Mesmo com pouco tempo e ainda com as imagens capturadas no reveillon sendo trabalhadas, além é claro de outros compromissos extra escalada, arruma-se tempo para uma escaladinha ali outra aqui.
Na última sexta-feira, dia 29/01, consegui a ascensão da via "Vaca Louca" localizada na falésia da Barrinha, RJ. A via saiu as 20h depois de ter caído algumas vezes nos últimos movimentos, tendo como maior dificuldade me manter motivado o suficiente para voltar a escalar os quase 30 metros de pura continuidade diante do calor infernal que faz na cidade.
Ontem, também já tarde da noite - por volta das 19h - o escalador Lucas "Jah" concluiu com certa facilidade (na terceira tentativa) a ascensão da via "Barra Pesada", localizada na mesma falésia. Depois de acertar um beta no primeiro crux , "Jah" passou batido por toda extensão da via.
Com a forte onda de calor e o desconforto gerado pela alta umidade no ar, restam poucas opções para escalar na cidade. As melhores têm sido as falésias da Barrinha, Primatas e Asa Delta. No caso de paredes a boa é começar a escalar bem cedo, assim evita-se "fritar" nas horas mais quentes do dia. Mesmo assim anda difícil de encontrar condições favoráveis (confortáveis então nem se fala!) para a prática da escalada.
Abraço e boas escaladas a todos
Fotos: Pedro Stabile e Joana Carvalho.
Por Bernardo Biê
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
sábado, 23 de janeiro de 2010
O que é escalar afinal?
Essa é uma pergunta fácil de responder. Depende. Talvez nem tão fácil assim. Bom, poderia dizer que é no mínimo relativo ou até mesmo subjetivo, por que não?
Li uma vez que escalar é transpor limites, que a "graça" de escalar está simplesmente no fato de transpor seus limites. Bom, pensei: que seria esse "transpor" limites e onde estaria a verdadeira graça disso?
Logo, humildemente conclui que na minha concepção essa definição não condiz com a escalada em si, mas sim da busca pelo auto-conhecimento ou apenas pela desesperada forma como encaramos nossas limitações e como a maneira que interagimos com isso nos torna diferentes um dos outros trazendo inúmeras resposta para a pergunta: o que é escalar afinal?
Muitos buscam a escalada com diferentes intuitos, diferentes objetivos, e acabam encontrando (muitas vezes) algo bem além daquilo que inicialmente pensavam que fossem encontrar, mas a maioria não realiza tudo aquilo que essa atividade pode proporcionar.
Tento sempre evitar em falar ou dar ênfase aos tão cobiçados "números". Aqueles com que muitos se preocupam ou se baseiam, que eventualmente separam os ditos "mortais" daqueles que ilustram as capas de revistas pelo mundo a fora e que fazem brilhar os olhos alheios, que trazem a tão almejada "satisfação" ou a amarga "frustração". Sim, acredito que os números são importantes como parâmetro, mas nada além disso.
Sei que assim como muitas outras ciências, a escalada (seja ela qual for a modalidade) nos proporciona algo maior do que "graça", algo maior do que "números", algo muito maior do que satisfação, ouso até dizer, algo maior do que o conhecimento dos próprios limites e a superação desses. Por esses pontos de vista apenas consigo enxergar a escalada sendo colocada como "fim" onde na verdade ela está mais como o "meio". Sim o meio para se alcançar tudo isso, mas não apenas isso.
Muitas pessoas perguntam o porque inúmeros escaladores perdem suas vidas para alcançar o cume de uma montanha sinuosa e muitos dos que perguntam acham estupidez. Não há uma só resposta para essa pergunta, pois a escalada pode se apresentar de diversas maneiras para diferentes pessoas e mesmo assim, lá, no íntimo de cada um, seja ele praticante de qualquer modalidade (boulder, falésia, parede, big wall, alpino, solo etc) existe uma verdadeira resposta que vai além do nosso entendimento racional.
Não me vejo como exemplo ou alguém experiente o bastante para responder essa pergunta definitivamente, mas o pouco de contato que tive até hoje com essa atividade me proporcionou muitas frustrações, satisfações, ilusões e desilusões, me ensinou muito sobre quem eu sou e o que busco, me levou do céu ao inferno, muitas vezes sutilmente, mas maior do que isso foram as realizações. Muito foi iniciado a partir da pratica da escalada e ainda sim o conceito e a definição de "escalar", pelo menos para mim, não se resume ao ato de subir a pedra, porque não foi isso que descobri ser capaz de fazer ou de realizar. Pode parecer misticismo exatamente porque em essência é algo místico.
Ser atual e estar sempre revendo seus conceitos a partir de suas próprias realizações, e é ai que entra a escalada.
O que é escalar afinal, senão viver, aqui agora, cada momento, cada passada, cada respiração!
Como diria um amigo meu: "Choro fi, a vida é sincera!"
Sem maiores pretensões.
Boa escalada a todos
Por Bernardo Biê
Li uma vez que escalar é transpor limites, que a "graça" de escalar está simplesmente no fato de transpor seus limites. Bom, pensei: que seria esse "transpor" limites e onde estaria a verdadeira graça disso?
Logo, humildemente conclui que na minha concepção essa definição não condiz com a escalada em si, mas sim da busca pelo auto-conhecimento ou apenas pela desesperada forma como encaramos nossas limitações e como a maneira que interagimos com isso nos torna diferentes um dos outros trazendo inúmeras resposta para a pergunta: o que é escalar afinal?
Muitos buscam a escalada com diferentes intuitos, diferentes objetivos, e acabam encontrando (muitas vezes) algo bem além daquilo que inicialmente pensavam que fossem encontrar, mas a maioria não realiza tudo aquilo que essa atividade pode proporcionar.
Tento sempre evitar em falar ou dar ênfase aos tão cobiçados "números". Aqueles com que muitos se preocupam ou se baseiam, que eventualmente separam os ditos "mortais" daqueles que ilustram as capas de revistas pelo mundo a fora e que fazem brilhar os olhos alheios, que trazem a tão almejada "satisfação" ou a amarga "frustração". Sim, acredito que os números são importantes como parâmetro, mas nada além disso.
Sei que assim como muitas outras ciências, a escalada (seja ela qual for a modalidade) nos proporciona algo maior do que "graça", algo maior do que "números", algo muito maior do que satisfação, ouso até dizer, algo maior do que o conhecimento dos próprios limites e a superação desses. Por esses pontos de vista apenas consigo enxergar a escalada sendo colocada como "fim" onde na verdade ela está mais como o "meio". Sim o meio para se alcançar tudo isso, mas não apenas isso.
Muitas pessoas perguntam o porque inúmeros escaladores perdem suas vidas para alcançar o cume de uma montanha sinuosa e muitos dos que perguntam acham estupidez. Não há uma só resposta para essa pergunta, pois a escalada pode se apresentar de diversas maneiras para diferentes pessoas e mesmo assim, lá, no íntimo de cada um, seja ele praticante de qualquer modalidade (boulder, falésia, parede, big wall, alpino, solo etc) existe uma verdadeira resposta que vai além do nosso entendimento racional.
Não me vejo como exemplo ou alguém experiente o bastante para responder essa pergunta definitivamente, mas o pouco de contato que tive até hoje com essa atividade me proporcionou muitas frustrações, satisfações, ilusões e desilusões, me ensinou muito sobre quem eu sou e o que busco, me levou do céu ao inferno, muitas vezes sutilmente, mas maior do que isso foram as realizações. Muito foi iniciado a partir da pratica da escalada e ainda sim o conceito e a definição de "escalar", pelo menos para mim, não se resume ao ato de subir a pedra, porque não foi isso que descobri ser capaz de fazer ou de realizar. Pode parecer misticismo exatamente porque em essência é algo místico.
Ser atual e estar sempre revendo seus conceitos a partir de suas próprias realizações, e é ai que entra a escalada.
O que é escalar afinal, senão viver, aqui agora, cada momento, cada passada, cada respiração!
Como diria um amigo meu: "Choro fi, a vida é sincera!"
Sem maiores pretensões.
Boa escalada a todos
Por Bernardo Biê
quinta-feira, 7 de janeiro de 2010
2010 e Serra do Cipó
Depois de alguns dias internado nos arredores da Serra do Cipó, com muitas chuvas e dias que mais lembraram alta temporada de escalada, o ano de 2010 começa em alto astral.
Muitas ascensões foram registradas por aqui desde a última semana do ano passado. Uma delas foi a quarta ascensão da via "Cabra da Peste" pelo escalador Pedro Raphael, que quando questionado sobre números acabou em dúvida mas optou por manter a graduação sugerida. Outras que chamaram a atenção foram as inúmeras ascensões da via "Super Heróis", três seguidas, além de mais uma ascensão feminina na via "Sinos de Aldebarã" dessa vez Luciana Di Franco (primeira cadena feminina de um 8a+).
Em breve mais notícias e registros do que rolou na Serra do Cipó.
Por Bernardo Biê
Muitas ascensões foram registradas por aqui desde a última semana do ano passado. Uma delas foi a quarta ascensão da via "Cabra da Peste" pelo escalador Pedro Raphael, que quando questionado sobre números acabou em dúvida mas optou por manter a graduação sugerida. Outras que chamaram a atenção foram as inúmeras ascensões da via "Super Heróis", três seguidas, além de mais uma ascensão feminina na via "Sinos de Aldebarã" dessa vez Luciana Di Franco (primeira cadena feminina de um 8a+).
Em breve mais notícias e registros do que rolou na Serra do Cipó.
Por Bernardo Biê
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
Fim de ano
Devido a proximidade das datas festivas de final de ano e a tão esperada férias, as postagens terão uma breve paralisação, prometendo voltar com novidades interessantes.
Logo será publicado postagem contando sobre as investidas nas vias esportivas da Serra do Cipó, dos boulders de Conceição e arredores. Como sempre, teremos muitos registros e dessa vez o intuito e fazer uma produção um pouco mais incrementada.
Aproveitando, agradecer aos leitores, colaboradores e toda a comunidade escaladora.
Desejamos muita energia positiva a todos e que todos tenham muitas realizações!
Grande abraço.
Loucos de Preda
Logo será publicado postagem contando sobre as investidas nas vias esportivas da Serra do Cipó, dos boulders de Conceição e arredores. Como sempre, teremos muitos registros e dessa vez o intuito e fazer uma produção um pouco mais incrementada.
Aproveitando, agradecer aos leitores, colaboradores e toda a comunidade escaladora.
Desejamos muita energia positiva a todos e que todos tenham muitas realizações!
Grande abraço.
Loucos de Preda
quinta-feira, 26 de novembro de 2009
Paz nos mundos Com Certeza - Primeira Ascensão
Ontem, dia 25 de Novembro, o escalador Louco de Preda Lucas "Jah" Marques concluiu a primeira ascensão da via "Guerra dos Mundos", localizada na barrinha, e ainda continuou por uma conexão que conecta na via "File com Certeza", propondo graduação de 8b+/8c (10c/11a) para toda a extensão da via apelidando assim de "Paz nos mundos Com Certeza".
Depois de uma temporada castigada por intensas pancadas de chuvas e ondas de calor no Rio, essa quarta-feira teve gostinho de temporada na barrinha. Diante de um clima nublado e abafado, uma pequena janela se abriu as 19h da noite quando uma leve chuva começou a refrescar a intensa suadeira que rolava na falésia, um vento forte e constante cortava o ar enquanto Lucas se encordava para mais uma tentativa nesse projeto, que até ent

ão era o único remanescente na falésia, trazendo uma pitada mística e profética ao momento.
Tudo parecia sincronizado com a solidez e leveza com que o maestro conduzia a sinfonia, deixando todos que assistiam envolvidos totalmente com o momento de cada respiração do escalador. Literalmente "fluido" na via, "Jah" como e conhecido no meio, alcançou o topo do projeto "Guerra dos Mundos" com tamanha facilidade que ainda de quebra sobrou forças para conectar ao topo da clássica via "File com certeza".
Ao final, o espectador (entende-se escalador) se deu conta do que havia acontecido e como que acordado de um transe vibrou com o que acabara de passar diante de seus olhos. Era a conclusão do último projeto que restou na falésia da barrinha.
Ao comentar sobre o grau da via o escalador, que esta preste a fechar a falésia tendo encadenado quase todas as vias exceto duas, demonstra incerteza ao comparar com os outros dois 8b+ (10c) também encadenados por ele na mesma falésia, a saber; "Mister Bill" e "Massa Critica". Sugerindo um possível 8c (11a) para a via de aproximados 35 metros.
A via "Guerra dos Mundos" foi conquistada pelos escaladores Eduardo Barão e Daniel Hans "Coçada" e devido ao forte atrito da corda foi inicialmente escalada por quatro escaladores até a ante-penúltima proteção tendo cotação de 8b (10b) e sugestão de possível 8b+ /8c (10c/11a) até o topo. Feito toda a extensão da via original utilizando costuras longas e pulando alguns grampos, "Jah" ainda afirmou estar em ótima forma concluindo uma delicada travessia até o agarrão final da via vizinha "File com certeza", apelidando o trajeto de "Paz nos mundos Com Certeza".
Vale ressaltar que o nome da via continua sendo "Guerra dos Mundos", não tendo o escalador qualquer intensão de alterar o nome da via.
Os Loucos de Preda parabenizam o escalador pela ascensão e pelas colaborações a escalada nacional.
Fotos: Pedro Stabile, Cláudio Brisighello, Bernardo Biê
Por Bernardo Biê
Depois de uma temporada castigada por intensas pancadas de chuvas e ondas de calor no Rio, essa quarta-feira teve gostinho de temporada na barrinha. Diante de um clima nublado e abafado, uma pequena janela se abriu as 19h da noite quando uma leve chuva começou a refrescar a intensa suadeira que rolava na falésia, um vento forte e constante cortava o ar enquanto Lucas se encordava para mais uma tentativa nesse projeto, que até ent


ão era o único remanescente na falésia, trazendo uma pitada mística e profética ao momento.Tudo parecia sincronizado com a solidez e leveza com que o maestro conduzia a sinfonia, deixando todos que assistiam envolvidos totalmente com o momento de cada respiração do escalador. Literalmente "fluido" na via, "Jah" como e conhecido no meio, alcançou o topo do projeto "Guerra dos Mundos" com tamanha facilidade que ainda de quebra sobrou forças para conectar ao topo da clássica via "File com certeza".
Ao final, o espectador (entende-se escalador) se deu conta do que havia acontecido e como que acordado de um transe vibrou com o que acabara de passar diante de seus olhos. Era a conclusão do último projeto que restou na falésia da barrinha.
Ao comentar sobre o grau da via o escalador, que esta preste a fechar a falésia tendo encadenado quase todas as vias exceto duas, demonstra incerteza ao comparar com os outros dois 8b+ (10c) também encadenados por ele na mesma falésia, a saber; "Mister Bill" e "Massa Critica". Sugerindo um possível 8c (11a) para a via de aproximados 35 metros.
A via "Guerra dos Mundos" foi conquistada pelos escaladores Eduardo Barão e Daniel Hans "Coçada" e devido ao forte atrito da corda foi inicialmente escalada por quatro escaladores até a ante-penúltima proteção tendo cotação de 8b (10b) e sugestão de possível 8b+ /8c (10c/11a) até o topo. Feito toda a extensão da via original utilizando costuras longas e pulando alguns grampos, "Jah" ainda afirmou estar em ótima forma concluindo uma delicada travessia até o agarrão final da via vizinha "File com certeza", apelidando o trajeto de "Paz nos mundos Com Certeza".
Vale ressaltar que o nome da via continua sendo "Guerra dos Mundos", não tendo o escalador qualquer intensão de alterar o nome da via.
Os Loucos de Preda parabenizam o escalador pela ascensão e pelas colaborações a escalada nacional.
Fotos: Pedro Stabile, Cláudio Brisighello, Bernardo Biê
Por Bernardo Biê
segunda-feira, 16 de novembro de 2009
Coletânea de vídeos dos Loucos de Preda
Depois de analisar a previsão do tempo para o Estado e, mais uma vez, constatar que vem mais água por ai e que essa vai ser mais uma semana molhada, aproveito para relacionar todos os vídeos e clipes que foram produzidos pelos Loucos de Preda numa coletânea que teve início há 3 anos.
Aos poucos, pretendemos somar tantos registros quanto possível do máximo que podemos capturar de nossas aventuras e escaladas, com o intuito principal de propagar as boas energias e os relacionamentos decorrentes da união dessas energias, para que tenhamos mais motivação e inspiração em todas as atividades que desempenhamos, seja na escalada ou nas mais corriqueiras, assim, lembrando a todos o verdadeiro espírito e o verdadeiro valor da vida nas montanhas e fora delas também.
Como foi dito, em breve teremos mais vídeos com os registros de nossas aventuras e escaladas. Alguns já estão quase prontos e outros apenas nos planos para quando a chuva der uma trégua.
Bom entretenimento a todos e boas escaladas.
Vídeos: Acervo Loucos de Preda no youtube
Por Bernardo Biê
Aos poucos, pretendemos somar tantos registros quanto possível do máximo que podemos capturar de nossas aventuras e escaladas, com o intuito principal de propagar as boas energias e os relacionamentos decorrentes da união dessas energias, para que tenhamos mais motivação e inspiração em todas as atividades que desempenhamos, seja na escalada ou nas mais corriqueiras, assim, lembrando a todos o verdadeiro espírito e o verdadeiro valor da vida nas montanhas e fora delas também.
Como foi dito, em breve teremos mais vídeos com os registros de nossas aventuras e escaladas. Alguns já estão quase prontos e outros apenas nos planos para quando a chuva der uma trégua.
Bom entretenimento a todos e boas escaladas.
Vídeos: Acervo Loucos de Preda no youtube
Por Bernardo Biê
sexta-feira, 13 de novembro de 2009
Chuva
"Chuva é um fenômeno metereológico que consiste na precipitação de água no estado líquido sobre a superfície da Terra. A chuva forma-se nas nuvens. Nem todas as chuvas atingem o solo, algumas evaporam-se enquanto estão ainda a cair, num fenômeno que recebe o nome de virga e acontece principalmente em períodos/locais de ar seco."
Infelizmente o fenômeno denominado virga não está acontecendo, pelo menos na cidade do Rio de Janeiro. Pelo contrário, só faz chuver nesse lugar.
As postagens estão paradas também pelo volume de água que castiga a cidade há várias semanas, impedindo que haja qualquer janela de tempo bom para uma possível "aventura", digamos, seca, mas não só por isso. Ando um pouco desconectado das predas e como (mais uma vez) os ditos "colaboradores" não se manifestaram ainda em cumprir tal função, com algumas exceções, as postagens estão sendo feitas espaçadamente conforme as coisas vão acontecendo, principalmente por aqui.
Agradeço aos Loucos de preda que acompanham o blog, dispondo de paciência e interesse ao conteúdo. Em breve mais vídeos e fotos, se o clima permitir.
Por enquanto, posto uma sugestão interessante que tem a ver com o momento em que nossa sociedade e o planeta de uma forma geral vive.
Vale muito a pena separar 20 minutinhos para dar atenção as informações disponíveis nesse vídeo/documentário.
Grande abraço a todos.
Fonte: pt.wikipedia.org
Vídeo: youtube.com
Por Bernardo Biê
terça-feira, 27 de outubro de 2009
Dura como a pedra com charme e simpatia
Com a ascensão da via "Lula Lélé" cotada em 8a frânces ou 9c brasileiro, a forte escaladora carioca Raquel Guilhon confirma todo seu potencial para vias esportivas tornando-se referência na escalada nacional de dificuldade.
Localizada na cidade do Rio de Janeiro, mais precisamente na falésia conhecida como Gruta dos Primatas, no Horto, a via conta apenas com 6 proteções e aproximadamente 12 metros de altura numa inclinação aproximada de 45 graus. Com movimentos explosivos e agarras ligeiramente pequenas, porém boas, a via tem como característica o power endurance ou constância e permanência em movimentos que exigem uma mistura de força e explosão do escalador, tendo como sintoma a rápida intoxicação pelo acumulo de ácido lático principalmente nos ante braços. Mesmo com duas boas agarras de descanso entre as sessões mais duras da via, a recuperação é mínima.
A escaladora confirma a retomada de sua boa forma, tendo sido a primeira e única mulher a encadenar a via "Migalhas indecentes" no Campo Escola 2000 em 2005. Com a ascensão na via "Lula Lélé", Raquel estabiliza sua segunda via graduada em 8a frânces ou 9c brasileiro, além de três 7c francês ou 9a brasileiro e uma via de 7c+ francês ou 9b brasileiro apenas nesse ano de 2009. A escaladora comenta sobre sua última ascensão: "Demais a via.. Curta e grossa!"
Foto: Arquivo pessoal Raquel Guilhon.
Vídeo: Escaladabr.com.br
Por Bernardo Biê
Localizada na cidade do Rio de Janeiro, mais precisamente na falésia conhecida como Gruta dos Primatas, no Horto, a via conta apenas com 6 proteções e aproximadamente 12 metros de altura numa inclinação aproximada de 45 graus. Com movimentos explosivos e agarras ligeiramente pequenas, porém boas, a via tem como característica o power endurance ou constância e permanência em movimentos que exigem uma mistura de força e explosão do escalador, tendo como sintoma a rápida intoxicação pelo acumulo de ácido lático principalmente nos ante braços. Mesmo com duas boas agarras de descanso entre as sessões mais duras da via, a recuperação é mínima.
A escaladora confirma a retomada de sua boa forma, tendo sido a primeira e única mulher a encadenar a via "Migalhas indecentes" no Campo Escola 2000 em 2005. Com a ascensão na via "Lula Lélé", Raquel estabiliza sua segunda via graduada em 8a frânces ou 9c brasileiro, além de três 7c francês ou 9a brasileiro e uma via de 7c+ francês ou 9b brasileiro apenas nesse ano de 2009. A escaladora comenta sobre sua última ascensão: "Demais a via.. Curta e grossa!"
Foto: Arquivo pessoal Raquel Guilhon.
Vídeo: Escaladabr.com.br
Por Bernardo Biê
terça-feira, 20 de outubro de 2009
Clássico Italianos com Secundo
Nesse último final de semana (21/09), depois do sábado dedicado aos projetos esportivos o domingo não poderia ter outro destino senão um passeio merecido. E para gastar as pontas das botinhas, já que as dos dedos não existiam mais, nada melhor que uma via de parede clássica como a via "Via dos Italianos" emendando com a última enfiada da via "Secundo Costa Neto", âmbas localizada na face sudoeste do Pão de Açúcar e denominada "Italianos com Secundo" (5º, V E1 D2 - 270m).

Apesar da previsão do tempo não ser das melhores para o Rio de Janeiro, partimos eu e Eduardo "Dudu" com o intuito inicial de escalar a via "Cavalo Louco" que fica logo a esquerda da via "Via dos Italianos", mas como o material móvel que dispunha não eram os propícios para os que são necessários em tal via, resolvemos tocar uma das vias mais tradicionais e agradáveis do Rio, aproveitando que o mau tempo espantara muitos dos quais lotam essa face da montanha nos fins de semana deixando as vias livres para optarmos.
A "Via dos Italianos" (5º, V E1 D1 - 100m*) conquistada em 1981 pelos brasileiros Mário Luiz Pimenta da Rocha Arnaud (CEB) e André Craveiro Ribas (CEC), âmbos com 17 anos na época, teve seu nome atribuído pela comunidade escaladora após ser confundida com a via "Cortina", esta sim, conquistada em 1975 por italianos em artificial utilizando pseudo-proteções (entende-se "toscas") com 0,7 milímetros de diâmetro e fixadas a cada 1,5 metros que logo foi desequipada pela dupla brasileira e escalada em livre, tendo suas proteções substituídas adequadamente.
Saimos do chão com o tempo aberto e sol escaldante, nesse momento ainda tinhamos a sensação de que iriamos "fritar" na parede, porém no final da primeira enfiada as nuvens e o vento forte começaram a invadir a região mudando drasticamente a paisagem.
Escalando tranquilamente, sem pressa, chegamos ao platô do final da via "Via dos Italianos" onde pode ser optado por fazer o cume pelo cabo de aço da via "CEPI" ou traçar uma horizontal para a esquerda até alcançar a última enfiada da via "Secundo Costa Neto". Ali encontramos com a ilustre presença do escalador Hilo Santana que vinha fazendo o "CEPI", trocamos uma idéia rápida e partimos ao ataque, já que o clima estava muito louco e parecia que uma tempestade se aproximava naquele momento.
Na última enfiada da via já era notável a alta humidade no ar, nariz escorrendo e cabelos molhados caracterizavam o que estava por vir. Mesmo assim decidimos parar por poucos minutos para lanchar no platô que da acesso ao cume, assim que alcançamos os 50 % do objetivo (50% é chegar ao cume e os outro 50% é o retorno para casa) notamos que tinha sido a conta exata para a chuva cair. O grande diferencial dessa montanha é o fato de não necessitar de rapel para descer, já que pode ser feito confortavelmente de bondinho, e o melhor, grátis para aqueles que sobem por meios naturais como nós subidores de predas.
No fim, o domingo fechou com chave de ouro e com a alma lavada voltamos para casa ensopados. Felizes da vida e imensamente agradecidos por mais um dia incrível de escalada na cidade maravilhosa, aguardamos ansiosamente e com as mãos suando a oportunidade da próxima escalada.
Fonte: www.hangon.com.br
Por Bernardo Biê

Apesar da previsão do tempo não ser das melhores para o Rio de Janeiro, partimos eu e Eduardo "Dudu" com o intuito inicial de escalar a via "Cavalo Louco" que fica logo a esquerda da via "Via dos Italianos", mas como o material móvel que dispunha não eram os propícios para os que são necessários em tal via, resolvemos tocar uma das vias mais tradicionais e agradáveis do Rio, aproveitando que o mau tempo espantara muitos dos quais lotam essa face da montanha nos fins de semana deixando as vias livres para optarmos.
A "Via dos Italianos" (5º, V E1 D1 - 100m*) conquistada em 1981 pelos brasileiros Mário Luiz Pimenta da Rocha Arnaud (CEB) e André Craveiro Ribas (CEC), âmbos com 17 anos na época, teve seu nome atribuído pela comunidade escaladora após ser confundida com a via "Cortina", esta sim, conquistada em 1975 por italianos em artificial utilizando pseudo-proteções (entende-se "toscas") com 0,7 milímetros de diâmetro e fixadas a cada 1,5 metros que logo foi desequipada pela dupla brasileira e escalada em livre, tendo suas proteções substituídas adequadamente.
Saimos do chão com o tempo aberto e sol escaldante, nesse momento ainda tinhamos a sensação de que iriamos "fritar" na parede, porém no final da primeira enfiada as nuvens e o vento forte começaram a invadir a região mudando drasticamente a paisagem.
Escalando tranquilamente, sem pressa, chegamos ao platô do final da via "Via dos Italianos" onde pode ser optado por fazer o cume pelo cabo de aço da via "CEPI" ou traçar uma horizontal para a esquerda até alcançar a última enfiada da via "Secundo Costa Neto". Ali encontramos com a ilustre presença do escalador Hilo Santana que vinha fazendo o "CEPI", trocamos uma idéia rápida e partimos ao ataque, já que o clima estava muito louco e parecia que uma tempestade se aproximava naquele momento.
Na última enfiada da via já era notável a alta humidade no ar, nariz escorrendo e cabelos molhados caracterizavam o que estava por vir. Mesmo assim decidimos parar por poucos minutos para lanchar no platô que da acesso ao cume, assim que alcançamos os 50 % do objetivo (50% é chegar ao cume e os outro 50% é o retorno para casa) notamos que tinha sido a conta exata para a chuva cair. O grande diferencial dessa montanha é o fato de não necessitar de rapel para descer, já que pode ser feito confortavelmente de bondinho, e o melhor, grátis para aqueles que sobem por meios naturais como nós subidores de predas.
No fim, o domingo fechou com chave de ouro e com a alma lavada voltamos para casa ensopados. Felizes da vida e imensamente agradecidos por mais um dia incrível de escalada na cidade maravilhosa, aguardamos ansiosamente e com as mãos suando a oportunidade da próxima escalada.
Fonte: www.hangon.com.br
Por Bernardo Biê
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
De repente Cipó
Subitamente ocorreu uma verdadeira guinada nos planos da semana em que houve uma breve pausa nas postagens. Conforme post anterior, a semana estaria extremamente congestionada por motivos profissionais. No entanto, o que era para ser feito em 5 dias normais de trabalho pôde ser feito em apenas 36 horas intensas e ininterruptas, o que proporcionou uma súbita viagem a Serra do Cipó.

Faz muito tempo que venho tentando passar mais de 4 dias na Serra do Cipó, pois em todas as oportunidades que tive os 4 dias não foram o suficiente para conhecer as vias que gostaria, seja pela imensa variedade de opções (o que nos desvia dos objetivos iniciais), seja pela falta de estratégia ou constante alteração na mesma ao longo da trip. Claro que os 6 dias que dispunha não seria lá o ideal para provar as inúmeras opções que a região oferece, nem mesmo para consumir todo meu desejo de escalar determinadas vias, mas que assim seja, como diz o ditado popular: "Melhor um na mão do que dois voando." e quanto a isso não tenho do que reclamar.

Partimos eu e o fotógrafo/escalador Guilherme "Grilo" Taboada de ônibus quarta (26/8) e chegamos ao destino final na quinta (27/8) pela manhã. Ficamos hospedados no QG (Quartel General) do Ricardo "Magrão" e Alexandre "Fei", que nos receberam em alto astral como se fossemos velhos amigos, apesar do pouco tempo de conhecimento a afinidade foi instantânea.

Particularmente o objetivo principal eram os magníficos 55 metros da via "Sinos de Aldebarã", equipada pelo maestro Luis Cláudio "Pita". Todos os amigos que fizeram sugerem essa via entre as 5 melhores do País se tratando de escalada esportiva. Já tinha assistido alguns escaladores subindo na via em viagens anteriores e vídeos pela internet e logo fui atraído como que magneticamente do RJ ao Cipó apenas com o intuito de escalar essa obra prima.

Para meu amigo "Grilo" o objetivo era conhecer o máximo de vias possíveis, principalmente as clássicas como: "O dia que a terra parou", "Lamúrias de um viciado", "Na calada da noite", "Libera o cliente", entre inúmeras outras, já que era sua segunda trip para lá sendo que na primeira só fez chover.
No primeiro dia, quinta, estava péssimo, extremamente cansado e abatido depois da maratona de 36hs de trampo mais a viagem de aproximadamente 9h. Aproveitei para repetir uma via que havia feito na primeira vez que visitei o setor do G3 há uns 3 anos atrás. A mesma que o "Grilo" estava tentando, "Especialidade da Casa". Ótima via por sinal. Depois da longa caminhada até o QG, com direito a pit stop no Paiol para abastecer o tanque, o descanso foi merecido e na sexta a brincadeira começou.
Após perder na primeira entrada os aproximados 45 metros da via "Ética Decomposta" indo para a penúltima proteção, descansei rapidamente e tentei novamente mas o cansaço não diminuiu e não obtive sucesso. Escalamos em dupla a via "O dia que a terra parou" com bastante dificuldade quase caindo em todas as passadas devido a exaustão que nos consumia, fechando o segundo dia de escaladas com a longa caminhada de volta ao QG.
Já no sábado a coisa melhorou, mais descansado e tranquilo, pude concluir a ascensão que havia deixado pendente no dia anterior na primeira entrada do dia e terceira no total.
No mesmo dia encontrei o escalador Eduardo "Barão" e sua esposa Rafaela Discaciate trabalhando o projeto "Premonição", a princípio cotado em pelo menos 8c (fr) ou 11a (br) pelo próprio, que acabava de isolar todos os movimentos da sequência e, portanto, bem convicto da proposta.

Para quem não sabe, o projeto em questão sai do chão logo abaixo da via "Poltergeist" e termina por fazê-la até o topo.
Com a recente ascensão da via "Cabra da Peste", cotada e confirmada em 8c (fr) ou 11a (br) além é claro de anos de experiência e muitos metros de preda acima, o escalador estima que o projeto possa ainda sofrer nova cotação com mais escaladores tentando e desenvolvendo soluções para as sequências de movimentos.
No domingo, 4º dia seguido de escalada, não rendeu muito mas mesmo assim não deixamos a peteca cair. Com grande boa vontade e paciência, Ricardo "Magrão" equipou e gritou os betas da via "Sinos de Aldebarã" para minha tentativa flash. Sem acreditar no que acontecia, perdi a ascensão diante de um agarrão que, aflito, não tive sangue frio de observar, isso há aproximadamente 50 metros do chão e nos 5 metros finais da via, já tendo passado todos os lances difíceis. Como dispunha de poucas costuras, "Magrão" pediu que limpasse a via e com isso fui obrigado a entrar sacando na segunda tentativa. Exausto, acabei caindo no mesmo lance. Resolvi deixar a via equipada para tentar descansado no dia seguinte. Ainda no domingo, aproveitando que a primeira parte da via "Heróis da Resistência" foi equipada, não pude deixar de conferir deixando como projeto para uma próxima trip. Nesse meio tempo, Guilherme "Grilo" se fazia extasiado entre uma via e outra, como macaco pulando de galho em galho pela relva. Com sangue nos olhos ainda entrei na linda via "Escamoso" para acabar com os braços de vez e fechar o dia.
Na segunda, com a chegada e o reforço da forte escaladora mineira radicada no RJ, Roberta Resende, fomos direto ao que interessava. Guilherme "Grilo" entrou e fez a ascensão da via "Especialidade da Casa" realmente sólido, trazendo muita motivação e inspiração para a torcida no chão. Logo em seguida o tempo deu o sinal verde e algumas nuvens tomaram conta do céu (até então azul celeste e sol a pino) amenizando o calor que fazia, as condições eram ideais para uma tentativa no meu objetivo da trip. E foi exatamente o que aconteceu. Fazia então a ascensão da via "Sinos de Aldebarã" num total de 3 tentativas e terminava o dia em êxtase, prometendo sempre repeti-lá quando tiver oportunidade.
Terça, último dia da trip para mim, pois meu amigo Guilherme "Grilo" permaneceria até o final do feriado de 7 de setembro. Já com o objetivo cumprido fomos conhecer o setor Foda, tendo como guia a escaladora Roberta Resende que nos aplicou a via "Tatara". Muito bonita e atípica (pelo menos para mim) consegui forças para a ascensão na segunda tentativa depois de perder onsight (avista) no último movimento e o mais duro de toda a sequência - que depois fiquei sabendo ter sido recém equipado propondo uma continuação para a sequência originalmente visualizada pelos conquistadores.
No final, retornei para casa com a alma lavada e bem cansado enquanto meu camarada "Grilo" se esbaldava no calcário mineiro trazendo consigo registros belíssimos sob as lentes de sua câmera que podem ser visto em seu blog pessoal (www.riophotoclimb.blogspot.com).
Em breve será postado relato da trip feita para a Serra do Cipó no feriado de Nossa Senhora/Dia das crianças (12 de Outubro).
Obs: Como o tempo para postar está ficando cada vez mais escasso, aos poucos e retroativamente o blog vai sendo atualizado.
Fotos: Guilherme "Grilo" Taboada
Por Bernardo Biê

Faz muito tempo que venho tentando passar mais de 4 dias na Serra do Cipó, pois em todas as oportunidades que tive os 4 dias não foram o suficiente para conhecer as vias que gostaria, seja pela imensa variedade de opções (o que nos desvia dos objetivos iniciais), seja pela falta de estratégia ou constante alteração na mesma ao longo da trip. Claro que os 6 dias que dispunha não seria lá o ideal para provar as inúmeras opções que a região oferece, nem mesmo para consumir todo meu desejo de escalar determinadas vias, mas que assim seja, como diz o ditado popular: "Melhor um na mão do que dois voando." e quanto a isso não tenho do que reclamar.

Partimos eu e o fotógrafo/escalador Guilherme "Grilo" Taboada de ônibus quarta (26/8) e chegamos ao destino final na quinta (27/8) pela manhã. Ficamos hospedados no QG (Quartel General) do Ricardo "Magrão" e Alexandre "Fei", que nos receberam em alto astral como se fossemos velhos amigos, apesar do pouco tempo de conhecimento a afinidade foi instantânea.

Particularmente o objetivo principal eram os magníficos 55 metros da via "Sinos de Aldebarã", equipada pelo maestro Luis Cláudio "Pita". Todos os amigos que fizeram sugerem essa via entre as 5 melhores do País se tratando de escalada esportiva. Já tinha assistido alguns escaladores subindo na via em viagens anteriores e vídeos pela internet e logo fui atraído como que magneticamente do RJ ao Cipó apenas com o intuito de escalar essa obra prima.

Para meu amigo "Grilo" o objetivo era conhecer o máximo de vias possíveis, principalmente as clássicas como: "O dia que a terra parou", "Lamúrias de um viciado", "Na calada da noite", "Libera o cliente", entre inúmeras outras, já que era sua segunda trip para lá sendo que na primeira só fez chover.
No primeiro dia, quinta, estava péssimo, extremamente cansado e abatido depois da maratona de 36hs de trampo mais a viagem de aproximadamente 9h. Aproveitei para repetir uma via que havia feito na primeira vez que visitei o setor do G3 há uns 3 anos atrás. A mesma que o "Grilo" estava tentando, "Especialidade da Casa". Ótima via por sinal. Depois da longa caminhada até o QG, com direito a pit stop no Paiol para abastecer o tanque, o descanso foi merecido e na sexta a brincadeira começou.
Após perder na primeira entrada os aproximados 45 metros da via "Ética Decomposta" indo para a penúltima proteção, descansei rapidamente e tentei novamente mas o cansaço não diminuiu e não obtive sucesso. Escalamos em dupla a via "O dia que a terra parou" com bastante dificuldade quase caindo em todas as passadas devido a exaustão que nos consumia, fechando o segundo dia de escaladas com a longa caminhada de volta ao QG.
Já no sábado a coisa melhorou, mais descansado e tranquilo, pude concluir a ascensão que havia deixado pendente no dia anterior na primeira entrada do dia e terceira no total.
No mesmo dia encontrei o escalador Eduardo "Barão" e sua esposa Rafaela Discaciate trabalhando o projeto "Premonição", a princípio cotado em pelo menos 8c (fr) ou 11a (br) pelo próprio, que acabava de isolar todos os movimentos da sequência e, portanto, bem convicto da proposta.

Para quem não sabe, o projeto em questão sai do chão logo abaixo da via "Poltergeist" e termina por fazê-la até o topo.
Com a recente ascensão da via "Cabra da Peste", cotada e confirmada em 8c (fr) ou 11a (br) além é claro de anos de experiência e muitos metros de preda acima, o escalador estima que o projeto possa ainda sofrer nova cotação com mais escaladores tentando e desenvolvendo soluções para as sequências de movimentos.
No domingo, 4º dia seguido de escalada, não rendeu muito mas mesmo assim não deixamos a peteca cair. Com grande boa vontade e paciência, Ricardo "Magrão" equipou e gritou os betas da via "Sinos de Aldebarã" para minha tentativa flash. Sem acreditar no que acontecia, perdi a ascensão diante de um agarrão que, aflito, não tive sangue frio de observar, isso há aproximadamente 50 metros do chão e nos 5 metros finais da via, já tendo passado todos os lances difíceis. Como dispunha de poucas costuras, "Magrão" pediu que limpasse a via e com isso fui obrigado a entrar sacando na segunda tentativa. Exausto, acabei caindo no mesmo lance. Resolvi deixar a via equipada para tentar descansado no dia seguinte. Ainda no domingo, aproveitando que a primeira parte da via "Heróis da Resistência" foi equipada, não pude deixar de conferir deixando como projeto para uma próxima trip. Nesse meio tempo, Guilherme "Grilo" se fazia extasiado entre uma via e outra, como macaco pulando de galho em galho pela relva. Com sangue nos olhos ainda entrei na linda via "Escamoso" para acabar com os braços de vez e fechar o dia.
Na segunda, com a chegada e o reforço da forte escaladora mineira radicada no RJ, Roberta Resende, fomos direto ao que interessava. Guilherme "Grilo" entrou e fez a ascensão da via "Especialidade da Casa" realmente sólido, trazendo muita motivação e inspiração para a torcida no chão. Logo em seguida o tempo deu o sinal verde e algumas nuvens tomaram conta do céu (até então azul celeste e sol a pino) amenizando o calor que fazia, as condições eram ideais para uma tentativa no meu objetivo da trip. E foi exatamente o que aconteceu. Fazia então a ascensão da via "Sinos de Aldebarã" num total de 3 tentativas e terminava o dia em êxtase, prometendo sempre repeti-lá quando tiver oportunidade.
Terça, último dia da trip para mim, pois meu amigo Guilherme "Grilo" permaneceria até o final do feriado de 7 de setembro. Já com o objetivo cumprido fomos conhecer o setor Foda, tendo como guia a escaladora Roberta Resende que nos aplicou a via "Tatara". Muito bonita e atípica (pelo menos para mim) consegui forças para a ascensão na segunda tentativa depois de perder onsight (avista) no último movimento e o mais duro de toda a sequência - que depois fiquei sabendo ter sido recém equipado propondo uma continuação para a sequência originalmente visualizada pelos conquistadores.
No final, retornei para casa com a alma lavada e bem cansado enquanto meu camarada "Grilo" se esbaldava no calcário mineiro trazendo consigo registros belíssimos sob as lentes de sua câmera que podem ser visto em seu blog pessoal (www.riophotoclimb.blogspot.com).
Em breve será postado relato da trip feita para a Serra do Cipó no feriado de Nossa Senhora/Dia das crianças (12 de Outubro).
Obs: Como o tempo para postar está ficando cada vez mais escasso, aos poucos e retroativamente o blog vai sendo atualizado.
Fotos: Guilherme "Grilo" Taboada
Por Bernardo Biê
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