quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

EuroTrip - 2a Parte

Logo após Mallorca voltei para Rodellar por uma semana, Albarracin e na sequência...
Siurana...............................fui em busca da minha liberdade...
É muito motivante a atmosfera aqui, simplesmente a cultura da escalada é tão forte que chega a ser uma coisa natural no dia a dia. Todo mundo escala e isso é muito motivante!!!
Sem falar também, quando se escala em setores como “El pati” ao olhar para o lado se vê nada menos que” Dani Andrada”, “Enzo Oddo”, “Alizèe Dufraise”, “Xavier Morales”, “Mariona Martí” e outros clássicos da escalada mundial...
Motivante é pouco para o que posso sentir em estar aqui...É muito aprendizado!!!!
Aqui penso ser um dos lugares mais clássicos para se escalar no mundo devido a vários fatores.Um deles é a comodidade para se deslocar e para se hospedar ou“aparcar”... A quantidade de escolas de escalada ao redor... Fica explícito o porquê de “País de La roca”.
Existe uma cultura de habitação “móvel” aonde as pessoas habitam carros transformados em vivendas ou “motor homes”. São vans de todos os portes e tipos que facilitam a vida em todos os sentidos; se deslocando de lugares a outros em busca das pedras perfeitas.
Cada van que aparece... Umas com chaminé e aparatos dos mais diversos, outras com salas que se transformam, pois a sala vira cozinha que vira cama. Fica em destaque os gigantes “motorhomes” que são praticamente casas. Tem de tudo e tudo com muita criatividade.
Logo de “furgo” fiquei pirando no estilo “solto por ai”, “aparcando” com os amigos para escalar pelos setores mais importantes de Siurana e arredores... MontSant e Margalef... e sempre como "base" a casa do Maggi. Vlwww Magi, muita gratidão!!!!

Siurana na verdade é uma vila medieval situada ao cume da serra de Prades-Cornudella. Com suas casas de pedra a vila atrai com nostalgia o velho mundo das montanhas...
Fica em destaque o visual incrível da serra de MontSant com as paredes de Siurana ao redor... é muita “classiquera” do rockclimb!!!!
Senhorrrrrrrrr.................
Sobre o objetivo e espírito desta viagem, fica claro que gostaria de concretizar os clássicos sonhados, projetos provados da vez passada ou ate mesmo coisas surreais que foram apenas vistas de baixo ou em filmes... “um dia quem sabe”...
Em 2008 provei uma vez a maravilhosa “kalea Borroka”, linha (fissura) mais expressiva do setor “El pati”; que para mim é um dos setores mais mágicos do mundo. Seu “desplome”, “desploma” e “desplomaaa”...

A cor, o tamanho, a imponência da parede com suas agarras pequenas...
“Aqui la reina, a part de la mora, segueix essent la regleta, tant petit e tant fanática!! "
Carlos Brascó
Kalea são 40 metros de calcário da melhor qualidade que impressionam a qualquer um. A linha segue uma fissura em quase 40 graus negativos de agarras grandes e movimentos dinâmicos.Vista inúmeras vezes no “FANATICSEARCH 1”, ficou aquela vontade de tentar mais uma vez...
Escalei e os movimentos foram isolados com uma certa facilidade para a graduação. Mas ficava aquele respeito sabendo que o estilo de escalada de “continuidade” atinge a graduação proposta quando somados todos os “lances”...tudo na sequência...
Fui melhorando cada dia mais até o dia que fiz com uma queda no último lance difícil, era questão de tempo. Voltei em um dia com muito vento pensando que o vento poderia ajudar, mas o vento só atrapalhava...
Logo no primeiro “pega” caí novamente no ultimo movimento do crux final por não segurar bem o “reglete”... O vento me balançava muito e me tirava toda a concentração.
Desci meio “tonto” pela energia que rolava no setor. Havia apenas outra dupla do outro lado. Um dia praticamente ruim...Muito vento e frio, mas por outro lado super fanático!!!
Fiquei pensando e pensando... Eu tinha ficado todo aquele tempo tentando a via e me projetando para conseguir... Neste dia tive uma estranha sensação. Foi uma das pouquíssimas vezes que tinha certeza que iria fazer uma via desse grau.
Decidi tentar novamente mesmo com o vento sinistro. Estava com meu amigo Lumir e juntos conversávamos meio ao vento... Gritávamos muito, parecia até que estávamos em uma montanha, patagônia total!!! Digo a Lumir meio “Flutuando com o vento” que iria mais uma vez, tinha uma estranha certeza...E o vento “bombava no setor...........
Vinicius Todero escalando Kalea Borroka - foto : Keith Ladzinsky
Site:
Foi muito forte a energia que rolava no Pati este dia e acredito que isso tenha ajudado... Na decida desequipando, chego ao chão e o vento simplesmente acaba... Foi surreal... Coisas que ficam difíceis de explicar escrevendo ou ate mesmo falando... Coisas de pedra... Momentos de falésia...
Encadenar a “Kalea” foi surreallll...
Nos últimos dias do ano fiquei provando a “migranha” 8b e “2x30” um 8c (fr) de puro regletes estilo um “coquetel” e meio. Não vi muita facilidade e percebi certo cansaço após escalar por tanto tempo...
Videos que mostram um pouco da realidade local... Siurana 4ever...............................

La Obsesión - A film about Dani Andrada from Haroun Souirji on Vimeo.


Argyro climbing Minimal Techno 8a in Siurana from ArcoIris on Vimeo.





El Chorro.........................ano novo, vida nova...
Fui conhecer outro Clássico. Não agüentava mais a “friaca” da Catalunya e decidi encontrar amigos que estariam me esperando para a grande festa de ano novo...Valew Axé, Vanhinha e Fabiano!!!! Foi dimais!!!
Viajei o dia todo, 12 horas de Siurana até El chorro. 100km/h na furgo 4marchas... kkkkkkkkkkkkkkk... Fui muito na vibração de buscar outras condições, conexões... Na van a“sonzera” rolando... Yeahhhhh!!!
Localizado cerca de Málaga, El chorro é um lugar mágico!!! Sua energia é fortíssima por ter uma concentração de pedras e águas ao redor. Muita história rolou ali... A “malandragem cigana” dos que ali habitam marca o relacionamento interpessoal. Muita música flamenca, muito canto... Muita festa!!!


Ponto negativo para a Usina, que altera o conforto áudio-visual quando se está perto do “pueblo”. Um som que não para, todo o tempo aos ouvidos até o ponto que se esquece e se perde na memória,rs... Muito estranho descrever a sensação... Dependendo de onde se escolhe para escalar o som permanece. Mas isso é pouco perto de tanta beleza...



Cheguei pensando que ficaria apenas uma semana, mas acabei ficando um mês.
Com setores dos mais diversos, El chorro conta com todos os estilos de escalada. Fica marcado como melhor setor o Makinodromo com sua parede imensa, negativo de chorreiras,batentes e abaulados. El chorro é muito bom, fica marcado como lugar a se conhecer.
Makinooo é muito clássicooo!!!! Sofá na base da via... Hahá!!! Aonde??? Me fala!!!
Fanatismo é pouco... Aqui a casa é a pedra...kkkkkkkkkkkk


No Makinodromo fiquei escalando nos primeiros dias àvista e caí em todos os 8ª’s(fr)nos últimos movimentos praticamente. Acho que queria tanto que acabei me distanciando de conseguir meu primeiro 8ª avista... Por outro lado consegui meu primeiro 8ª+ flash com via “Randi-P1” e perdi de bobeira meu segundo 8ª+ flash na via “Smashing pumpkings direct”.
Ficou evidente o quanto faltou a parceira de meus companheiros de corda. Penso que seria mais fácil compartilhar, desvendar as vias de alta dificuldade... Também provei outro clássico com “Cous Cous” 8c (fr) se mostrando dificil; saindo bem o primeiro crux, mas o segundo nem luz... Necessitava melhores condições e betas... Quem sabe na próxima temporada...

Conheci uma galera irada! Foi esse um dos motivos que me fez ficar tanto tempo por lá... Com Biszon e Busia aprendi muito... Eles estão viajando por dois anos em uma pequena van e sempre na “vibe positiva” mostraram-me como é simples manter a energia. Abelha com seu humor sem fim e simplicidade... Aga com seu fanatismo e dedicação...
Agnieszka em "el mono e el oro del tigre"

Fica difícil compartilhar experiências diversas, explicar, já que vivemos momentos tão sutis e tudo é tão simples... Energias diversas em lugares tão especiais... Voltei de lá com o sentimento de que sempre estarei aprendendo com as pessoas mais simples, pessoas diversas, pessoas totalmente diferentes... Aprendizado sem fim...

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Nova via na Barrinha-RJ

Ano novo, via nova!

Começamos o ano diante de muito calor, umidade alta e chuva, típico do verão carioca, apesar de parecer condições desfavoráveis para a pratica da escalada em rocha, outras atividades nos matêm na preda.

Na última postagem feita a pouco mais de um mês, o escalador Lucas "Jah" Marques relatava sua participação na conquista de uma via na Pedra do Sino, Parque Nacional da Serra dos Orgãos-RJ.

Coincidência ou não, esse post trás também relatos de uma nova conquista, mas dessa vez em outra escala. Longe das montanhas os loucos de preda têm investido em algumas conquistas em falésias e psicoblocs ao redor da cidade. O negócio e não ficar parado!

Depois de ser convidado pelo escalador Bernardo Cruz, o "Nado", para ajudá-lo a concluir a empreitada iniciada a quase 10 anos na falésia da Barrinha, não tive dúvidas que seria algo significativo. Como a falésia não dispõe de tantas alternativas para novas linhas achei surpreendente o fato de ainda ter uma via inacabada.


Bernardo "Biê" equipando a via "Loucos de Preda", Barrinha-RJ

Eu, "Nado" e Felipe Dallorto do Centro de Escalada de Jacarepaguá (www.escaladajpa.com.br) concluímos as 10 proteções que se segue nos aproximados 20 metros de parede ainda na parte da manhã, sobrando tempo suficiente para desvendar toda movimentação da linha e ainda fazer uma tentativa.


Bernardo "Biê" visualizando os movimentos da via "Loucos de Preda", Barrinha-RJ

A nova via começa do lado direito da via "Chapa Quente, 10a" e foi batizada pelo "Nado" em homenagem a toda movimentação de energia e união do grupo de escaladores que se formou aqui no RJ, com o nome de "Loucos de Preda".


Bernardo "Biê" instalando proteção fixa na via "Loucos de Preda", Barrinha-RJ

Sua linha segue totalmente independente. Diferente do estilo de escalada da falésia, a linha da via segue por um ângulo negativo e constante que exige uma mistura de força, explosão e resistência. Apesar de não ter agarras tão pequenas quanto outras vias do local, os descansos e algumas movimentações não contam com muitas opções de agarras de pés, além de um bote alucicrazy em que o escalador fica apenas por uma das mãos pendurado sobre o vazio.


Bernardo "Biê" instalando proteção fixa na via "Loucos de Preda", Barrinha-RJ

Depois de limpar as agarras, isolar (ensaiar) os movimentos e colocar algumas agarras quebradiças para baixo "Nado" por pouco não conseguiu a primeira ascensão da via em sua primeira tentativa, caindo no último lance difícil. Quanto a dificuldade da via, o escalador sugeriu que pudesse estar entorno do 9º grau. Fato que se consolidou após ter conseguido a primeira ascensão no domingo seguinte, propondo um nível de dificuldade graduado em 9a (br).


Bernardo "Biê" instalando proteção fixa na via "Loucos de Preda", Barrinha-RJ

Em breve será postado vídeo da via sendo escalada pelo "Nado".

Fica ai mais uma pra comunidade escaladora e mais uma opção de via clássica na Barrinha.

Agradeço ao Felipe Dallorto a companhia e a força na empreitada, e ao "Nado" pelo convite de participar dessa inusitada conquista.


Por Bernardo Biê

fotos: Felipe Dallorto

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

"NOVAERA" Pedra do Sino - Rio de janeiro







Fala Galeraaa!!!! Esta é a primeira vez que escrevo desde que cheguei aqui na Espanha, tenho tanta coisa pra dizer... São tantas descobertas... Estou descobrindo coisas que já sabia, mas que de alguma forma precisava viver mais uma vez, sentir na pele e por fim ter certeza que por algum momento eu sabia muito mais que imaginava...



Desde que vim para Europa em 2008, foram tantos aprendizados... Escalei muita coisa que tinha como “sonho” e pude perceber que estava tudo muito mais perto. Aqui também aprendi muito sobre as pessoas e lugares. Oque mais me marcou aquele ano foi o quanto eu estava errado sobre minha “doação” para escalada. Tinha largado tudo e todos, faculdade, namorada, amigos... Tudo em troca da escalada 24hrs, “fulltime”, no fanatismo mais intenso que poderia existir.
Para ser mais direto no fim de tudo isso acabei vivendo um grande vazio quando não tinha mais oque valorizava tanto. Naquela época tive uma lesão (epicondilite) e não podia mais escalar, estava em ceuse e não podia escalar. Como estar no Havaí e não poder surfar...Aprendi muito... Também aprendi que certos momentos passam e que se não aproveitarmos as oportunidades elas simplesmente passam...





...e as pessoas se transformam, até nos mesmos...






Depois quando voltei pude passar por diversos momentos únicos como os solos, algumas escaladas de parede, estar entre amigos super especiais... Foi incrível trabalhar as vias que tinha como sonho (coquetel, massa crítica, transamazônica sem fim...) e poder concretizá-las. Fizemos também um trabalho incrível com o muro na “sorima”. Levamos muitas pessoas para escalar e iniciamos o maior número de pessoas possíveis... Cada um no seu tempo...






"Visual do vale PNSO"




Finalizando minha estadia no rio de janeiro tive a honra de participar da conquista da via “NOVA ERA” com Hillo Santana e Diogo. Tudo aconteceu quando fiquei sabendo que seu parceiro Argentino teria sofrido uma lesão no joelho assim impossibilitando sua participação. Nesse momento me prontifiquei a ajudar Hillo. Era uma oportunidade incrível, um sonho, conhecer aquele lugar mágico com Hillo, pois ele conhece aquele lugar como ninguém e seria incrível poder aprender tudo sobre um dos lugares mais inóspitos do Rio de janeiro.
Chegando la pude perceber a imponência da parede e do vale. São 500 metros de parede vertical/negativa de granito/gnaisse quase todo tempo podre; e por isso as pessoas escalam a mais de 25 anos em artificial. Um vale que se forma cercado de parede por todos os lados com vista para a baixada fluminense. É simplesmente incrível e única a sensação de estar naquele vale escalando. Muita gratidão Hillo...

"Hillo no platô do escorpião"


O vale conta com paredes incríveis e imponentes...Castelão, Dinossauros... São tantas escaladas possíveis neste vale e arredores, seria possível equipar todo o complexo do PNSO para receber um volume enorme de escaladores. Podendo-se comparar a grandes centros como GOURGE DU VERDON na frança e outros.












Começamos a escalada já visualizando as linhas em livre, oque fosse mais “fácil”, já que para mim não existe outra escalada a não ser “em livre”. Escalar é sempre em livre, escalar é escalar e artificializar é artificializar; duas coisas totalmente diferentes... Escalar é arte...



Visualizei um “S” passando por uma fenda depois acessando outra, um diedro, que nos custou muito tempo para limpar... Tentamos fixar o mínimo de proteções e essa primeira enfiada conta com apenas 2 chapas e a graduação segue em torno de 9b/c. Provei muitas vezes os passos e para não gastar muito tempo subimos pois havia muita parede pra cima. Como o hillo já havia aberto uma “variante-fuga” para o platô do escorpião, fomos direto em artificial para que pudéssemos guardar todos os equipos e mantimentos. Chegar no platô do escorpião pela primeira vez foi incrível! Que Lugar!!Fiquei maravilhado com tamanha beleza e paz... Neste platô tive noites mágicas, presenciamos uma lua cheia que marcou a conquista. Neste platô tive um volume e intensidade de sonhos que jamais tive em minha vida em qualquer lugar... Foi muito forte... incrível a energia!!!

Os outros dias foram marcados por uma “jumareada” em “L” para acessar a via que passava pela direita extrema. Acordávamos as sete da manha e demorávamos no mínimo 2 horas para começar a conquista, dia após dia... Ao meu ponto de vista seria mais fácil se seguíssemos todo o tempo pela linha da via, teríamos um pouco mais de trabalho com porta-ledge, mas no fim teríamos mais tempo para trabalhar as “cordadas”. Outro fator que atrasou muito a logística foi o fato de mudarmos o estilo depois da minha chegada. Antes toda a conquista estava sendo preparada para o “A5” que Hillo tanto almejava. Ele queria abrir o primeiro A5 passando por um teto escalonado e eu queria apenas escalar em livre aquela parede mágica. Existia um volume de equipamento que era “inútil” e atrasava todo o trabalho. Imaginem 3 a 4 jogos de camalots, 4 molhos de coperheads que pesavam muito, coisas que eu nem sabia pra que servia...rss... No final de tudo usamos apenas 2 jogos de friends para poder repeti algumas peças, mas no final das contas as enfiadas necessitam um jogo e meio... Outra coisa que nos atrasou muito foi a retinida de “cadarço” que em todas as enfiadas embaraçava. Perdíamos cerca de 30 minutos só para desembaraçar a retinida. Uma perca de tempo com materiais não organizados e super estimados nos fizeram atrasar muitos dias. A falta de comunhão e entendimento em grupo para o “fim da linha” também nos impediu de terminar a conquista mais cedo. Quando comecei a escalar tudo em livre pude perceber que o mais óbvio e mais sensato para a comunidade era abrir a primeira via em livre da parede. Em 25 anos escalam em artificial nessa parede e seria de inestimável riqueza abrir a primeira via em livre.
"Platô do escorpião e a jumareada em L "



Assim seguimos abrindo cada cordada, um dia o hillo seguia em artificial (pois não havia levado sapatilha de escalada para a parede) e eu subia de “top” livrando os movimentos e nos dias que abria, abria em livre o máximo que conseguia. Na quarta cordada escalei lances fortes de psicológico em pedra podre e micro-friends. Essa vai marcar a escalada quando forem repetir a linha... Chegando à parada quase pela noite, não enxerguei 2 buracos e bati uma parada para poder deixar a corda fixa pra rebocar material. Uma pena. No outro dia percebi que seria possível fazer a parada em móvel e assim como já tinha feito, deixei para que nesse ponto possam fazer uma parada mais segura de muitos dias se necessário. O diedro forma uma “proteção" para chuva e ventos.


Depois desse dia nas próximas enfiadas comecei a me sentir um tanto “sozinho” na parede. Nossa falta de comunicação e entendimento fazia com que me sentisse mal e uma sensação de perigo me cercava a todo o momento. Todo o dia pensava “amanha eu desço”. Mas quando dormia sonhava com a via e acordava pensando em apenas sair por cima... Havia momentos também de desconforto quando chamava pelo meu parceiro e não havia resposta, ou ouvia um dialogo como se houvesse mais outra pessoa...( Diogo não se encontrava conosco ou rebocava água e mantimentos da base para o platô). A vontade de desistir era em relação a isso e não em relação a majestosa beleza e energia do lugar como hillo relata na revista MOUNTAINVOICES. Ainda assim seguia firme em meu propósito de sair por cima e terminar minha jornada naquela parede. Tentei me desligar disso tudo e fui ganhando força quando vi que a linha se tornava expressiva e bela...
Esse ultimo diedro, após essa parada dupla/móvel foi guiada por hillo em artificial e depois subi em “top” tentando livrar os movimentos e imaginar local para proteção móvel. Essa cordada e marcada pelos delicados movimentos em parede podre e grande dificuldade na parte de cima; estimasse um 9grau. Depois uma parada mista (1 grampo e um buraco para camalot 4/5). Essa próxima cordada e linda toda em móvel e deve ser um 8c de placa toda sólida, talvez a mais prazerosa de se escalar...






"6a cordade em móvel"




Após essa cordada há uma parada em móvel em um bloco imenso e depois acessa a “franco-brasileira” que também foi escalada toda em livre e conta com lances expostos de 8 grau brasileiro... Simplesmente incrível.


Finalizamos no tempo limite, no ultimo dia senti que seria o dia do “ataque” e saímos subindo como loucos. Diogo foi incrível na logística com hillo puxando material enquanto eu subia na correria para alcançar o cume. Chegamos a ultima cordada com chuva e fiz o ultimo artificial debaixo de chuva; e a saída ao cume (uma rampa molhada) foi feita pela noite e só quem esteve la pra saber como foi adrenante.


"Parada final antes do ataque ao cume"



"Visual do Cume um dia depois da conquista..."

No final chegamos ao Refugio às 22hs totalmente cansados, mas com a missão cumprida!!! Ficou na minha memória o quanto aquele lugar e incrível e o quanto podemos nos superar em relação às pessoas e lugares. Todos os sonhos estão ai para serem vividos e tudo é possível, basta acreditar...Era um sonho poder escalar nessa parede, no vale do PNSO. Obrigado senhor!!!!!!!










"Diogo e Juba-Claudio e Oliveira"




Quero deixar um agradecimento para o pessoal do Abrigo, e aos amigos que ajudaram no porteio do equipo ( Allan e Danilo). Todos foram de incrível importância para o acontecimento!!!! Gratidão!!!!!





*OBS: A via ainda não se encontra pronta, e os croquis são apenas rascunhos. Podem ser utilizados mas não há uma qualidade significante para um bom desempenho na investida.



...segue no próximo post “EUROTRIP 2011” os relatos sobre minha trip aqui pela Espanha com os amigos brazucas e cadenas das linhas clássicas: TWO SMOKING BARRELS e KALEA BORROCA. Desejo a todos uma boa escalada e boas ondas...
uhuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu!!!!!!!!!!


Lucas Marques

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Vote Guilherme "Grilo" para o Banff 2011

Nosso amigo, fotógrafo oficial do blog e de todas as empreitadas desde os primórdios da escalada, o louco de preda Guilherme "Grilo" Taboada está concorrendo ao direito de expor seu incrível trabalho realizado através de anos de dedicação, suor e talento pendurado para clicar as façanhas da galera. Essa exposição acontecerá no próximo Festival de Filmes de Montanha, o BANFF 2011, que é realizado no Cine Odeon, RJ.

Para que todos tenham a oportunidade de conhecer melhor seu trabalho, basta acessar o link abaixo que direciona para a página oficial do concurso, e fazer o voto em curtir.

Contamos com a participação de todos. É simples, fácil e rápido. Nesse momento soubemos que o trabalho do Guilherme está na final do concurso e a disputa está acirrada. Vamos lá galera, só votar pra ver o grilinho expondo no BANFF, quem conhece seu trabalho e sua personalidade sabe o quanto ele merece.


Mari na via "Bom dia África" - Platô da Lagoa, RJ.

Ricardo "Magrão" na via Sinos de Aldebarã - Serra do Cipó, MG.

Bernardo "Biê" na via "Crux com Filezão" - Barrinha, RJ.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Sobre os Irmãos Pou no RJ

Conforme postamos aqui no blog, tivemos uma breve oportunidade de acompanhar um dia de "relax" dos irmãos Pou (Eneko e Iker) escalando esportiva no C.E.2000 - RJ. Logo depois da visita, curta porém agitada, dos espanhóis à cidade maravilhosa, foi publicado o vídeo de algumas das vias que eles escalaram por aqui.

Apesar de curto, o vídeo traz imagens bem legais que mesclam bem o estilo de escalada na cidade e um pouco do contexto em que estão situadas. No fim fica um gostinho de quero mais.



sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Solo da "Chaminé Galotti"

Conforme postado anteriormente no Loucos de Preda, segue link da matéria que foi publicada no canal Sportv sobre a escalada em solo praticada pelo escalador Lucas "Jah" Marques na via "Chaminé Galotti", localizada no Pão de Açúcar.

http://sportv.globo.com/videos/zona-de-impacto/v/sportv/1603799/#/%C3%BAltimos

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

"Locos" in Rio

Continuando nas esportivas, nessa quarta-feira estivemos na falésia do "Campo Escola 2000", no Rio de Janeiro para concluir uma pendência. Guilherme "Grilo" conseguiu a ascensão da via "Frases Feitas" cotada em 9a (br), depois de deixar escapar a cadena tendo a última agarra nas mãos.

Encontramos com a ilustre presença dos escaladores cariocas, "Ralf" Cortês, Ana Alvarenga, Flávia dos Anjos, acompanhados dos escaladores espanhóis Iker e Eneko Pou.

De passagem rápida pelo Rio, os irmãos já deixaram sua marca encadenando em livre a famosa via "Atalho do Diabo", localizada na Face Sul do Corcovado e com enfiadas duríssimas de 9° (br) chegando a 10a (br). Para o feito, eles passaram uma noite dormindo no platô da 5 enfiada. Provavelmente ainda será publicado pelos irmãos relatos dessa ascensão com vídeos e fotos dessa empreitada.


Além disso, Iker ainda concluiu mais uma ascensão da via "Southern Confort", conhecida como a "Via do alemão", localizada na Urca e cotada em 10a (br). O escalador ainda entrou na extensão da via (1ª ascensão de "Ralf" Cortês) e estimou que ela pudesse alcançar o 11° (br).

No "Campo Escola 2000", Iker encadenou à vista a via "Bam Bam", graduada em 9a (br) e classificou-a como uma via dura. Depois ainda encadenou de flash a via "Migalhas Indecentes" 9c (br) muito sólido, enquanto Eneko na segunda tentativa caiu no último movimento. Eles ainda entraram na via "Epitáfio das Ilusões" 9c (br), mas não encadenaram.


Os irmãos ficaram impressionados com a qualidade da escalada no local e comentaram que as vias que provaram são realmente duras para o grau.

Para nós, que observávamos, pudemos realizar que não se tratam de super-heróis ou algo do tipo. É sempre bom ter a oportunidade de ver escaladores desse nível escalando as vias que você cresceu tentando e que fizeram parte da escalda esportiva nacional. De certa forma nos dá a impressão de que não está tão longe assim, que a escalada brasileira está num nível próximo a dos melhores escaladores do mundo, e que temos vias duras aqui...vias bem duras...yeah!

Fotos: Guilherme "Grilo" Taboada.

Por Biê, Grilo, e Thiaguin