segunda-feira, 22 de junho de 2009

Falésia São Sebastião - Esportiva Tradicional

Nesse domingo finalmente conheci a tão famosa Falésia de São Sebastião, que fica no morro da Urca, Rio de Janeiro.

Fui acompanhado de dois amigos, os fotógrafos/escaladores Guilherme "Grilo" Taboada e Pedro Stabile. Ambos já conheciam o local, que por sinal estava mais parecendo desativado do que qualquer outra coisa, e não tiveram dificuldade em encontrar a trilha que dá acesso a falésia.

Não é de hoje que escuto falar em São Sebastião no meio da escalada, quando comecei a me aventurar em subir preda já havia escutado esse nome quando o então escalador e mestre Fabiano de Moraes - hoje reside em Portugal - fez a primeira repetição da via "O Rio de Janeiro continua lindo", via mais exigente do local cotada em 7c, E6/E7 e conquistada por Luiz Cláudio "Ralf" Cortes e o inglês Neil Gresham e que teve sua primeira ascensão feita por "Ralf".

Na época não tinha a mínima noção do que era material móvel, muito menos do que se tratava Esportiva Tradicional, até achava engraçado o nome da falésia. Com o passar do tempo e o convívio com escaladores praticantes dessa modalidade, passei a entender e respeitar essa maneira de subir as preda tudo, que envolve muita responsabilidade e auto conhecimento e acabei criando fascínio por essa falésia que até então para mim era um mito.


Ao chegar Guilherme e Pedro foram direto ao que interessa e fizeram a trilha ao cume da falésia para montar os devidos top-rope's. Pedro desceu pela "O Rio de Janeiro continua lindo" e Guilherme pela "Satisfação". A primeira impressão foi a melhor possível, entrei de top-rope na via "Satisfação" 6sup, E5/E6 conquistada por Luiz Cláudio "Ralf" Cortes e Fernando Vieira. Na descida já instalei as devidas proteções compostas por dois friends e um nut e me preparava para guiá-la quando Pedro resolveu entrar para aquecer de top-rope e aproveitou e instalou mais um friend pequeno.



Via incrível com começo delicado e técnico e final mais atlético com agarras sólidas. O clima do ambiente era favorável, com alto astral garantido pelos companheiros e ameno pela temperatura tornou o local um templo diante de nós.



Assim que desci, Grilo se preparou para guiá-la também. Ele contou que esteve há alguns anos ali para guiar a mesma via e acabou não acontecendo. Com a frustração daquele dia deixada de lado e de carona na atmosfera que o ambiente proporcionava, Grilo maestralmente guiou e encadenou a via "Satisfação".



Com o joelho recém lesionado após a última visita a Gruta de Passa Vinte que fizemos, Pedro sabiamente optou por poupar-se. Escalou de top-rope as duas vias e tirou algumas fotos, além disso, nessa falésia resta apenas uma via para ele e é exatamente a mais exigente: "O Rio de Janeiro continua lindo".

No meio do dia, após fazer a cabeça na "Satisfação", resolvemos entrar de top-rope na "O Rio de Janeiro continua lindo". Depois de escalar a via e calcular uma maneira de não morrer em caso de queda, fiquei muito empolgado em equipá-la para guiar, mas durante a entrada do Grilo na via o sol já impossibilitava qualquer tentativa sã para aquele dia. Devido a parte técnica final, e mais exposta, a via se torna muito perigosa diante do intenso calor do sol que pode tornar a diversão em problema. E como essa modalidade de subir preda exige mais atributos e habilidades do que simplesmente apertar a preda e fazer força, foi decisão unânime que recolhêssemos nosso banquinho e saíssemos de fininho deixando essa para a próxima visita.


Fotos: Guilherme Taboada "Grilo"
www.riophotoclimb.blogspot.com

Por Bernardo Biê

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Mais uma visita a Passa Vinte

Desta vez fomos Eu, Pedro Stabile, Lucas "Jah" e Brito "Audaz" mais uma vez em direção e imensa gruta de Passa Vinte, Minas Gerais.

Com o intuito de passar mais um fim de semana escalando no grande negativo da Gruta, nos dividimos pois, diferente dos meus amigos, meu interesse era outro.

Enquanto uma dupla escalava, eu requisitava a segurança para conquistar mais uma via na falésia. Foi iniciada a via "Divina Providência" na parte vertical da pedra, já que em todas as visitas que fiz a Gruta, sempre quis escalar na parte de baixo da falésia, além de achar necessário uma via mais "acessivel" em relação ao nível de dificuldade.

Pra ser sincero, pensei inicialmente no meu Mestre de vida e grande irmão Inácio Xavier que aos 59 anos de idade da aula de sabedoria e esbanja energia surpreendendo a todos a sua volta, tendo iniciado a escalada há apenas 2 anos atráz.

Queria muito que ele pudesse nos acompanhar em nossas aventuras pelas pedras do local e foi essa a maior motivação que tive para iniciar os trabalhos. Comecei a conquista mais pro final do dia e tive que interromper ainda nos 10 primeiros metros devido a falta de luz natural.

Após o primeiro dia de escalada o escalador Lucas "Jah" passou tranquilamente por todas as vias mais frequentadas, tendo feito praticamente flash e de segunda tentativa, mostrando aptidão obtida nos últimos meses que passou pelas falésia européias. Entre elas a via "Entre a sombra e a escuridão" de segunda tentativa e totalmente no breu, por volta das 20h da noite.

O escalador Brito "Audaz", maior frequentador do local, teve ainda a oportunidade de repetir a via "Gênesis" recentemente encadenada por ele, assim como o fotográfo e escalador Pedro Stabile deu show escalando a via "Tapa na Cara" a noite.


Clip com imagens e depoimentos da ultima trip para Passa Vinte

No segundo dia, domingo, iniciamos os trabalhos mais tarde pois queriamos curtir um café da manhã diferente e resolvemos nos banhar no pequeno corrego que existe no local. Aproveitamos para energizar as baterias com luz solar e muitas gargalhadas.

No fim do dia estavamos todos satisfeitos e com a alma lavada. A via nova não pôde ser concluída, faltando apenas 10 metros para o final. Até o momento alcança entorno de 20 metros com 6 proteções, tendo sido conquistada em livre a base de pura adrenalina.

Na próxima visita ela será acabada e receberá novas proteções, além de ser devidamente limpa e preparada para receber novas ascensões. Tendo sido proposto algo entorno de 7? num estilo bem de parede, com domínios e passadas técnicas.

Então fica ai mais uma opção acessível para a galera se divertir. Em breve postarei croqui e maiores informações. E mais uma visita a essa incrível falésia!!!

Por Bernardo Biê

Ajude o destaque da nova geração Pedro Gomes a ir ao Mundial Juvenil

Grande talento da nova geração de escaladores brasileiros, o jovem Pedro Gomes lança uma rifa para ajudar as custas para a ida ao Mundial Juvenil, a qual vale um quadro de Jorge Gomes.

O campeonato acontecerá em Agosto na cidade de Valence, na França. Pedro irá para o Velho Continente como o único atleta masculino representante do Estado do Rio de Janeiro.

A rifa tem um custo de R$10,00 (dez reais) e equivale a um "Vale Quadro Jorge Gomes", que dá direito a um acrílico sobre tela de 120cm x 140cm.

O sorteio da rifa correrá pela Loteria Federal no dia 31 de Julho de 2009 e será divulgado aqui no blog. Ganhará o "Vale Quadro Jorge Gomes" o bilhete cujos três algarismos corresponderem aos últimos três algarismos do resultado da Loteria Federal.

Caso os números sorteados não batam com os bilhetes vendidos, valerá o próximo sorteiro da Loteria Federal no dia 3 de Agosto, e assim por diante.

Para mais detalhes e informações acesse FAMILIA BUSCA PEDRA.

Participem!!!


Por Bernardo Biê

terça-feira, 26 de maio de 2009

Passagem dos Olhos - Pedra da Gávea

Nessa última segunda-feira (25/maio) após alguns desencontros e falta de sincronismo nas agendas, finalmente tive a oportunidade de escalar com o ilustre e excelente escalador Rodrigo Gouveia, o "Risada", numa das vias mais belas e sensacionais do Estado. Cotada entre as "Top 10" pela maioria dos escaladores e indispensável no roteiro para todos que por aqui se aventuram, a Passagem dos Olhos (3º IIIsup, 170m) situada na Pedra da Gávea, foi a via escolhida para a confraternização.


Acima o traçado vermelho indica a tragetória da via "Passagem dos Olhos"

Com incrível visual panorâmico de parte das regiões Oeste e Sul da Capital, além do vislumbre entre o Oceano Atlântico e as maravilhosas montanhas cariocas, o passeio conta ainda com o bônus terapêutico de 40 minutos de trilha íngreme até a base da escalada proporcionando longos papos essenciais para colocar as novidades em dia e sintonizar a vibração entre a cordada.



Primeiros Raios de luz visto do olho da Pedra da Gávea

Como não sobra tempo hábil durante o fim de semana, devido ao incansável fanatismo atribuído a prática da escalada esportiva, e nos dias de semana devido o primordial compromisso diário com o trabalho em tempo integral, a escalada teve que ser iniciada a noite, sem pressa para retornar, sem hora para terminar.

Nascer do sol visto do olho esquerdo da "Face do Imperador" - Via: "Passagem do Olhos"

Sob constante vigília da lua nova que pairava no céu, sobre as milhares de luzes, sons e caos babilônicos que se estabeleciam abaixo de nossos pés, a fluidez e harmonia da escalada estavam garantidas devido a paz e tranquilidade que a imponente Pedra da Gávea (com seus 842 metros acima do nível do mar) nos proporcionou durante os aproximados 170 metros horizontais de escalada.


Rodrigo "Risada" no olho esquerdo da "Passagem dos Olhos" - Pedra da Gávea

Com todos os pontos a favor para um possível bivaque na via, exceto pela falta de agasalhos e comida (já que essa não era a proposta inicial), a idéia acabou se concretizando ao acessar o "Olho do Imperador" (grande cavidade que compõe o olho esquerdo da face da Pedra da Gávea que pode ser vista de alguns pontos do chão). Mesmo tendo feito a trilha e a via até aquele ponto numa velocidade considerada rápida, a sensação térmica e a deslumbrante paisagem eram grandes atrativos para uma tranquila noite de sono envolto numa das formações rochosas mais antigas do mundo, além de inúmeros mistérios, lendas e crenças que rodeiam aquela montanha instigarem e estimularem a imaginação humana há diversos e incontáveis anos.


Escalador Rodrigo "Risada" sob os primeiros raios de sol

Aproveitamos a favorável ocasião e a energia lunar para meditar e orar sob a iluminação do Fogo Sagrado por alguns minutos antes de dormir, ritual que se repetiu ao contemplar o maravilhoso nascer do sol que iniciara no horizonte.


Fogo Sagrado iluminando a escuridão

Após fazer o cabo de aço que sai do olho e dá acesso ao cume, tivemos alguns contratempos na chegada e resolvemos retornar fazendo o trajeto inverso da via até a base de acesso. Descemos caltelosamente a trilha devido a insesperada presença de um grupo de pessoas não muito, digamos amistosas, que desciam na nossa frente.

Como já estava encima da hora, tive que correr para casa para não me atrasar no trabalho, mas para quem tem tempo sobrando vale uma passada na chamada "cachoeira" para recarregar as energias e refrescar o corpo.

Fica ai a sugestão para quem ainda não conhece esse passeio que vale muito a pena!


Fotos e vídeo: Arquivo pessoal.

Por Bernardo Biê

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Projetos em vista 2

Recentemente o País tem sido afetado por mais um "boom" da escalada esportiva. Com as recentes ascensões de vias extremas protagonizadas por escaladores e conquistadores da nova safra nacional e o aumento do contato com o mundo vertical internacional, mais uma vez, novos horizontes são avistados e a continuidade do desenvolvimento e evolução do esporte é crescente nos principais pólos dessa modalidade.

No começo do ano, após retornar de extensa viagem ao continente Europeu, o escalador Lucas "Jah" Marques vislumbrou a possibilidade de atravessar quase toda a extensão da falésia "Campo Escola 2000", localizada no Parque Nacional da Tijuca-RJ, através da união das vias "Transamazonica" e "História sem fim", totalizando aproximados 30 metros de travessia em mais um projeto promissor.
Projeto "Transamazonica sem fim"
Para quem não sabe, a via "Transamazonica" já é uma travessia que passa por várias vias e termina na corrente do final da "Coquetel de Energia", tendo sido cotada em 8a+ (10aBRA). Apartir desse ponto, a proposta do projeto é continuar a travessia por mais uns 6 ou 7 metros passando por um boulder bem definido até conectar no segundo crux da via "História sem fim", cotada em 8b+ (10cBRA).Croqui do C.E. 2000, detalhe para o pontilhado Branco (via #19) que sai da via #2 e atravessa a falésia até o final das vias #12 e #13.
Recentemente a conexão entre as vias foi isolada pelo próprio escalador que posteriormente colocou na sequência os quase 120 movimentos com apenas duas quedas, firmando a possibilidade para futura ascensão.
"Jah" no link entre as vias: "Transamazonica" e "História sem fim", chamado de "Transamazonica sem fim".
Quanto a dificuldade, não se têm certeza ainda, porém pode ser afirmado se tratar de mais uma proposta de 8c (11a BRA) na falésia que já conta com mais duas propostas nesse patamar, sendo elas: "Coquetel de Energia extensão" e "Iziquizira sem fim", além de projetos mais antigos como: "Absinto"; "Assuntos Pendentes"; "Garoto Enxaqueca"; "Iziquizira"; "Carta na Manga". Todos sem confirmação de grau.

"Jah" no movimento crucial do projeto.
Quanto a característica do projeto Lucas diz que se trata de um mix entre força e resistência com uma "pitada" boulderística e momentos adrenantes, como a exposição de toda a extensão do link entre as vias, algo entorno de 7 metros sem proteção.
Na sequência, fotos dos movimentos do crux:





Relato de Lucas "Jah" sobre o projeto e o momento que está vivendo na escalada:

"............Caracaaaa ,,,, e esse projeto e muiitooo locoooo,,,, muitooo loco!!!!!! uma continuidade no ce2000....quem diria,,, as vias terminam em torno dos 30...40 movss,,,, e agora essa com mais de 100 movsss ,,,, ]]]]]]]]] uaaaaaaaaaaa piracaooooo!!!!!! ,,, e ta muito loco buscar motivacao pra isso ja que nao há outra maneira de ficar bem na via a nao ser malhando nela , e normalmente tenho um pega somente por dia pois a pele vai embora inevitavelmente apos estes cento e blau movs... penso ser em torno de 120movs.....Falando em treino ,seria incrivel se existisse uma academia de qualidade aqui no Rio de Janeiro,é o que esta faltando para a comunidade local.... seria ouutro papo,,,,, mas ja que nao há , procuro estar por lá dia sim dia nao,,,uma estrategia simples porem um pouco massiva,,,,,.... e sobre o bie flar q falta pouco,,, respondo que nao pois a via é muito extensa e mesmo passando o crux do link (crux principal ) depois e osso more fazer o proximo crux na sequencia,,,,,,,,,, vamos ver,,,, nunca se sabe né......a vida é uma caixinha de surpresas,se flando em climb entao... hahahhahaaaa....
Quero agradecer a galera que vem apoiando e dando suporte para poder viver o climb sem trabalhar,,........parece perfeito e facil mas nao é......ok tudo bem... é perfeito.......ob.Sen!!!!!
Agradecimentos- Minha familia pelo carinho e amor a distancia e graninha por mes que nao é muita mas com o milagre da multiplicacao se torna na verdade o necessario........,,,,,Hugo e Mila por me deixar morar de homeless em sua casa e nunca pagar aluguel---surrealllllsalvacao!!!-----,,,,Bie - por me salvar no rango e na casa, é sempre bom nao crowdear uma casa so,,, Lipe... pelo beta na via ,ele é Mestre do climb......Cedar pelas palavras de libertacao e tbm por divulgar o esporte......Bintang www.bintang.com.br pois c nao fosse eles provavelmente eu estaria andando igual um mendigo com roupas velhas e rasgadas....(nao tenho problema nenhum com isso ,o problema e a sociedade,,, escrota....),,,. e tantos outros que sempre me salvam de alguma maneira , sendo numa atitude fisica mundana ou qualquer outra que venha proporcionar todos estes momentos magicos de climb em plenas manhas nos dias de semana....................................... Gratidao sem palavras........!!!!!!! VEEENGAAAAA!!!!!!!!!!
_________________Lucas Marques"
Em breve estarei postando fotos e vídeos da cadena. Que assim seja!
Fotos: Pedro Stabile
Croqui: Croquiteca da FEMERJ

Por Bernardo Biê

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Guerra dos mundos, Paz na Terra!

A via "Guerra dos Mundos" uma dentre muitas equipada pelo polivalente escalador carioca Eduardo "Barão", localizada na Barrinha (Rio de Janeiro, Barra da Tijuca), recebeu recentemente mais uma ascensão. 

Bernardo Biê na primeira parte da via "Guerra dos Mundos"

Depois do carioca Daniel Hans "Coçada" e do brasiliense Pedro Raphael, respectivamente 1ª ascensão e 1ª repetição, a via recebeu sua 2ª repetição com a ascensão desse que vos escreve. 

Bernardo Biê na primera parte da via "Guerra dos Mundos"

O curioso é que na verdade a via em questão nunca teve realmente ascensão, pelo fato de que ela só foi sequênciada até a ante-penúltima proteção (até ali cotada em 10b brasileiro ou 8b francês) restando portanto mais duas proteções, o que soma mais ou menos 10 metros de via totalizando aproximadamente 35 metros do chão ao topo.

Bernardo Biê no primeiro crux da via "Guerra dos Mundos"

Devido ao grande atrito causado na corda, foi proposto que a via fosse escalada com duas cordas ou terminasse no ponto onde ainda seria possível suportar o atrito, no caso o ponto onde foi escalado até agora.

Escalador no descanso principal da via "Guerra dos Mundos"

Depois de estudar e isolar os movimentos entre a ante-penúltima e a última proteção, além é claro de sequênciar a via até onde foi feito outrora, tenho a leve impressão que a via passa por mais um crux podendo sofrer uma "supercotação" (somando assim mais uma letra e até duas ao grau sugerido), portanto alcançando o patamar do 11º grau, mas quero lembrar que isso não passa de especulação. 

Bernardo Biê no crux principal da via "Guerra dos Mundos"

Em breve pretendo postar maiores esclarecimentos do próprio conquistador sobre a polêmica da via e, quem sabe, a notícia da ascensão integral que ainda busco. 

A esquerda o domínio do tetinho e a direita puxando corda p costurar a ante-penúltima

Fotos: Joana "Bertuci"

Por Bernardo Biê

terça-feira, 14 de abril de 2009

Velhas Novidades

Atrás de autorização para manutenção de algumas vias, pude trocar uma rápida idéia com o escalador Ricardo Zugliani (gente finíssima por sinal), que junto com outros, conquistou várias vias pelo estado do RJ incluindo a falésia da Asa Delta, muitas delas em lugares pouquíssimo frequentados como a própria "Asa Delta" se encontra nos dias de hoje. Para minha surpresa descobri que existem diversas falésias literalmente "em baixo do meu nariz" e a maioria delas contam com características, digamos, atípicas. Até então muitas vias sem ascensão e projetos futuristas que aguardam confirmação de graduação e principalmente magnésio em suas agarras.

São falésias localizadas a beira mar e que, provavelmente, estão precisando de manutenção devido a oxidação que é causada pela salobridade do ambiente em proteções não inoxidáveis. Algumas delas já tinha ouvido falar, como a própria "Falésia fantasma" e seu impressionante projeto de 22 proteções, como também a falésia de São Conrado que sempre passei perto mas nunca desconfiei que existia algo assim ali. Entre outras.

São alguns dos lugares que em breve estarei visitando e, quem sabe, deixando novamente "magnetizada" com marcas brancas nas agarras.

Segue algumas fotos e informações enviadas e cedidas gentilmente pelo próprio Ricardo Zugliani para que demais escaladores tomem partido desses lugares incríveis e que a tanto tempo estão esquecidos. Escalada nova para abrir novos horizontes por pespectivas diferentes, motivando cada vez mais a galera fissurada das predas.


Falésia de São Conrado, canto direito da praia de São Conrado mais conhecido como "Pepino" 


Croqui e anotações dos conquistadores da falésia de São conrado


Falésia Fantasma, Paineiras-RJ


Informações dos conquistadores sobre da Falésia Fantasma 


Croqui e anotações dos conquistadores sobre a Falésia Fantasma


Falésia Êxtase, no costão da Av. Niemayer que liga o Leblon a São Conrado

Descrição e informações dos conquistadores sobre a falésia Êxtase

Croqui dos conquistadores da falésia Êxtase


Falésia Dona Marta

Informações e croqui dos conquistdores da falésia Dona Marta

Fotos e informações: Arquivo pessoal de Ricardo Zugliani e Marcelo "Pedal Verde".

Por Bernardo Biê






V14 brasileiro

Foi Publicado no site www.escaladabrasil.com a ascensão do primeiro problema de boulder do Brasil cotado em V14.

Segue a matéria:

O Bele nos enviou este release contando como foi esta batalhada conquista do V14 e que agora passamos  para vocês:


Belê no problema "Dia Santo" em São Bento do Sapucaí-SP

Nesta sexta-feira santa, dia 10/04, mais um projeto é derrubado em São Bento do Sapucaí, desta vez foi um boulder que segue por um negativo de 60 graus com aproximadamente 17 movimentos bem duros que se alternam entre passagens explosivas e isométricas. O boulder recebeu no mesmo dia, duas cadenas seguidas, por Leandro “Pardal” com o FA e a segunda por André “Belê” e recebeu o nome de “ O dia Santo” por ser realizado durante o feriado da semana Santa e pela dupla cadena. Se trata de uma linha visualizada em 2001 durante a 1ª edição do Blox, no Serrano, mas na época a inclinação e tipo de agarras o deixaram para um outro momento, pois a escalada naquela época, ainda não tinha nível ou visão para investir tentativas para aquela linha. Passados vários anos e com a evolução principalmente da modalidade Boulder, muitos projetos de nível altos foram encadenados, não só aqui no Brasil, mas por escaladores fora do país, trazendo uma boa bagagem e motivação para elevar nossa escalada nessa modalidade e se aproximar do nível mundial.



Leandro "Pardal" tentando o "Dia Santo"

Após ter encadenado o “Bacanas SDS” V13, e outras linhas em Ubatuba, a “caça” a novas linhas e projetos foi intensa, em 2007 ao recordar da linha do Blox, imediatamente dei início a limpeza e deste bloco impressionante por sua inclinação, tipo de agarras e movimentação, mas por se tratar de uma linha onde retirar os pés do chão já era duro, acabei deixando de lado, mas em outubro de 2008, o escalador local Leandro “Pardal”, começou a investir no bloco e assim no feriado da virada deste ano, começamos a trabalhar juntos o boulder, e quanto a “trabalhar”, me refiro não só a gastar dedo, pele e se acabar de fazer força escalando, me refiro também e muitas enxadadas, pedras roladas e base ajeitada para tentar deixar a colocação dos crahs mais segura possível, essa foi uma época que aproveitamos para realizar estes trabalhos, pois se trata de um período chuvoso na região e escalar nestas condições estavam praticamente impossível, mas a motivação era tamanha, que mesmo com as agarras molhadas ou em péssimas condições a idéia foi tentar se aprimorar na movimentação e inclinação, trabalhar movimentos que isolados são por si, muito duros a cada passada, e com a teoria de que se trabalhássemos nestas condições, ao encontrar uma temperatura mais amena ou um frio ideal, a cadena estaria mais que encaminhada.

Desde o início do ano, praticamente todos os finais de semana foram dedicados a esta linha, Pardal durante a semana fazia suas tentativas direto no boulder e eu durante a semana resolvi recriar os movimentos do boulder na Casa de Pedra, dividido em duas partes principais e muitos próximos em estilo de agarras, inclinação e medidas entre as agarras, e sem dúvida foi uma experiência muito válida e que pode servir daqui em diante para tentar alcançar qualquer objetivo em rocha para qualquer nível.




Leandro "Pardal" no dinâmico final do problema "O dia santo"

Com “tapas” no último movimento acontecendo há várias tentativas, o feriado da sexta-feira santa acabou entrando para a história não só pelo feriado nacional, mas também como um dia importante para a escalada nacional com um passo importante na evolução nacional, pois se trata de um boulder com uma graduação proposta em algo próximo ao máximo mundial, prova de que na modalidade boulder não estamos tão na retaguarda dos “gringos”.

Mais uma vez salientamos que se trata de uma proposta, e assim precisamos de repetições para confirmar a graduação, o fato é que vários escaladores renomados provaram a linha e constatam ser um boulder muito duro, mas com as próximas repetições ou com a presença de alguém de fora que tenha V14s na bagagem para poder confirmar tal graduação.

Muito obrigado a todos envolvidos na imensa energia positiva e motivação direcionada para que a cadena fosse possível, desde Lelo e Patinho na remoção de pedras e lama, até nossas companheiras Ligia e Nívea pela imensa paciência e companhia a cada tentativa.


Leandro “Pardal”

Escalador da Pardal Ressolas.


André “Belê”

Escalador apoiado: Conquista equipamentos, Casa de Pedra, e Endorphine óculos esportivos.


(Colaboração do Blog da Lojinha de Escalada)

Fotos e Fonte: www.escaladabrasil.com

sábado, 4 de abril de 2009

Fim de semana na Disneylândia carioca

Depois de uma semana de chuvas forte no Rio finalmente eis que chega a tão esperada sexta-feira. Como de costume são disparadas várias ligações para amigos escaladores com o intuito de combinar com a galera vibe pra fazer aquela "farofa" nas predas e, como sempre, ouvi um "não vai dar pra mim" ali, outro "talvez role" aqui, um "tenho que buscar minha moto", outro "vai tá tudo molhado" e "já marquei com fulano para ir em tal lugar" e por ai vai. 
Arno e Biê na base do Totem
Alguns desanimaram por causa da água que vem caindo na cidade, outros preferiram ficar de verme mesmo, mas esse não foi o caso de Arno, um escalador curitibano gente finíssima que está residindo no Rio já faz alguns anos e escalando muito desde então. Pessoa de caráter bem ameno, tranquilo e pacato, escalador experiente e competente, muitos metros de rocha ariba dentre bons anos de prática fanática além de muita motivação.

                   
                                                      Arno na base do Totem

Arno guiando a 1ª enfiada da via "As lacas também ama"

Nada melhor do que uma parceria assim para subir as 6 enfiadas que havia planejado durante a semana inteira, além da enorme saudade de escalar nesse pico fantástico que é o Totem.

                  
PH e Biê na parada final da via "Lacas também amam"

Para aqueles que não conhecem ou nunca ouviram falar, o Totem fica na face sul do Pão de Açúcar e tem aproximadamente 300 metros de altura. Seu croqui faz parte do acervo da croquiteca da FEMERJ e está disponível no site: www.carioca.org.br.

Arno na via "Revolta dos Gravatás"

O local não poderia ser melhor, uma montanha perto de casa e de fácil acesso. A via então nem se fala, um passeio delicioso que mescla enfiadas com inclinações negativas, compostas desde agarras pequenas e quebradiças até fendas limpas e perfeitas, terminando com um positivo, digamos, chato.


Arno na via "Revolta dos Gravatás"

Super instigado acordei cedinho e cheio de disposição. Embarquei num busão e em pouco mais de 30 minutos (que maravilha é o Rio!!!) já aguardava meu parceiro de cordada conforme o combinado. Fizemos a trilha em ritmo constante e ao chegarmos na base já havia na via uma cordada composta por Paulo Henrique "PH" e Miguel, inclusive tinha comentado sobre essa possibilidade durante a trilha já que o clima estava perfeito. Aguardamos alguns minutos e assim que foi possível entramos de bicho na parede. Fomos escalando devagar a medida que a cordada de cima evoluía. Estava tudo seco e aderente, lembrando os dias de temporada que estariam por vir. Para melhorar, ainda batia uma leve brisa litorânea que refrescava o corpo. Muita curtição nas primeiras 4 enfiadas. Tiramos algumas fotos nas paradas para passar o tempo enquanto aguardávamos a cordada de cima evoluir. 

Nosso itinerário era o clássico, começava na "Sica em frente", em seguida "Limiar das lacas", as duas enfiadas da "As lacas também amam" e a "Revolta dos Gravatás" terminando no cume acessando a última enfiada do "Lagartão".

Pi-ra-mos ao escalar a fenda da segunda enfiada da "As lacas também amam" toda em livre e sem uma proteção se quer, coisa de loco...

Ao escalar pela primeira vez a enfiada da "Revolta dos Gravatás", Arno teve a agradável surpresa de descobrir o que essa parede tem de melhor. Com aproximadamente 30 metros de fenda constante - "essa é uma das melhores vias que já escalei", exaltava ele - o que dá o, digamos, charme a essa escalada magnífica.


Arno no lace do crux da via "Revolta dos Gravatás"

Posso dizer que essa é uma das rotas mais divertidas dessa parede. Um prato cheio para quem gosta de unir o estilo "atlético esportivo" ao "clássico de parede". 


Arno na última enfidada da via "Lagartão" que dá acesso ao cume

O que explica o título dessa postagem e que ao longo da minha infância, como qualquer garoto, sempre quis visitar a Disneyland em Orlando-USA, mas nunca tive a oportunidade. Após todos esses anos minha mãe outro dia veio me perguntar se eu não gostaria de ir para lá, porém os anos se passaram, o modo como vejo a vida e como me divirto mudou, além é claro, não tenho mais idade para isso. Talvez ela não tenha entendido muito (com certeza não entendeu) quando respondi que a minha Disneylândia era aqui e se chamava "Totem", e aos que já tiveram a oportunidade de estar lá sabe do que estou falando.

Fotos: Bernardo Biê e Paulo Henrique "PH"

Por Bernardo Biê 

terça-feira, 24 de março de 2009

Brasil Internacional

A equipe de escaladores/highliners/basejumpers americanos compostas por Cedar Wright, Tim Kemple, Sean "Stanley" Leary, Renan Ozturk e Sender Filmes estão pirando no Rio de Janeiro onde passaram algo entorno de 3 semanas sendo guiados pelo também escalador/highliner/basejumper, Hugo Langel. 

A equipe está tendo a oportunidade de conhecer o que a cidade tem de melhor. 

                                                   Clip do Highline na Pedra da Gávea

Depois de uma expedição pela Patagônia Argentina onde gravaram cenas para o documentário em homenagem a uma das maiores escaladora do mundo, Roberta Nunes, os caras aterrizaram no Rio e ainda tiveram como destino picos de escaladas no Paraná e Curitiba. Estão deslumbrados com a diversidade de esportes praticados ao ar livre, com a boa vibração dos brasileiros, a qualidade da escalada no País além, é claro, do delicioso Açaí na tigela com granola e proteinato de cálcio.  

Hugo traçou o roteiro ideal para quem gosta de aventuras desse tipo, com direito a highline na Pedra da Gávea, escaladas no Totem do Pão de Açucar até saltos inéditos de Base Jump de prédios pela região. As imagens captadas são de encher os olhos de qualquer cineasta e os cenários não deixam a desejar, sendo comparado a lugares consagrados no mundo vertical. 


                                 Clipe produzido por Renan Ozturk 

Além de aproveitar as maravilhas tupiniquins eles estão produzindo dois vídeos sobre escalada, slackline highline e base jump, além do documentário em homenagem a escaladora Roberta Nunes que está sendo feito para a National Geografic em parceria com a Sender Filmes. 

Mais detalhes sobre a visita pode ser conferido no blog da trip: www.verticalcanival.blogspot.com  


Por Bernardo Biê