sem contar a carona da subida e descida do Morro de São Sebastião que economizou as forças para frenéticas e incansáveis tentativas nos problemas de boulder.
Para quem não sabe do que se trata ou é novo nesse universo, descolei uma definição do Sr. Wikipedia explicando em detalhes as características e peculiaridades dessa modalidade de escalada: "O boulder é uma das modalidades da escalada em rocha, praticada sem o uso dos equipamentos de segurança como cordas e mosquetões.
O boulder consiste em escalar pequenos blocos de pedras, geralmente com altura não superior a 6 metros, onde os movimentos para finalizar o boulder são geralmente de extrema dificuldade técnica e exigem força.
Outra particularidade do boulder é que as vias feitas nesses blocos de pedras são chamados de "problemas" ou "problemas de boulder", diferente da escalada tradicional ou esportiva onde temos "vias".
Para a prática de boulder é necessário sapatilhas, carbonato de magnésio (para as mãos) Crash Pad (colchão de espuma) e um segurança de corpo (alguma pessoa que escore o corpo do escalador).
O segurança de corpo é uma pessoa cujo o papel é fazer com que o escalador caia em pé em cima do crash pad (colchão de espuma), isso dá-se pois muitas vezes o escalador pode cair de mau jeito e mesmo em cima de um crash pad ele pode se machucar."
Como prometido, segue o vídeo da ascensão na via "História Sem Fim" realizada nessa última terça-feira.
Primeira ascensão da via "História Sem Fim" depois da quebra da primeira agarra.
As imagens foram capturadas pela escaladora Adriana Moura com uma câmera de foto digital que também tem a função de filmar. Esse é o mesmo equipamento que foi utilizado nos demais posts e que tem ilustrado a maioria das matérias que são postadas aqui. Até que tem segurado a onda legal, apesar de ter deixado na mão durante essa filmagem.
Meus agradecimentos pessoais aos loucos de preda que frequentam o blog e aos comentários feito por eles. Em relação a via, devo agradecer aos irmãos Lucas e Márcio pelo incentivo, ao Moleza e Arno por deixarem a via equipada e a Adriana pelas imagens.
Até onde sei, a via foi aberta nos anos 90 pelo Marcelo Ramos e no início foram colocadas agarras de plástico na primeira sessão e no trecho final - respectivamente no que atualmente é o primeiro crux, que precede a fenda que caracteriza a via, e no segundo crux na parte final antes da corrente, além de terem cavado um tridedo em um abaolado que logo depois foi devidamente tapada.
Na época, dessa maneira, era ela cotada em 7b+ francês ou 8c brasileiro. Logo fortes escaladores como: Alexandre Portela, Helmut Becker, Fábio Muniz, Ralf Cortês, Pita entre outros, isolaram os lances e retiraram as agarras de plástico tornando a via um 8b francês ou 10b brasileiro que teve sua primeira ascensão pelo Helmut Becker ainda em meados dos anos 90 . Assim foi por um bom tempo, porém, após a quebra da primeira agarra (imensa por sinal) o lance ficou muito difícil e até então nenhum escalador havia isolado. Depois de um tal de cola e descola a agarra, por conta de alguns desentendimentos, a via acabou ficando sem ela e com isso ficou sendo considerada do segundo lance para cima com a mesma cotação (8b(fra) ou 10b(bra)) e assim foi encadenada por alguns escaladores.
Há pouco mais de um ano atrás o escalador brasiliense Pedro Raphael descobriu uma nova saída do chão, um pouco mais a esquerda da linha original, e após fazer a via do segundo movimento em diante passou a acreditar que essa seria mais difícil se feita do chão, desta forma sugeriu a graduação de 8b+ francês ou 10c brasileiro para uma possível ascensão integral, ou seja, do chão até a corrente.
Recentemente o escalador paranaense Fábio "Moleza" conseguiu isolar o primeiro movimento usando a linha original - nota-se que ambos escaladores contam com uma boa envergadura o que tornou possível o lance, já que se trata de um longo reboteio entre duas agarras boas - abrindo as portas para a ascensão integral.
De carona com esses mestres das preda tudo, vim trabalhando a via em paralelo a alguns projetos que tinha visado para esse ano, além de pendências anteriores. Em poucas entradas - com a ajuda da boa estatura e envergadura - consegui isolar o lance do chão e cheguei a cair no segundo crux da via (3 costuras do final), fiquei animado com a possibilidade que se abria diante de mim.
Depois de concluir alguns projetos pessoais que ficaram "pendentes" do ano passado, resolvi dar mais atenção a essa via, porém, o corpo fraquejou e acabei recentemente tendo uma lesão no ombro direito que me tirou a confiança e a motivação. Mesmo lesionado, fiquei um tempo escalando sob suspeita e muito exitante evitando de entrar em vias e movimentos duros, principalmente para o ombro. Semana passada ao chegar no C.E. 2000, vi que tinham deixado a via toda equipada, linda, com as costurinhas balançando ao vento e não resisti. Comecei a entrar da fenda para cima (da terceira costura em diante), ainda com cautela, mas como fui muito bem logo de cara, recuperei ânimo e me vi dominado novamente pela certeza absoluta de que era possível.
No último domingo, entrei bem novamente mas não consegui fazer o primeiro movimento, mesmo tendo tentado diversas vezes. Confesso que fiquei um pouco frustrado, mas ainda sim a certeza me acompanhava.
Hoje, terça-feira 14 de julho, após uma boa noite de sono e um bom café da manhã, além da companhia de bons amigos, surpreendentemente o primeiro movimento saiu na primeira tentativa, mas mesmo assim deixei a oportunidade passar ao cai no segundo movimento (também muito difícil e instável). Tentei mais algumas vezes e depois de acertar com certa facilidade só fui me deparar com o que estava acontecendo quando escutei a comemoração do meu irmão que estava fazendo minha segurança, nesse momento a ficha caiu e estava diante da última costura.
Trabalhando a via "História sem fim" do segundo movimento em diante
Sendo assim optei por manter a cotação sugerida por aqueles que entendem do assunto, apesar de não ter sido a via que mais me exigiu, principalmente pelo prazer que é escalá-la, tenho a impressão que realmente é uma via dura.
Como disse uma vez um mestre de preda: "Celebrar um pouco e procurar o próximo desafio, pois a busca nunca termina".
Em breve posto o vídeo da cadena que foi feito as pressas enquanto subia a via.
Fonte: Arquivo pessoal.
Editado em 15/07/2009 - 16:30h OBS: "Histótia sem fim" - Conquistadores: Marcelo Ramos e Eduardo Peixoto em 1990.
Mais uma vez, dessa vez em nova companhia e motivado pela forte energia e luminosidade da Lua Cheia em Câncer, foi realizada a "Passagem dos Olhos" (como contado em postagem anterior).
Panorâmica do visual no cume da Pedra da Gávea
A via é localizada na Pedra da Gávea e normalmente é chamada de "Travessia dos Olhos" pelos escaladores que conheço. Abençoada com um visual deslumbrante da cidade, onde a noite as luzes da babilônia formam um grande vitral hiper estímulante a céu aberto e durante a alvorada o mais sublime e corriqueiro ciclo se renova, enchendo os olhos de inspiração e vida, essa via se torna mais que uma escalada e esse lugar mais do que apenas uma montanha cercada de mitos e lendas.
Nascer do sol visto do Olho do Imperador na Passagem dos Olhos
O mais interessante é que dessa vez nada foi combinado e as coisas fluíram de forma leve e suave de acordo com o que estávamos esperando. Me encontrei com meu amigo, Lucas "Jah", em sua casa para jantar e trocar idéias acerca da escalada e da vida. Papo vai papo vem, do nada surgiu a vontade de aproveitar aquela noite perfeita que fazia, já que, além de estarmos vivos e motivados o clima era ameno e o céu totalmente estrelado sendo regido por uma intensa Lua Cheia, não exitamos em partir assim que possível.
Escalador ao amanhecer no Olho do Imperador
Como "Jah" mora bem próximo da montanha, cerca de 50 metros do acesso, não demoramos muito em começar a trilha. Outro fato interessante foi que levamos apenas uma lanterna de cabeça (head lamp) para backup e nem preciso falar o porque né! A luz da Lua parecia um poste acesso sobre nós e a visibilidade era incrível, até parecia dia.
Subimos a trilha muito rápido - talvez uma das vezes que subi em menos tempo - mesmo sem ter pressa para chegar ou para voltar nosso ritmo era constante e agradável. Levamos apenas o mais básico equipamento e suprimento: corda, alguns mosquetões avulso, sapatilha, casaco, o "Jah" levou seu saco de dormir, água e um pedaço de rapadura era tudo o que precisávamos para escalar com segurança e passar uma noite divertida e tranquila de sono no "Olho do Imperador".
Vídeo com resumo da escalada na via "Passagem dos Olhos", Pedra da Gávea
A escalada foi, também, muito rápida e tranquila principalmente por fazermos tudo a francesa com uma corda bem curta. Logo que chegamos ao platôr do olho esquerdo (para quem vê virado de frente para a pedra) preparamos o esquema de segurança para passar a noite e nos acomodamos devidamente em nosso bivaque. Em pouco tempo uma "multidão" de pessoas começaram a dar o ar da graça pela trilha em direção ao cume, todos motivados pela mesma energia.
Acendemos uma vela para dar suporte a ritualística leitura, dividimos um pequeno pedaço de rapadura para energizar o corpo, agradecemos a Deus todas as coisas que nos levaram a estar ali e em pouco tempo já estava apagado no mais tranquilo sono profundo.
Ao acordar, mais uma vez, fomos afortunados com o mais belo nascer do sol. Logo em seguida tocamos o cabo de aço que dá acesso ao cume e lá interagimos com as possíveis mais de 30 pessoas que também tinham dormido lá para vislumbrar a energia lunar e o nascimento de mais um dia, concluindo assim mais um ciclo planetário, e portanto, mais um dia em nossas vidas.
Escalador vislumbrando os primeiros raios de sol do Olho do Imperador
Ao concluir a descida da trilha, ainda tomamos um revigorante banho de cachoeira para começar o dia com entusiasmo, bom humor e força total.
Fica a sugestão e o incentivo aos loucos de preda que ainda não tiveram a oportunidade de praticar esse passeio noturno maravilhoso, com inesquecíveis paisagens, agradável escalada e excelente exercício mental e físico, além é claro, de bons momentos para recordar.
Devido a chuva que não para de cair na cidade maravilhosa e quase impossibilita os mais fanáticos subidores de pedras - eu digo "quase" porque aqui temos a salvação do popularmente conhecido "2000" (Campo Escola 2000) onde pode chover canivetes que sempre rola alguma coisa pra subir - esse fim de semana não pude realizar a escalada que estava planejando.
"Mariposa" de cor vinho e amarelo encontrada no Shopping Downtown na Barra da Tijuca
Para aproveitar essa ocasião em que me encontro (lesão + chuva), andei relembrando alguns encontros que tive com ilustres habitantes do nosso planeta. Com o apoio da tecnologia de telefonia celular e dos sofisticados aparelhos munidos de câmeras fotográficas, tive a oportunidade de registrar alguns desses encontros em que contemplei com a ilustre presença desses seres magníficos.
Detalhe para o desenho de "caveira" nas asas
Engraçado é que algumas pessoas, até mesmo subidores de predas, não se dão conta da bela diversidade da fauna & flora que compõem a paisagem dos nossos "templos sagrados", as florestas e montanhas que frequentamos, assim ignoram a sutileza de momentos nos quais as vezes não damos tanta importância mas que são de raríssima oportunidade.
Aranha encontrada na trilha da Pedra da Gávea
O que quero dizer é que não é todo dia que nos deparamos com uma Jibóia de 3, 4 metros de comprimento, com Tucanos, Pica-Paus, Araras, Aranhas, Lagartos, Sapos, Macacos Prego ou até mesmo aqueles micos que já viraram praga em algumas regiões e são conhecidos como "Sagüis", além de diversas outras espécies de animais silvestres. Quando isso acontece temos que dar a devida importância, pois o eco sistema é muito frágil e nos dias de hoje deve ser protegido - na maioria das vezes das nós mesmo - o que infelizmente ainda não acontece com tanta frequência.
Suposta "Jibóia" encontrada no início da trilha da Pedra da Gávea
Detalhe para a proporção do tamanho da mão para a boca do animal e suas presas
Com dificuldade a serpente sendo removida para atuação do orgão competente
As vezes, pelo simples fato de caminhar pelas trilhas de cabeça baixa perdemos de nossa visão algumas dessas formas de vida incríveis, que vivem normalmente nesses lugares que frenquentamos.
Opa! parece um bicho mas é pé de escalador mesmo
É uma pena que nós seres humanos perdemos a capacidade de conviver naturalmente e hamoniozamente com a fauna & flora desse planeta, mas ainda há esperança e confiança que isso pode mudar.
Obs: Por não ser especialista no assunto, fico devendo maiores explicações sobre as características das espécies apresentadas. Quem souber de maiores informações e quiser colaborar fique a vontade para comentar.
Recentemente foi divulgado o desaparecimento de três escaladores americanos que tentavam a ascensão do Mt. Edgar (6.618 metros), na província de Sichuan na China, são eles: Wade Johnson, Micah Dash e Jonny Coop, os dois últimos pude conhecer pessoalmente em viagem a Europa (como contado em postagem anterior).
Monte Edgar (6.618 metros) - China
Tive a informação da situação quando estava na casa do Hugo Langel e o também americano, Cedar Right, buscava maiores informações sobre seus amigos desaparecidos na montanha chinesa.
Dois caras legais e com nobres corações. Confesso que a princípio tive um pouco de resistência quanto a simpatia deles (americanos em geral) mas com o convívio, curto pelo sinal, pude trocar ideias e descobrir realmente quem eram aquelas pessoas e em pouco tempo nos afeiçoamos devidamente.
Johnny Coop e Micah Dash escalando juntos
Os conheci ao perambular solitário pelo maciço de Céüse, sem ninguém para se amarrar na outra ponta da corda nem ninguém para trocar idéia. Me deparo com esses dois americanos que rapidamente perceberam minha situação e me chamaram oferecendo "belay" (segurança) para que eu entrasse na via em que eles estavam tentando. Nas semanas seguintes eles acabaram se tornando companhia de escalada, que entre uma expedição e outra para o Mont Blanc (4.810 metros) e para a cidade de Chamonix, retornavam com estórias eletrizantes e apenas alguns arranhões.
Wade Johnson escalador e cinegrafista da Sender Filmes
Depois que retornei ao Brasil ainda mantive contato, principalmente com Jonny, pois eles tinham muita vontade de vir ao País já que estavam organizando um Festival de Filmes de Ação para rodar o mundo e o Rio de Janeiro seria uma das cidades escolhidas para exibição, além disso, no início do ano eles estariam em expedição junto a integrantes da Sender Films e a equipe da The North Face pela Patagônia Argentina, o que seria uma ótima oportunidade para esticar um pouco mais e fazer uma visita as terras Tupiniquin, como acabou sendo feito pelos demais (Sender Films e The North Face), porém eles tiveram outros planos e outros compromissos.
Micah Dash escalador e integrante da Rescue Team no Yosemite Park, CA
Não sei o que pode ter acontecido lá na China, pois não tenho nenhum entendimento nem experiência em alta montanha ou em escaladas alpinas, mas sei do que se trata essa vontade indominável que circula em nossas veias. Só posso imaginar que todos os escaladores de verdade que se propõem a alcançar o cume de determinadas montanhas geladas e inóspitas estejam ali apenas com o ticket de ida, sabendo exatamente de todos os riscos que os envolvem.
Johnny Coop escalador e produtor de filmes de aventura
Por fim, tenho certeza que além de homens esses eram grandes escaladores e grandes almas. Não porque deixaram de retornar, mas por terem vivido aquilo que os motivava.
O que fica são as vibrações positivas e a lembrança de leveza, suavidade, bom humor e nostalgia com que levavam a vida.
Em nome de todos loucos de predas, ficam aqui expressados os sentimentos e condolências as famílias e amigos desses que, assim como nós, são nada mais nada menos que loucos de predas.
Nesse último fim de semana foram feitas ascensões importantes em vias de extrema dificuldade.
Felipe "Pikuira" no movimento que o derrubou 7 vezes na via "Los Inconformistas"
No sábado o escalador de São José do Rio Preto-SP que passa temporada na Espanha, Felipe Camargo "Pikuira", encadenou o primeiro 9a francês (11c brasileiro) de um brasileiro com a via "Los Inconformistas" em Rodellar. Ele disse que caiu 7 vezes no último movimento difícil e que já entrava na via há 12 dias sendo a escalada mais exigente que fez, tanto física quanto mentalmente.
"Jah" no movimento do crux da via "Massa Crítica"
No domingo o escalador de Uberlândia-MG radicado no Rio de Janeiro, Lucas Marques "Jah", encadenou na barrinha a via "Massa Crítica" cotada inicialmente em 8c francês (11a brasileiro) mas logo decotada para 8b+ (10c brasileiro). Depois de cair 2 vezes no movimento final do crux Lucas disse que mesmo não tendo sido a melhor entrada na via acabou fluindo. A via já estava sem repetições há algumas temporadas, tendo sido encadenada pela última vez pelo brasiliense Pedro Raphael.
Também no domingo e na mesma falésia, o escalador carioca Daniel Gonzalez "Fen" encadenou a via "Lagrimas de Sangue" cotada em 8b francês (10b brasileiro) sendo a sua segunda via nessa graduação.
Fotos: Pete O'Donovan e Pedro Stabile Fonte: www.felipegcamargo.blogspot.com
Nesse domingo finalmente conheci a tão famosa Falésia de São Sebastião, que fica no morro da Urca, Rio de Janeiro.
Fui acompanhado de dois amigos, os fotógrafos/escaladores Guilherme "Grilo" Taboada e Pedro Stabile. Ambos já conheciam o local, que por sinal estava mais parecendo desativado do que qualquer outra coisa, e não tiveram dificuldade em encontrar a trilha que dá acesso a falésia.
Não é de hoje que escuto falar em São Sebastião no meio da escalada, quando comecei a me aventurar em subir preda já havia escutado esse nome quando o então escalador e mestre Fabiano de Moraes - hoje reside em Portugal - fez a primeira repetição da via "O Rio de Janeiro continua lindo", via mais exigente do local cotada em 7c, E6/E7 e conquistada por Luiz Cláudio "Ralf" Cortes e o inglês Neil Gresham e que teve sua primeira ascensão feita por "Ralf".
Na época não tinha a mínima noção do que era material móvel, muito menos do que se tratava Esportiva Tradicional, até achava engraçado o nome da falésia. Com o passar do tempo e o convívio com escaladores praticantes dessa modalidade, passei a entender e respeitar essa maneira de subir as preda tudo, que envolve muita responsabilidade e auto conhecimento e acabei criando fascínio por essa falésia que até então para mim era um mito.
Ao chegar Guilherme e Pedro foram direto ao que interessa e fizeram a trilha ao cume da falésia para montar os devidos top-rope's. Pedro desceu pela "O Rio de Janeiro continua lindo" e Guilherme pela "Satisfação". A primeira impressão foi a melhor possível, entrei de top-rope na via "Satisfação" 6sup, E5/E6 conquistada por Luiz Cláudio "Ralf" Cortes e Fernando Vieira. Na descida já instalei as devidas proteções compostas por dois friends e um nut e me preparava para guiá-la quando Pedro resolveu entrar para aquecer de top-rope e aproveitou e instalou mais um friend pequeno.
Via incrível com começo delicado e técnico e final mais atlético com agarras sólidas. O clima do ambiente era favorável, com alto astral garantido pelos companheiros e ameno pela temperatura tornou o local um templo diante de nós.
Assim que desci, Grilo se preparou para guiá-la também. Ele contou que esteve há alguns anos ali para guiar a mesma via e acabou não acontecendo. Com a frustração daquele dia deixada de lado e de carona na atmosfera que o ambiente proporcionava, Grilo maestralmente guiou e encadenou a via "Satisfação".
Com o joelho recém lesionado após a última visita a Gruta de Passa Vinte que fizemos, Pedro sabiamente optou por poupar-se. Escalou de top-rope as duas vias e tirou algumas fotos, além disso, nessa falésia resta apenas uma via para ele e é exatamente a mais exigente: "O Rio de Janeiro continua lindo".
No meio do dia, após fazer a cabeça na "Satisfação", resolvemos entrar de top-rope na "O Rio de Janeiro continua lindo". Depois de escalar a via e calcular uma maneira de não morrer em caso de queda, fiquei muito empolgado em equipá-la para guiar, mas durante a entrada do Grilo na via o sol já impossibilitava qualquer tentativa sã para aquele dia. Devido a parte técnica final, e mais exposta, a via se torna muito perigosa diante do intenso calor do sol que pode tornar a diversão em problema. E como essa modalidade de subir preda exige mais atributos e habilidades do que simplesmente apertar a preda e fazer força, foi decisão unânime que recolhêssemos nosso banquinho e saíssemos de fininho deixando essa para a próxima visita.
Desta vez fomos Eu, Pedro Stabile, Lucas "Jah" e Brito "Audaz" mais uma vez em direção e imensa gruta de Passa Vinte, Minas Gerais.
Com o intuito de passar mais um fim de semana escalando no grande negativo da Gruta, nos dividimos pois, diferente dos meus amigos, meu interesse era outro.
Enquanto uma dupla escalava, eu requisitava a segurança para conquistar mais uma via na falésia. Foi iniciada a via "Divina Providência" na parte vertical da pedra, já que em todas as visitas que fiz a Gruta, sempre quis escalar na parte de baixo da falésia, além de achar necessário uma via mais "acessivel" em relação ao nível de dificuldade.
Pra ser sincero, pensei inicialmente no meu Mestre de vida e grande irmão Inácio Xavier que aos 59 anos de idade da aula de sabedoria e esbanja energia surpreendendo a todos a sua volta, tendo iniciado a escalada há apenas 2 anos atráz.
Queria muito que ele pudesse nos acompanhar em nossas aventuras pelas pedras do local e foi essa a maior motivação que tive para iniciar os trabalhos. Comecei a conquista mais pro final do dia e tive que interromper ainda nos 10 primeiros metros devido a falta de luz natural.
Após o primeiro dia de escalada o escalador Lucas "Jah" passou tranquilamente por todas as vias mais frequentadas, tendo feito praticamente flash e de segunda tentativa, mostrando aptidão obtida nos últimos meses que passou pelas falésia européias. Entre elas a via "Entre a sombra e a escuridão" de segunda tentativa e totalmente no breu, por volta das 20h da noite.
O escalador Brito "Audaz", maior frequentador do local, teve ainda a oportunidade de repetir a via "Gênesis" recentemente encadenada por ele, assim como o fotográfo e escalador Pedro Stabile deu show escalando a via "Tapa na Cara" a noite.
Clip com imagens e depoimentos da ultima trip para Passa Vinte
No segundo dia, domingo, iniciamos os trabalhos mais tarde pois queriamos curtir um café da manhã diferente e resolvemos nos banhar no pequeno corrego que existe no local. Aproveitamos para energizar as baterias com luz solar e muitas gargalhadas.
No fim do dia estavamos todos satisfeitos e com a alma lavada. A via nova não pôde ser concluída, faltando apenas 10 metros para o final. Até o momento alcança entorno de 20 metros com 6 proteções, tendo sido conquistada em livre a base de pura adrenalina.
Na próxima visita ela será acabada e receberá novas proteções, além de ser devidamente limpa e preparada para receber novas ascensões. Tendo sido proposto algo entorno de 7? num estilo bem de parede, com domínios e passadas técnicas.
Então fica ai mais uma opção acessível para a galera se divertir. Em breve postarei croqui e maiores informações. E mais uma visita a essa incrível falésia!!!