segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Terra Ronca - Nova escalada do Goiás - Brasil



     


             Tudo começou quando alguns amigos de Brasília comentaram sobre o lugar, em 2009 na serra do cipó. Depois de algum tempo fizemos uma visita de 1 dia apenas, logo após o evento de Boulder de Cocalzinho 2010.2 para reconhecimento da área. Haviam algumas vias (3 ou 4) antigas e não tínhamos tempo para escalar. O clima também fazia a formação rochosa parecer fraca devido a alta umidade.

Era difícil entender a proporção dos tamanhos em relação a outros lugares já visitados.
             
         Foi necessário dar todo aquele "rolê" pela europa para poder entender o significado de tudo que encontramos em Terra Ronca, voltando da viagem agora ficou nítida a imponência da escalada.  Por outro lado já imaginava ter algo assim pelo Brasil mas faltava viajar mais... Buscar fora do circuito SP, MG, RJ e Sul. Seria importante saber "classificar" as novas áreas ou setores encontrados para então decidir a viabilização de tempo/trabalho para abertura de vias...

Chegando lá pela segunda vez, outra impressão...



                 Existe muita escalada no local, a formação rochosa começa bem antes do Parque Nacional de Terra Ronca e vem margeando toda a estrada de terra que liga Guarani a São domingos, "Terra Ronca" fica localizada entre as duas cidades. São inúmeros setores a serem abertos, dos mais diversos estilos e tamanhos. "Imagino" ser algo em torno de 15 a 20 km de extensão o afloramento de calcáreo da região, divididos em blocos ou agrupamentos (ex. G3, G1, ...).






Chegamos e fomos direto para o principal setor que se chama "Terra ronca 1", aonde se localiza a pequena vila. A sequência mais lógica para conhecer bem o local é entrar pela caverna principal e ir seguindo a trilha que vai margeando o pequeno rio e que leva aos devidos setores, sendo eles: Terra ronca 1 , Setor Pesqueiro, Placa Norte e Sul, Tailândia e Terra ronca 2. Tudo isso é na verdade um vale formado pela corrente d'água que corta toda a terra...
Paredes incríveis!!! 

                                             





















Seguimos os dias escalando bem "tranquilos" nas vias antigas, terminando e provando "es brutal" de Pedro Raphael que se localiza ao lado esquerdo da primeira caverna e também desbravando qualquer rocha ou caverna que parecesse ter alguma possibilidade de escalada. O foco mais uma vez foi chegar e conhecer melhor o lugar, para avaliar e escalar com calma o que já haviam aberto e então abrir alguma nova linha. Detalhe importante a ser ressaltado é que ainda não existe autorização definitiva sobre abertura de vias e escalada no Parque Nacional da Terra Ronca. É necessário que a federação de escalada do respectivo estado junto aos escaladores locais (Bsb e Go), se movimente para uma negociação junto ao Parque. Recentemente houve uma "intervensão" por parte de responsáveis no local e está proibida a escalada e rapel nas cavernas. Fica a vontade...




                                                      "Es Brutal" 8b- 5.12b - 7b(fr)
      
           


O local com sua energia e pureza é capaz de alterar o "tempo" real... Alguns dias em paz e outros em excitacão e adrenalina, seja como for, tudo parece relacionado aonde estamos (corpo e alma) realmente. "Terra Ronca" trouxe muita paz e tranquilidade...

 

 

"Caverna Angélica"

Por ser um local intocado e muito visitado para prática de espeleologia, penso ser um local para ser "respeitado" e não apropriado para aberturas de vias. Agora a parte das bordas pode ser que não exista impacto significante para o local.
Formações psicodélicas...


"Borda externa" ou "testa central" da caverna.





 






Ramiro psicodelizando...









          Após a visitação/espeleologia na "Angélica" focamos na parte final da viagem que consistia em escalar na "Tailândia" e abrir uma linha na "Terra Ronca 2", que são os setores mais distantes.
Tailândia é um setor que vai deixar as pessoas com uma sensação especial. Não sei descrever mas imagino que a pequena praia no local misturada com a água corrente possa ser causadora desse estranho e maravilhoso sentimento, é a paz total...






                        


Por fim faltando 2 dias para o fim da viagem, estendemos uma linha no "segundo andar" e começamos a via "Loucos e tolos" no Anfiteatro, "Terra Ronca 2".


Terra ronca 2 - "Segundo andar" à esquerda e "Grande parede" à direita. 

Essa última conta com 3 cordadas curtas de aproximadamente 25mts e ainda está por abrir mais 3 cordadas para acessar o final da parede. Praticamente uma parede de escalada esportiva... O nome surgiu após o dia da abertura das 2 primeiras cordadas que foi praticamente feita em móvel ou diria laços nas "alças"da formação frágil e mais algumas chapas na segunda parte aonde era tudo podre ou relativamente de má qualidade. Foi aquela aventura!!! Mariela que acompanhava a abertura da via comenta:_é, deus protege os loucos e os tolos...dai o nome...rs.


"Grande parede" vista de baixo...

Foi uma brincadeira mas também o nome da via marca uma fase aonde errar já não é mais aceitável e o "louco" pode se transformar em "tolo"...rs

Muita atênção é necessária pois as agarras se quebram com facilidade e os boults nem sempre estão "solidos" na primeira parte. A segunda parte da parede (3a cordada) já conta com proteções totalmente sólidas e a via fica mais limpa. A primeira cordada é uma escalada em "saias" ou "cogumelos" que formam uma escada para acessar um pequeno platô. A segunda cordada, chorreiras, off-with e chaminé/tesoura. 

A via começa saindo da água com uma chapa para reunião/organização de equipo.

 



 
 
2a cordada.

 



 
A terceira é a mais difícil até agora e ainda não está finalizada, contando com lances em agarras pequenas em um negativo expressivo. 8a+? 8a? Ainda imagino faltar 3 cordadas para o fim da parede mas com o "impedimento" por parte do parque fica impossibilitado o término da via.


 
Sequência insâna dos tetos no segundo andar. Terra ronca 2.
 
Não foi e nunca será fácil viver o "sonho" de escalar em terra ronca, a distância e a "janela" de temporada será um dos fatores limitadores para o acesso da área, que por outro lado irá proteger o local e conservar o "ar" de paraíso. Desejo a todos uma incrível experiência um dia quem sabe escalando nos "desplomes" fanáticos desse templo perdido...

Que o sonho "terraronca" seja realizado!!!!

Boas Escaladas....

 


sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Escalada no Irmão Maior do Leblon - Vias Baden Powell e Patrick White

Recentemente tive a oportunidade de repetir a via "Baden Powell", localizada no Irmão Maior. Como o nome já diz, é a maior pedra entre os Dois Irmãos do Leblon. Fomos em duas duplas escalar os 300 metros de parede de uma das mais gostosas escaladas da região. Com dificuldade moderada e movimentação diversificada, a via "Baden Powell" - na minha opnião - está entre as escaladas cinco estrelas da cidade.

Fábio Carneiro na via "Baden Powell" - foto: Luiz Armando.

Depois de muito passar por essa montanha, sempre alimentando a vontade de escalar aquela bela face vertical que fica virada para o bairro da Rocinha, finalmente tornou-se possível com a pacificação do local e lá estávamos caminhando em direção a realização de mais essa escalada.

Um dos grampos originais da conquista de 1960.

Tivemos muitos momentos de pura contemplação durante a escalada, o dia estava perfeito com o clima ameno e o sol radiante. A vibração da equipe era contagiante, todos estavam completamente tomados pela beleza e plasticidade da via.
Luiz Armando "Izlu" na via "Baden Powell" - foto: Fábio Carneiro.

Depois de alguns imprevistos na trilha e uma baixa na equipe (um dos escaladores teve um problema muscular e foi obrigado a descer ainda na trilha de aproximação), concluímos a escalada com êxito total, alcançando o cume depois de 4 horas de escalada.

Luiz Armando "Izlu" na via "Baden Powell" - foto: Fábio Carneiro.

Dedicamos essa escalada ao nosso amigo Guilherme "Grilo" que teve um contratempo ainda na base da trilha e teve que adiar sua escalada nessa parede. 
 

Na foto acima as duas duplas no cume do Irmão Maior do Leblon. Da esqueda para a direita: Fábio Gollum, Bernardo Biê, Luiz Armando "Izlu" e Fábio Carneiro.

Escalada na via "Patrick White" no Irmão Maior do Leblon.

Depois de descansar um dia, voltamos em seguida para escalar a via mais desejada dessa montanha: "Patrick White" e seus lindos diedros. Essa é uma via que ficou muito tempo sem repetições devido a criminalidade nos arredores do bairro da Rocinha e no Morro do Vidigal, onde se dá respectivamente o acesso e a decida da via.

Fábio "Gollum" na Fissura Fócrates na via "Patrick White" - foto: Fábio Carneiro.

Combinamos os mesmos escaladores que estiveram na via "Baden Powell", mas dessa vez bem cedo. Como estávamos todos ansiosos para escalar essa mística parede, por uma via exigente e desconhecida por nós, começamos a caminhada ainda sem a luz do dia e em pouco mais de 40 minutos chegamos na base.

 
Bernardo Biê no fim da Fissura do pesadelo na via "Patrick White" - foto: Luiz Armando "Islu".

Lá pudemos vislumbrar aquilo que consideramos ser uma das mais belas vias de escalada do Rio de Janeiro, sendo um diedro saindo do chão e serpentenado por toda a parede até os olhos perderem de vista. Confesso que fiquei emocionado de ver aquilo no quintal de casa, a euforia tomava conta dos quartro escaladores que mais pareciam crianças diante da montanha russa de um parque de diversões. Como sabiamos que não seria brincadeira, começamos a separar os equipamentos e conversar sobre a logística da escalda.

Bernardo Biê no final da Fissura do pesadelo na via "Patrick White" - foto: Luiz Armando "Islu".

Fominha assumido, resolvi guiar todas as enfiadas e por isso preferi fechar a cordada com aquele que não se importasse em participar durante toda a escalda. Logo fechamos as duplas com Fábio "Gollum" e Luiz Armando "Islu" seguindo na dianteira, enquanto eu e Fábio Carneiro seguimos na cordada de baixo.

Fábio Carneiro e Bernardo Biê na base da Fissura 2001 da via "Patrick White" - foto: Luiz Armando "Islu".

Fábio "Gollum" acabou guiando todas as enfiadas da dupla de cima e mesmo estando afastado da escalada em parede, se destacou pela sagacidade pegando a dianteira forte nas guiadas. Destemido e audaz seguiu motivando todos nós que a cada lance torcíamos pelo seu sucesso com gritos de incentivo que lembravam muito o clima da escalada esportiva.

Fábio "Gollum" na Fissura 2001 da via "Patrick White" - foto: Luiz Armando "Islu".

Seguimos num ritmo cruzeiro, nem rápido nem devagar, curtindo o visual e as passadas sensacionais que a via nos presenteva a todo momento. Exigente em muitos lances expostos, em que além de distante os grampos também estavam em péssimas condições, a via segue por uma linha incrivelmente estética e ao mesmo tempo atlética, onde deve-se estar escalando bem em oposição na maioria das vezes com uma pitada de coragem para temperar o caldo
                                                                                                                                                                   
Direita: Bernardo Biê e Fábio Carneiro - Esquerda: Bernardo Biê e Luiz Armando "Islu".

No meio do dia já estávamos na última enfiada da via com o sol a pino, muito atípico nessa época do ano, mas felizes da vida por concluir essa escalada fantástica.

Bernardo Biê no final da Fissura 3 em 1 na via "Patrick White" - foto: Luiz Armando "Islu".

Essa é uma via muito indicada, uma das 5 melhores da cidade. Vale ressaltar que precisa ser regrampeada em alguns pontos e suas paradas duplicadas. Algumas peças móveis são fundamentais sendo pouco possível fazer sem esse tipo de equipamento.

Por Bernardo Biê

















sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Adriana Moura encadena a via "Filezão" 9c na Barrinha, RJ.

A escaladora carioca Adriana Moura acaba de entrar para o Hall das mulheres brasileiras a escalar uma via cotada em 9c (8a fr) com a cadena da via "Filezão" na falésia da Barrinha, RJ.

Adriana Moura na via "Filezão" - foto: Toti Jordan.

Depois de algum tempo se dedicando a esse projeto, a escaladora anuncia o sucesso de sua empreitada colocando seu nome na seleta lista das mulheres que conseguiram alcançar esse nível de dificuldade no Brasil. E não para por ai, Adriana está em busca de sua primeira via cotada em 10a.

Adriana Moura na via "Filezão" - foto: Toti Jordan.

Além dos projetos na escalada esportiva a escaladora também é conhecida na região por escalar diversas vias de parede, participando de cordadas em vias difíceis com escaladores de renome.

 
Adriana Moura na via "Filezão" - foto: Toti Jordan.










quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Episódio 8 "Montanhistas" Canal Off - Campo Escola 2000

Depois de escalar a Pedra do Elefante na região serrana do Rio de Janeiro, voltamos para a cidade maravilhosa dessa vez para mostrar um pouco da modalidade mais praticada do montanhismo nos dias de hoje: a escalada esportiva.

No coração de uma das maiores florestas urbanas do mundo, a Floresta da Tijuca, está localizada a falésia do Campo Escola 2000 que fica dentro do Parque Estadual da Tijuca (P.E.T.). Um dos lugares que fizeram parte da história e da evolução dessa modalidade no país.

Foi muito empolgante relembrar algumas histórias que passei com o Hugo, quando estávamos começando a escalar juntos e tentávamos as mesmas vias. Muito importante também foi tentar explicar um pouco sobre a diferença entre as modalidades do montanhismo, seus objetivos, características e exigências.

Flávio Passos na via "Zona Morta" - foto: Flávio Passos arquivo flickr.

Chegamos cedo no parque, visitamos uma cachoeira que costumávamos frequentar nos dias quentes, entre uma escalada e outra corriamos ali para tomar uma ducha e refrescar o forte calor do verão carioca. Fizemos a curta trilha que leva até a falésia, chegamos ainda cedo na base e não tinha ninguém escalando. Por ser uma escalada curta e rápida, é normal encontrar escaladores lá ou até mesmo grupo de crianças e escoteiros fazendo um giro pelas grutas ao redor.

Ali, na falésia do Campo Escola 2000, passamos alguns anos aprendendo a desenvolver a técnica e a força que esse tipo de escalada exige, conhecemos bem quase todas as vias porque foram nelas que nossa geração aprendeu a escalar.

 Felipe Assad na via "Migalhas Indecentes" - foto:Cláudio Brisighello.
 
Equipei a via "Coquetel de Energia" e aproveitei para escalar nela primeiro enquanto restava energia para isso. É uma via que exige muita concentração, porque as agarras são pequenas e os movimentos explosivos. Passei um bom tempo fazendo ela com uma queda e parecia que a cadena (termo usado para determinar o sucesso da escalada, que é quando o escalador sai do chão e vai até o topo da via sem quedas, apenas segurando na pedra com as mãos e os pés e sem usar pontos de apoios artificiais.) estava cada vez mais perto, quando infelizmente tive uma lesão que me obrigou a deixar de tentar a via. Apesar de estar bastante tempo sem escalar esse tipo de modalidade, entrei muito bem e no fim fiquei satisfeito com a tentativa, mas para preservar a pele dos dedos resolvi tentar outra via nesse mesmo dia. 

Bernardo Biê na via "Coquetel de Energia" - foto: Guilherme Taboada.

Era a vez do Hugo escalar e nada melhor do que uma das vias esportivas mais clássicas e bonitas que existe. A "Gosma Petzl" foi a via que juntos aprendemos muita coisa. Na época, a gente não imaginava onde a escalada e o montanhismo poderia nos levar. Ensaiamos muitas vezes os movimentos dessa via e sempre que tentávamos a tão sonhada cadena um apoiava o outro, incentivava como podia. No dia que o Hugo passou o lance que nos derrubava, ele finalmente conseguiu a cadena nessa via, de tão empolgante que foi eu subi e também consegui a cadena motivado pela gana que vi ele dando. O Hugo equipou a via e depois de descansar um pouco escalou como se tivesse entrado nela no dia anterior, mesmo fazendo longa data desde a última escalada nessa falésia.


Bernardo Biê na via "Coquetel de Energia" - foto: Guilherme Taboada.
 

 Já no final do dia com a pele dos dedos bem fina e comprometida, entrei na via "História sem fim" - que na minha opinião é a via com os movimentos mais plásticos da região. Exigente e prazerosa de escalar, essa via foi alvo de muita polêmica durante os anos seguintes a sua conquista, fez parte da história da escalada esportiva e foi mencionada anteriormente aqui no blog.

Os detalhes dessa história não são bem claros, mas ela foi um grande exemplo para a minha geração. Depois de todas histórias de superação por parte de uns e decepção por parte de outros, a via acabou não sendo escalada saindo do chão. Os escaladores se puxavam na corda até a primeira proteção para dali então começar a via, que dessa forma já era bem exigente e alcançava um alto nível de dificuldade. Quando comecei a tentar essa via, há alguns anos atrás, a possibilidade de fazer ela saindo do chão ao invés de puxar na corda até a primeira proteção já existia, mas era algo realmente dificil. Depois de muitas tentativas consegui sair do chão e chegar ao topo, concretizando o que seria a primeira cadena dessa via nos moldes que ela se encontra hoje - e que provavelmente será os moldes que as próximas gerações encontrarão...assim espero!

As escaladas no Campo Escola 2000, assim como todas as escaladas que fazemos independente do nível de dificuldade, proporcionam experiências e aprendizados que usamos na vida. Seja sobrevivendo num lugar hostil em grandes paredes, se desafiando em uma escalada esportiva extrema ou atravessando uma rua dentro da cidade, a vontade e a motivação de viver e sobreviver são as mesmas.


Por Bernardo Biê

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Episódio 6 e 7 "Montanhistas" Canal Off - Pedra do Elefante

De passagem pela Pedra do Elefante, estivemos no Abrigo do Elefante do escalador Ralf Cortês onde fomos experimentar as escaladas do local com o intuito de abrir um novo salto de B.A.S.E. jump. Empolgados com essa possibilidade que o Ralf sugeriu, um salto da Pedra do Elefante, fomos conhecer a região caminhando até a base da montanha. Aproveitamos para visualizar as linhas de escalada que dariam acesso ao ponto onde poderia surgir o salto, logo de cara vimos aquela coluna de cristal que serpenteava pela parede como que gritando para ser vista. Conversamos um pouco com o Ralf sobre a escolha da via, ele não demorou muito para perceber que fissuramos naquela coluna de cristal que depois viemos a saber que se chamava "Urutu". Ótimo nome por sinal, nada mais evidente do que o nome de uma serpente para aquilo que lembrava realmente uma serpente subindo pela montanha.

Bernardo Biê, Hugo Langel e Ralf Cortês escalando a via "Urutu" na Pedra do Elefante - foto: Seblen Mantovani / Canal Off

Logo cedo, seguimos para escalar a via "Urutu" e acessar o teto que fica depois da segunda enfiada da via para verificar as condições do possível salto que o Hugo e o Ralf visualizaram.

Quando chegamos na base da pedra fomos decidir quem seria o guia das enfiadas. Como nas outras escaladas tinha ficado com a maioria das enfiadas que queria guiar, dei ao Hugo a prioridade de escolher, sabendo que o que chamamos de "filé" (entende-se a melhor) seria a segunda enfiada - a tal coluna de cristal - sendo a primeira enfiada um acesso e a terceira enfiada aparentemente normal segundo aquilo que estamos acostumados a escalar, então a quarta enfiada o teto que é feito em artificial (técnica onde se sobe pelos equipamentos).

Como sempre, fominha toda vida, fiquei pertubando o Hugo para que eu fosse guiando a coluna de cristal da segunda enfiada e ele acabou cedendo, já que seu maior foco naquele momento era o salto. Foi uma boa estratégia para todos e a escalada foi alucinante para mim e para ele. O Hugo começou guiando a primeira, eu fiquei com a segunda e o Ralf mais uma vez deu aula de escalada na terceira enfiada. Depois de algumas horas estávamos na base do teto que caracteriza a quarta enfiada. Lá o vento não estava favorável, mesmo não sendo muito usual, deixamos os equipamentos de paraquedismo do Hugo na base do teto e fixamos as cordas para descer por elas e no dia seguinte subir sem precisar escalar até o ponto que paramos. E foi o que rolou, no dia seguinte lá estávamos jumareando pelas cordas fixas até a base do teto, onde escalei em artificial bem rápido para tentar acessar o ponto do salto e o Hugo chegar antes que o vento entrasse no vale. Tudo parecia perfeito, o vento não parecia tão forte e o Hugo estava super motivado para abrir aquele salto, mas não foi dessa vez, o vento não era forte mas segundo a avaliação do Hugo ele tinha uma direção muito perigosa podendo jogá-lo na pedra e como esse esporte não admite erros, Hugo decidiu deixar para uma próxima visita ao lugar a abertura dessa salto.

Descemos recolhendo as cordas fixas e todo o equipamento, resolvemos aproveitar o resto do dia experimentando os boulders e as escaladas esportivas do lugar com o Ralf e a Ana (esposa do Ralf). Quando chegamos ao local dos boulders, o casal estava tentando um boulder chamado "Seu vizinho". Bem técnico e difícil, só o Ralf conseguiu subir até o topo. Como a pele dos dedos já estavam bem desgastadas, resolvemos partir para conhecer uma via chamada "Tsá". Curta e grossa a via mais parecia um boulder de corda e ali acabamos de esforlar os dedos até sangrar. No fim do dia nos despedimos do Ralf, da Ana e do Abrigo do Elefante com a satisfação de escalar num dos melhores picos do Estado com um dos melhores e mais versáteis escaladores do Brasil, seguimos para a próxima aventura!

Por Bernardo Biê