quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

EuroTrip - 2a Parte

Logo após Mallorca voltei para Rodellar por uma semana, Albarracin e na sequência...
Siurana...............................fui em busca da minha liberdade...
É muito motivante a atmosfera aqui, simplesmente a cultura da escalada é tão forte que chega a ser uma coisa natural no dia a dia. Todo mundo escala e isso é muito motivante!!!
Sem falar também, quando se escala em setores como “El pati” ao olhar para o lado se vê nada menos que” Dani Andrada”, “Enzo Oddo”, “Alizèe Dufraise”, “Xavier Morales”, “Mariona Martí” e outros clássicos da escalada mundial...
Motivante é pouco para o que posso sentir em estar aqui...É muito aprendizado!!!!
Aqui penso ser um dos lugares mais clássicos para se escalar no mundo devido a vários fatores.Um deles é a comodidade para se deslocar e para se hospedar ou“aparcar”... A quantidade de escolas de escalada ao redor... Fica explícito o porquê de “País de La roca”.
Existe uma cultura de habitação “móvel” aonde as pessoas habitam carros transformados em vivendas ou “motor homes”. São vans de todos os portes e tipos que facilitam a vida em todos os sentidos; se deslocando de lugares a outros em busca das pedras perfeitas.
Cada van que aparece... Umas com chaminé e aparatos dos mais diversos, outras com salas que se transformam, pois a sala vira cozinha que vira cama. Fica em destaque os gigantes “motorhomes” que são praticamente casas. Tem de tudo e tudo com muita criatividade.
Logo de “furgo” fiquei pirando no estilo “solto por ai”, “aparcando” com os amigos para escalar pelos setores mais importantes de Siurana e arredores... MontSant e Margalef... e sempre como "base" a casa do Maggi. Vlwww Magi, muita gratidão!!!!

Siurana na verdade é uma vila medieval situada ao cume da serra de Prades-Cornudella. Com suas casas de pedra a vila atrai com nostalgia o velho mundo das montanhas...
Fica em destaque o visual incrível da serra de MontSant com as paredes de Siurana ao redor... é muita “classiquera” do rockclimb!!!!
Senhorrrrrrrrr.................
Sobre o objetivo e espírito desta viagem, fica claro que gostaria de concretizar os clássicos sonhados, projetos provados da vez passada ou ate mesmo coisas surreais que foram apenas vistas de baixo ou em filmes... “um dia quem sabe”...
Em 2008 provei uma vez a maravilhosa “kalea Borroka”, linha (fissura) mais expressiva do setor “El pati”; que para mim é um dos setores mais mágicos do mundo. Seu “desplome”, “desploma” e “desplomaaa”...

A cor, o tamanho, a imponência da parede com suas agarras pequenas...
“Aqui la reina, a part de la mora, segueix essent la regleta, tant petit e tant fanática!! "
Carlos Brascó
Kalea são 40 metros de calcário da melhor qualidade que impressionam a qualquer um. A linha segue uma fissura em quase 40 graus negativos de agarras grandes e movimentos dinâmicos.Vista inúmeras vezes no “FANATICSEARCH 1”, ficou aquela vontade de tentar mais uma vez...
Escalei e os movimentos foram isolados com uma certa facilidade para a graduação. Mas ficava aquele respeito sabendo que o estilo de escalada de “continuidade” atinge a graduação proposta quando somados todos os “lances”...tudo na sequência...
Fui melhorando cada dia mais até o dia que fiz com uma queda no último lance difícil, era questão de tempo. Voltei em um dia com muito vento pensando que o vento poderia ajudar, mas o vento só atrapalhava...
Logo no primeiro “pega” caí novamente no ultimo movimento do crux final por não segurar bem o “reglete”... O vento me balançava muito e me tirava toda a concentração.
Desci meio “tonto” pela energia que rolava no setor. Havia apenas outra dupla do outro lado. Um dia praticamente ruim...Muito vento e frio, mas por outro lado super fanático!!!
Fiquei pensando e pensando... Eu tinha ficado todo aquele tempo tentando a via e me projetando para conseguir... Neste dia tive uma estranha sensação. Foi uma das pouquíssimas vezes que tinha certeza que iria fazer uma via desse grau.
Decidi tentar novamente mesmo com o vento sinistro. Estava com meu amigo Lumir e juntos conversávamos meio ao vento... Gritávamos muito, parecia até que estávamos em uma montanha, patagônia total!!! Digo a Lumir meio “Flutuando com o vento” que iria mais uma vez, tinha uma estranha certeza...E o vento “bombava no setor...........
Vinicius Todero escalando Kalea Borroka - foto : Keith Ladzinsky
Site:
Foi muito forte a energia que rolava no Pati este dia e acredito que isso tenha ajudado... Na decida desequipando, chego ao chão e o vento simplesmente acaba... Foi surreal... Coisas que ficam difíceis de explicar escrevendo ou ate mesmo falando... Coisas de pedra... Momentos de falésia...
Encadenar a “Kalea” foi surreallll...
Nos últimos dias do ano fiquei provando a “migranha” 8b e “2x30” um 8c (fr) de puro regletes estilo um “coquetel” e meio. Não vi muita facilidade e percebi certo cansaço após escalar por tanto tempo...
Videos que mostram um pouco da realidade local... Siurana 4ever...............................

La Obsesión - A film about Dani Andrada from Haroun Souirji on Vimeo.


Argyro climbing Minimal Techno 8a in Siurana from ArcoIris on Vimeo.





El Chorro.........................ano novo, vida nova...
Fui conhecer outro Clássico. Não agüentava mais a “friaca” da Catalunya e decidi encontrar amigos que estariam me esperando para a grande festa de ano novo...Valew Axé, Vanhinha e Fabiano!!!! Foi dimais!!!
Viajei o dia todo, 12 horas de Siurana até El chorro. 100km/h na furgo 4marchas... kkkkkkkkkkkkkkk... Fui muito na vibração de buscar outras condições, conexões... Na van a“sonzera” rolando... Yeahhhhh!!!
Localizado cerca de Málaga, El chorro é um lugar mágico!!! Sua energia é fortíssima por ter uma concentração de pedras e águas ao redor. Muita história rolou ali... A “malandragem cigana” dos que ali habitam marca o relacionamento interpessoal. Muita música flamenca, muito canto... Muita festa!!!


Ponto negativo para a Usina, que altera o conforto áudio-visual quando se está perto do “pueblo”. Um som que não para, todo o tempo aos ouvidos até o ponto que se esquece e se perde na memória,rs... Muito estranho descrever a sensação... Dependendo de onde se escolhe para escalar o som permanece. Mas isso é pouco perto de tanta beleza...



Cheguei pensando que ficaria apenas uma semana, mas acabei ficando um mês.
Com setores dos mais diversos, El chorro conta com todos os estilos de escalada. Fica marcado como melhor setor o Makinodromo com sua parede imensa, negativo de chorreiras,batentes e abaulados. El chorro é muito bom, fica marcado como lugar a se conhecer.
Makinooo é muito clássicooo!!!! Sofá na base da via... Hahá!!! Aonde??? Me fala!!!
Fanatismo é pouco... Aqui a casa é a pedra...kkkkkkkkkkkk


No Makinodromo fiquei escalando nos primeiros dias àvista e caí em todos os 8ª’s(fr)nos últimos movimentos praticamente. Acho que queria tanto que acabei me distanciando de conseguir meu primeiro 8ª avista... Por outro lado consegui meu primeiro 8ª+ flash com via “Randi-P1” e perdi de bobeira meu segundo 8ª+ flash na via “Smashing pumpkings direct”.
Ficou evidente o quanto faltou a parceira de meus companheiros de corda. Penso que seria mais fácil compartilhar, desvendar as vias de alta dificuldade... Também provei outro clássico com “Cous Cous” 8c (fr) se mostrando dificil; saindo bem o primeiro crux, mas o segundo nem luz... Necessitava melhores condições e betas... Quem sabe na próxima temporada...

Conheci uma galera irada! Foi esse um dos motivos que me fez ficar tanto tempo por lá... Com Biszon e Busia aprendi muito... Eles estão viajando por dois anos em uma pequena van e sempre na “vibe positiva” mostraram-me como é simples manter a energia. Abelha com seu humor sem fim e simplicidade... Aga com seu fanatismo e dedicação...
Agnieszka em "el mono e el oro del tigre"

Fica difícil compartilhar experiências diversas, explicar, já que vivemos momentos tão sutis e tudo é tão simples... Energias diversas em lugares tão especiais... Voltei de lá com o sentimento de que sempre estarei aprendendo com as pessoas mais simples, pessoas diversas, pessoas totalmente diferentes... Aprendizado sem fim...

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Nova via na Barrinha-RJ

Ano novo, via nova!

Começamos o ano diante de muito calor, umidade alta e chuva, típico do verão carioca, apesar de parecer condições desfavoráveis para a pratica da escalada em rocha, outras atividades nos matêm na preda.

Na última postagem feita a pouco mais de um mês, o escalador Lucas "Jah" Marques relatava sua participação na conquista de uma via na Pedra do Sino, Parque Nacional da Serra dos Orgãos-RJ.

Coincidência ou não, esse post trás também relatos de uma nova conquista, mas dessa vez em outra escala. Longe das montanhas os loucos de preda têm investido em algumas conquistas em falésias e psicoblocs ao redor da cidade. O negócio e não ficar parado!

Depois de ser convidado pelo escalador Bernardo Cruz, o "Nado", para ajudá-lo a concluir a empreitada iniciada a quase 10 anos na falésia da Barrinha, não tive dúvidas que seria algo significativo. Como a falésia não dispõe de tantas alternativas para novas linhas achei surpreendente o fato de ainda ter uma via inacabada.


Bernardo "Biê" equipando a via "Loucos de Preda", Barrinha-RJ

Eu, "Nado" e Felipe Dallorto do Centro de Escalada de Jacarepaguá (www.escaladajpa.com.br) concluímos as 10 proteções que se segue nos aproximados 20 metros de parede ainda na parte da manhã, sobrando tempo suficiente para desvendar toda movimentação da linha e ainda fazer uma tentativa.


Bernardo "Biê" visualizando os movimentos da via "Loucos de Preda", Barrinha-RJ

A nova via começa do lado direito da via "Chapa Quente, 10a" e foi batizada pelo "Nado" em homenagem a toda movimentação de energia e união do grupo de escaladores que se formou aqui no RJ, com o nome de "Loucos de Preda".


Bernardo "Biê" instalando proteção fixa na via "Loucos de Preda", Barrinha-RJ

Sua linha segue totalmente independente. Diferente do estilo de escalada da falésia, a linha da via segue por um ângulo negativo e constante que exige uma mistura de força, explosão e resistência. Apesar de não ter agarras tão pequenas quanto outras vias do local, os descansos e algumas movimentações não contam com muitas opções de agarras de pés, além de um bote alucicrazy em que o escalador fica apenas por uma das mãos pendurado sobre o vazio.


Bernardo "Biê" instalando proteção fixa na via "Loucos de Preda", Barrinha-RJ

Depois de limpar as agarras, isolar (ensaiar) os movimentos e colocar algumas agarras quebradiças para baixo "Nado" por pouco não conseguiu a primeira ascensão da via em sua primeira tentativa, caindo no último lance difícil. Quanto a dificuldade da via, o escalador sugeriu que pudesse estar entorno do 9º grau. Fato que se consolidou após ter conseguido a primeira ascensão no domingo seguinte, propondo um nível de dificuldade graduado em 9a (br).


Bernardo "Biê" instalando proteção fixa na via "Loucos de Preda", Barrinha-RJ

Em breve será postado vídeo da via sendo escalada pelo "Nado".

Fica ai mais uma pra comunidade escaladora e mais uma opção de via clássica na Barrinha.

Agradeço ao Felipe Dallorto a companhia e a força na empreitada, e ao "Nado" pelo convite de participar dessa inusitada conquista.


Por Bernardo Biê

fotos: Felipe Dallorto